LEVANTAMENTO

Renda dos mais pobres no DF aumenta 30% e dos mais ricos, 3%

Dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego apresentada nesta terça (23/2). Técnica responsável pelo estudo afirma que o cenário de constância é considerado normal em início de ano

Ana Isabel Mansur
postado em 23/02/2021 23:07 / atualizado em 23/02/2021 23:07
8 mil brasilienses ficaram desempregados, mas, ainda assim, as taxas de desemprego mantiveram estabilidade, já que, em termos relativos, o quantitativo representa 0,1% da taxa observada em dezembro, de 18% -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
8 mil brasilienses ficaram desempregados, mas, ainda assim, as taxas de desemprego mantiveram estabilidade, já que, em termos relativos, o quantitativo representa 0,1% da taxa observada em dezembro, de 18% - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Entre dezembro e janeiro, todos os segmentos populacionais do Distrito Federal apresentaram crescimento do rendimento médio real, com destaque para os 10% mais pobres, cujo aumento foi de 28,6%. Os 10% mais ricos da população tiveram acréscimo de 3,3% na renda. É o que mostra a Pesquisa Emprego e Desemprego relativa ao mês de janeiro, divulgada na manhã desta terça-feira (23/2) pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em relação aos outros setores, os 25% mais pobres tiveram acréscimo de 8,8% na renda, e aqueles entre 25% e 50% mais pobres, de 2,1%. Olhando para as classes mais abastadas, o aumento ficou em 4,3% para os 25% mais ricos e em 3,8% para a faixa entre os 50% e 25% mais ricos. 

Oito mil brasilienses ficaram desempregados, mas, ainda assim, as taxas de desemprego mantiveram estabilidade, já que, em termos relativos, o quantitativo representa 0,1% da taxa observada em dezembro, de 18%. O número de desocupados permanece em 291 mil pessoas no Distrito Federal.

Setores

No período, as variações na taxa de desocupação foram diferentes a depender da cidade. A taxa de desemprego aumentou 0,9% entre as regiões de média-alta renda, que engloba Águas Claras, Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho 2, Taguatinga e Vicente Pires.

Nas regiões de média-baixa renda — caso de Brazlândia, Ceilândia, Planaltina, Riacho Fundo, Riacho Fundo II, SIA, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião — houve redução de 0,7% na quantidade de pessoas desocupadas. O mesmo decréscimo foi observado entre as regiões de baixa renda — Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas, SCIA/Estrutural e Varjão.

Durante a apresentação, Lúcia Garcia, economista do Dieese e técnica responsável pela pesquisa, afirmou que o cenário de constância é considerado normal em início de ano. “Mesmo estando em crise, no geral, costumamos iniciar o ano com as ocupações crescendo pouco ou em estabilidade, mas não em descendência. Essa preocupação, no entanto, vai nos acompanhar pelos próximos meses”, ressaltou a economista.

Dentre os grupos de atividade, a construção foi o que apresentou maior variação negativa, de 4,2%, seguida pelo grupo de serviços, com menos 2,5% de pessoas ocupadas. Em terceiro lugar na lista de diminuição está a indústria de transformação, com variação negativa da taxa de ocupação de 2,2%.

Thiago Mendes Rosa, da Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (Dieps) da Codeplan, avaliou que apesar dos resultados em estabilidade, a expectativa é otimista. “Com a ampliação da vacinação, o enfrentamento da crise vai ser maior e a retomada da atividade econômica será acelerada, restabelecendo, consequentemente, os empregos”, ponderou.

Clarisse Schlabitz, diretora da Dieps, aponta que o setor de serviços está com níveis de ocupação estáveis. “Estamos paralisados, dado que o mercado de trabalho do DF é extremamente formalizado, em comparação às outras entidades da Federação, com estabilidade muito grande no serviço público, a qual permitiu que a massa de consumo se mantivesse constante durante a crise. Ainda estamos, porém, em processo abaixo do que poderíamos estar”, refletiu a diretora.

Gênero e raça

Em relação a atributos pessoais como gênero e raça, a taxa de desemprego permaneceu estável entre os homens e cresceu pouco — 0,2% — entre as mulheres, com leve diminuição, de 0,4%, para os negros. Na população inativa, as mulheres representam 64,7% e a população negra, 58,1%. Os aposentados são 33,9% das pessoas inativas no DF.

No entanto, para Lúcia Garcia, apesar de o desemprego ter crescido em todos os segmentos, aqueles em que a taxa de desemprego é estruturalmente maior, todo acréscimo surte maior agravamento. “As mulheres e a população negra não só sofrem mais com o desemprego mas são extremamente abrangentes e significativas na sociedade. A proporção dessas populações na força de trabalho é elevada. Iniciativas de combate ao desemprego precisam ter olhar de gênero e racial ao desenhar políticas públicas, com risco de não ter o sucesso esperado”, destacou a economista.

Ações

A prorrogação do Programa de Incentivo à Regularização Fiscal do Distrito Federal (Refis-DF 2020), aprovada na última sexta, e o investimento nas áreas de desenvolvimento, como o Polo JK, são algumas das medidas que o Governo do Distrito Federal (GDF) dará prioridade no segundo semestre para aquecer a economia, além do Comitê de Atração de Investimentos, encabeçado pela Secretaria de Economia e composto por diversas áreas da estrutura do Executivo local.

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