DF recebe nesta terça-feira novo lote da vacina contra a covid-19

Secretaria de Saúde vai se reunir na manhã de hoje com o Ministério da Saúde, que definirá quantas doses o Distrito Federal irá receber. Butantan confirma repasse do imunizante para o ministério. Expectativa é de que idosos com 78 anos sejam vacinados

Ana Isabel Mansur
postado em 22/02/2021 06:14
Até a última sexta-feira, 115.369 brasilienses haviam sido vacinados , e 19.525 receberam o reforço da segunda dose da CoronaVac -  (crédito: ED ALVES)
Até a última sexta-feira, 115.369 brasilienses haviam sido vacinados , e 19.525 receberam o reforço da segunda dose da CoronaVac - (crédito: ED ALVES)

O Distrito Federal deve receber, amanhã, do Ministério da Saúde, mais doses da vacina contra a covid-19. Apesar da chegada dos novos lotes, a Secretaria de Saúde (SES-DF) ainda não confirma a vacinação de pessoas com 78 anos. A pasta destaca que somente depois da confirmação do número de doses a serem recebidas será possível avaliar a ampliação do público-alvo. Fontes da secretaria ouvidas pelo Correio, no entanto, apontaram que — com o cenário de recebimento de menos unidades do que o previsto inicialmente — a SES deve começar a vacinar os idosos com 78 anos. O objetivo era ampliar a vacinação para a faixa etária de 75 a 78 anos. A quantidade de doses que o DF vai receber vai ser definida em uma reunião na manhã de hoje com o Ministério da Saúde, mas a quantidade de vacinas será inferior às 100 mil unidades esperadas inicialmente pela capital federal.

O Ministério da Saúde tem usado, como critério epidemiológico, estados em que a situação está mais crítica. O DF é a unidade federativa com a quarta maior proporção populacional vacinada, apesar de a taxa de 3,78% ser pequena, segundo levantamento do portal Coronavírus Brasil. Apesar desse cenário, a pasta trabalha para não interromper a imunização.

Nas últimas 24 horas, o Distrito Federal registrou 843 casos e 10 vítimas da covid-19. No total, são 289.820 ocorrências da doença e 4.757 vítimas. Os dados são da Secretaria de Saúde. A média móvel de casos registrou alta de 28% em relação a 7 de fevereiro, 14 dias atrás, e chegou a 711,7. Em relação aos óbitos, houve crescimento de 7,6%, em comparação à taxa observada há duas semanas, e a média móvel é de 9,85. A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para o tratamento da doença é de 85,84%. O total de pessoas recuperadas da doença é de 280.094 (96,6%).

Estoque

De acordo com a SES, restam 69.176 vacinas no DF, sendo que apenas 7.421 unidades são para a primeira dose e 61.755, reservadas para a segunda aplicação. As doses são suficientes para um dia e meio de imunização com a primeira aplicação da vacina. Para a segunda dose, o tempo restante com a quantidade reservada é de cerca de vinte dias.

A pasta também informou que a segunda dose está garantida para quem recebeu a primeira dose da vacina CoronaVac, que tem um intervalo entre as aplicações de 14 a 28 dias. Segundo a secretaria, o estoque de seringas e agulhas está abastecido, e não há risco de falta desses insumos.

Desde o começo da campanha de imunização contra o novo coronavírus até a última sexta-feira, 115.369 brasilienses haviam sido vacinados e 19.525 haviam recebido o reforço da segunda dose da CoronaVac, segundo a Secretaria de Saúde.

A aplicação da primeira dose da vacina é feita de segunda a sexta-feira — portanto, foram 22 dias de imunização desde então. A média de pessoas vacinadas por dia é de 5.284. Com relação à segunda dose, que teve início em 8 de fevereiro, foram apenas oito dias de aplicação até então. Em média, 2.997 pessoas receberam o reforço da vacina por dia.

Repasse

O Ministério da Saúde depende da entrega das doses pelo Instituto Butantan. Na sexta-feira, o instituto confirmou que repassará os próximos lotes — contendo 3,4 milhões de doses da vacina CoronaVac — entre amanhã e a terça-feira da próxima semana. Esses imunizantes estão sendo produzidos com a matéria-prima que chegou de Pequim em 3 e 10 de fevereiro — esperada, contudo, para a primeira quinzena de janeiro. O instituto deve entregar, até o fim de março, mais 13,9 milhões de doses para os estados.

O Butantan alega que o atraso no envio de matéria-prima da China para a fabricação das vacinas foi consequência das definições tardias do Ministério da Saúde. Em entrevista coletiva na sexta-feira, o diretor do instituto, Dimas Covas, afirmou que os parceiros da China, inclusive o governo chinês, estavam inseguros sobre o futuro da parceria com o Butantan. “Obviamente que isso teve impacto profundo nas decisões. Se a matéria-prima não for utilizada de forma adequada no Brasil, não tem motivo para que ela chegue rapidamente”, explicou.

O Instituto Butantan ofereceu a CoronaVac ao Ministério da Saúde em julho de 2020. Porém, o governo federal só decidiu comprar a vacina em janeiro, o que impactou nos prazos do envio de matéria-prima. O instituto — cujos imunizantes são os únicos produzidos no Brasil — entregou até agora 9,8 milhões de doses para o ministério. O contrato de compra das vacinas foi assinado em 7 de janeiro e a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial ocorreu em 10 de janeiro.

Entorno

Na quinta-feira, a SES-DF fará reunião técnica com representantes das secretarias municipais de saúde do Entorno e da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) para tratar da situação epidemiológica dos municípios goianos próximos ao DF. O objetivo é conhecer melhor a situação no Entorno e acompanhar as variantes do novo coronavírus em Goiás — saber em quais cidades estão circulando, quantas pessoas foram infectadas e o histórico de contato desses pacientes com outras pessoas. A partir da reunião, serão definidas estratégias conjuntas de cooperação no enfrentamento à pandemia.

Por que é importante acelerar a imunização?

Após um mês de campanha de vacinação contra a covid-19 no DF, algumas dúvidas começam a surgir sobre a velocidade do processo de imunização da população local.

Até sexta-feira — portanto, exatamente um mês depois do início da imunização — 116.267 pessoas haviam sido vacinadas no DF. Em uma proporção rápida, com essa mesma velocidade de imunização do primeiro mês, levaríamos 788 dias para vacinar todos os moradores do Distrito Federal. Isso corresponde a dois anos, quatro meses e 15 dias.

Por que é imprescindível que a velocidade da vacinação no DF seja acelerada? Alguns pontos precisam ser considerados. Primeiro, precisamos pensar que, se não tiver imunizante para os grupos prioritários — os idosos — é necessário reduzir o alcance e priorizar a faixa etária dos mais velhos, como vem sendo feito pela Secretaria de Saúde. Inclusive, se o Ministério da Saúde não enviar uma quantidade suficiente de doses, a intenção da secretaria é aumentar o grupo a ser vacinado para idosos acima de 78 anos. Atualmente, estão sendo imunizadas pessoas com mais de 79.

É claro que os óbitos acontecem em todas as idades, mas pessoas mais velhas são mais vulneráveis, e quanto mais imunes, menos mortes no futuro. A população precisa se conscientizar de que, mesmo tomando a primeira dose da CoronaVac, a imunização só atinge sua capacidade máxima após a segunda dose. Portanto, não é momento de deixar de lado os cuidados e as medidas de segurança nem ignorar que ainda estamos em situação de pandemia. Mesmo quem foi vacinado pode passar o vírus adiante para mais pessoas. Com a CoronaVac, a pessoa ainda pode se contaminar — a chance é menor mas ainda existe.

Precisamos considerar, também, as aglomerações causadas durante o carnaval. É muito provável que tenham influência no aumento da média móvel de casos, observado nos últimos dias, que estava em queda considerável há 13 dias.

Caso o governo federal não envie quantidade suficiente de vacinas e a campanha precise ser interrompida, as faixas etárias mais altas deixarão de receber o imunizante e continuarão na berlinda. E os óbitos dos mais velhos vão manter a quantidade de mortes em alta. A interrupção terá um possível impacto também na ocupação dos leitos de UTI destinados à covid-19, próximos à capacidade máxima de atendimento, uma vez que a vacina teve ótimo resultado na redução de casos graves.

Por fim, é preciso considerar também que a possibilidade de lockdown existe. Até ontem, a taxa de ocupação das UTIs disponíveis para a covid-19 era de 85%. Por mais esse motivo, temos de, por obrigação, manter a vacinação, o distanciamento social e as medidas de segurança. É uma responsabilidade. Se um lockdown vier, a obrigação não será pela saúde — nossa e dos outros. Será em forma de lei.

Após pouco mais de um mês do início da vacinação contra a covid-19 no Distrito Federal, restam algumas dúvidas sobre o processo de imunização. É importante que perguntas, como intervalo entre as doses, principais efeitos colaterais, necessidade de manutenção das medidas de proteção mesmo depois da vacinação e duração da proteção contra a doença, sejam sanadas, principalmente devido à alta circulação de informações falsas em redes sociais.

Além disso, foi descoberto nos últimos dias — conforme o Correio adiantou — que variantes do novo coronavírus estão em circulação no Distrito Federal desde o ano passado, sem contar que as aglomerações e festas durante o carnaval podem elevar novamente os números de casos e mortes pela doença no DF.

Na última quinta, a Secretaria de Saúde (SES-DF) lançou plataforma de agendamento da segunda dose da vacina, para pacientes que vão receber o reforço entre 22 e 26 de fevereiro.

Breno Adaid, pesquisador do Centro Universitário Iesb, doutor em administração e pós-doutor pela Universidade de Brasília (UnB) em ciência do comportamento

Perguntas frequentes sobre a imunização

Quanto tempo após tomar a vacina uma pessoa fica imunizada contra a covid-19?
Para estimular a imunidade da pessoa contra o vírus, as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil precisam de uma segunda dose e um período de tempo para que o organismo dê uma resposta imunológica protetora. Cada vacina tem orientações específicas, mas geralmente isso acontece 10 a 30 dias depois da segunda dose.

Uma pessoa que teve covid-19 precisa ser vacinada?
Sim. A vacina pode oferecer uma imunidade mais duradoura e trazer mais benefícios em relação à imunidade natural. Assim, as pessoas devem se vacinar independentemente de terem sido infectadas ou não pelo novo coronavírus.

As vacinas contra a covid-19 podem provocar algum
efeito colateral?
Durante a fase de testes das vacinas aplicadas no Brasil não foram detectados efeitos adversos graves. Em geral, as vacinas podem provocar vermelhidão e dor no local da aplicação e, às vezes, febre baixa. Essas reações leves costumam desaparecer em poucos dias.

Posso tomar uma dose de vacina de um laboratório e receber a segunda de outro?
O período desde o início da pandemia e o advento das vacinas é muito curto. Por isso, ainda não existem evidências sobre intercâmbio das vacinas no processo de imunização. Em princípio, se a vacina exigir duas doses, estas devem ser do mesmo laboratório da primeira.

Posso pegar covid-19 por causa da vacina?
O vírus utilizado nas vacinas é inativado — ou seja, não está vivo. Dessa forma, não é possível que uma pessoa se infecte com a covid-19 por causa da vacina.

Por que mesmo tomando a vacina é preciso continuar seguindo as medidas de saúde pública?
As medidas de higienização das mãos, distanciamento físico e uso de máscara devem permanecer por um bom tempo. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que as precauções contra a transmissão da covid-19 sejam mantidas mesmo por quem foi vacinado, até que as pesquisas sejam conclusivas. Assim, todas as pessoas que tomarem vacinas precisam continuar mantendo todas as medidas de prevenção — como distanciamento físico, uso de máscaras e lavagem das mãos.

Quanto tempo dura a proteção da vacina?
Ainda é muito cedo para saber quanto tempo durará a proteção imunológica determinada pelas vacinas contra a covid-19. As pessoas que fizeram parte dos testes da fase 3 das vacinas serão acompanhadas por anos para que se conheça por quanto tempo elas terão imunidade.

Quem ainda não pode receber as vacinas contra a covid-19?
Menores de 18 anos, gestantes, pessoas com recomendação médica para não se vacinar, além daquelas referidas nas bulas de cada tipo de vacina.|

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