Dia histórico

Covid-19: vacinação no DF começa hoje em 15 hospitais

Hospitais da rede pública receberão as doses da CoronaVac e poderão começar a aplicar às 10h. Neste primeiro momento, 47,5 mil a serem imunizados serão profissionais de saúde que atuam na linha de frente, 3.700 idosos e 300 indígenas

Cibele Moreira
Samara Schwingel
Jéssica Moura
postado em 19/01/2021 06:00 / atualizado em 19/01/2021 08:36
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Com a chegada das 106 mil doses da vacina chinesa CoronaVac ao Distrito Federal, na tarde de ontem, a capital federal inicia hoje, às 10h, a vacinação contra a covid-19. A vacina ficará disponível em 15 hospitais da rede pública.De acordo com a Secretaria de Saúde, cerca de 51,2 mil pessoas serão imunizadas nesta primeira fase. Desse quantitativo, 47,5 mil são trabalhadores que atuam na linha de frente contra o novo coronavírus, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, vigilantes e servidores da limpeza de hospitais, além das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros Militar que fazem o atendimento pré-hospitalar. Idosos acima de 60 anos e pessoas acima de 18, com algum tipo de deficiência, que moram em instituição de longa permanência, bem como os cuidadores delas, também entram nesta etapa de imunização, assim como a população indígena.

O número de pessoas que serão contempladas com as duas doses da vacina, neste primeiro momento, equivale a 28,65% das 189.514 previstas no primeiro Plano Distrital de Vacinação, onde 101.996 são profissionais de saúde, 80.950 idosos acima de 60 anos e 6.568 idosos que moram em instituições de longa permanência, como asilos. Apesar do início da imunização, especialistas alertam para a importância de continuar seguindo os protocolos de segurança sanitária como o uso de máscaras e distanciamento social.

As doses da CoronaVac chegaram ao DF por volta das 14h46 de ontem. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que transportava o material pousou na Base Aérea de Brasília e, de lá, os imunizantes seguiram, em escolta realizada pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal, para a Central de Armazenamento da Rede de Frios. Em coletiva realizada no Palácio do Buriti, também na tarde de ontem, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, afirmou que, por questões logísticas, não foi possível iniciar a vacinação ontem, conforme ocorreu em outras unidades da Federação. “Após a chegada do voo, há uma necessidade de verificação da alfândega para depois ser encaminhado para a Rede de Frio, onde vão ser observadas as condições de temperaturas das vacinas para a validação. A partir disso, é feita a climatização e as doses ficam disponíveis para serem encaminhadas às salas de imunização”, destacou Okumoto.

Às 7h30 da manhã de hoje, a Polícia Militar do DF escoltará as doses para as outras oito redes de frios localizadas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Hospital Regional do Núcleo Bandeirante, Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Hospital Regional de Paranoá (HRL), Hospital Regional do Gama (HRG), Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e Hospital Regional de Planaltina (HRP). As equipes de saúde que trabalham nestas unidades serão as primeiras a receber a dose da vacina. Para a imunização, é necessário preencher uma ficha de cadastro que será vinculada ao CPF e, ao final da aplicação, a pessoa receberá um comprovante com a especificação da marca da vacina e a data. É importante guardar esta comprovação para garantir a imunização completa do mesmo fabricante. Para quem está em instituição de longa permanência e para os indígenas, a Secretaria de Saúde irá disponibilizar equipes volantes para ir até os locais onde este grupo se encontra. Quem trabalha na capital e mora no Entorno também terá direito a tomar a vacina no local de trabalho. A Secretaria de Saúde fará o controle de quantos profissionais que residem no Entorno tomaram a vacina no DF para fazer a reposição do estoque destinado à população da capital.

As doses a serem utilizadas ficarão armazenadas nas redes de frios e serão distribuídas diariamente aos hospitais de acordo com a demanda. Em relação aos materiais necessários para a aplicação das doses, como seringas e agulhas, a secretaria informou que não há riscos de falta dos insumos. Em nota, a pasta disse que o DF “tem, em estoque, 2 milhões de seringas com agulhas e está aguardando a entrega de mais 3,5 milhões referentes a um processo de compra já finalizado’’. Ou seja, no total, a pasta terá 5,5 milhões de agulhas e seringas a serem utilizadas nas campanhas de vacinação.

Até o fim do ano

A expectativa do Executivo local é de que a população do DF esteja imunizada até o fim do ano, inclusive quem já teve covid-19. “O coronavírus é um vírus novo e a gente não sabe o comportamento e em quanto tempo de imunidade ele está dando para as pessoas, então, todo mundo será vacinado. E eu não tenho dúvida de que, neste ano, nós alcançaremos os 3 milhões de pessoas vacinas no Distrito Federal e 1,5 mil da Ride”, ressaltou Alexandre Garcia, secretário adjunto de Assistência à Saúde.

É importante ressaltar que, neste primeiro momento, não haverá disponibilização da vacina nos postos para a população geral, e as equipes de saúde irão até as pessoas que pertencem ao grupo prioritário para realizarem o procedimento. Por isso, não há necessidade de agendar ou procurar um posto de vacinação. As próximas fases e grupos a serem vacinados serão informados à medida que novas doses da vacina contra a covid-19 cheguem na capital. Todo o protocolo e logística serão divulgados de acordo com a quantidade de doses disponíveis.

Pandemia continua

O Distrito Federal recebeu 106 mil doses, o que permite a imunização de 53 mil pessoas, considerando que a CoronaVac exige a aplicação de duas doses para alcançar o nível de imunização apresentado nos testes clínicos (leia mais na página 15). Segundo o infectologista Alexandre Cunha, mesmo os vacinados precisam continuar seguindo as regras sanitárias. “Quem receber a primeira dose ainda não estará imune, pois é preciso esperar a vacinação completa”, explica.

Além disso, o infectologista afirma que, mesmo após a segunda dose, não dá para se descuidar. “A vacina não tem eficácia de 100%, ela apenas diminui os riscos e a gravidade da doença. Por isso, é importante que as pessoas continuem utilizando máscaras de proteção facial, álcool em gel e evitando aglomerações até que o número de casos diminua consideravelmente”, completa.

De acordo com boletim divulgado, ontem, pela Secretaria de Saúde, o DF contabilizou, nas últimas 24 horas, mais 1.047 casos de infecção pelo novo coronavírus e o total chegou a 265 mil. No mesmo período, mais seis óbitos foram registrados, totalizando 4,4 mil. Entre as regiões administrativas, Ceilândia segue como a região com mais casos da doença, com 28.914. Em seguida, o Plano Piloto aparece com 23.992 e Taguatinga, com 21,519. A média móvel do DF caiu para 8,4.

Fases de imunização

Primeira fase

» Trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, vigilantes e servidores da limpeza de hospitais, além da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e do Corpo de Bombeiros Militar que fazem o atendimento pré-hospitalar;
» Pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas);
» Pessoas acima de 18 anos com deficiência que vivem em instituições de longa permanência;
» Cuidadores que atuam em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas);
» Indígenas.

Segunda fase
» Pessoas de 60 a 74 anos;
» Idosos a partir dos 75 anos.

Terceira fase
» Pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença, como: portadores de diabetes mellitus; hipertensão arterial grave; doença pulmonar obstrutiva crônica; doença renal; doenças cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; anemia falciforme; câncer; e obesidade grave.

Quarta fase
» Agentes de segurança e professores.

Linha do tempo

A trajetória da CoronaVac

JUNHO 2020

Governo de São Paulo firma parceria com Sinovac para produção da vacina

JULHO 2020

Começa o recrutamento de voluntários para os testes clínicos no Brasil

AGOSTO 2020

CoronaVac começa a ser testada na UnB

28 DE OUTUBRO 2020

Autorização da importação dos insumos para produção da vacina

29 DE OUTUBRO 2020

Morre voluntário em estudos da fase 3

9 DE NOVEMBRO 2020

Anvisa interrompe testes clínicos da CoronaVac após evento adverso

11 DE NOVEMBRO 2020

Anvisa autoriza retomada de testes, depois da comprovação que morte de voluntário não teve relação com a vacina

23 DE NOVEMBRO 2020

Butantan anuncia fim dos testes clínicos do imunizante

DEZEMBRO 2020

Governo de São Paulo divulga resultados da fase 3 de estudos clínicos da CoronaVac

12 DE JANEIRO 2021

Butantan divulga que eficácia da vacina é de 50,38%

17 DE JANEIRO

Anvisa aprova uso emergencial da vacina no Brasil. Primeira pessoa imunizada fora dos ensaios clínicos é a enfermeira Mônica Calazans, em São Paulo

18 DE JANEIRO

O Ministério da Saúde começa a distribuição das primeiras doses. Imunizante desembarca em Brasília

19 DE JANEIRO

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