PANDEMIA

DF Legal e PM promovem caçada às festas clandestinas no fim de semana

Polícia Militar e DF Legal vão intensificar ainda mais ações de combate a aglomerações nas regiões administrativas do DF. A Secretaria de Saúde registrou 34 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. O Hran voltou a ficar próximo da bandeira vermelha

Luana Patriolino
postado em 13/03/2021 06:00
 (crédito: Lúcio Bernardo Jr. /Agencia Brasília)
(crédito: Lúcio Bernardo Jr. /Agencia Brasília)

A Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) e a Polícia Militar vão intensificar a fiscalização contra festas clandestinas e aglomerações no Distrito Federal neste fim de semana, o primeiro desde o decreto que instituiu toque de recolher das 22h às 5h.

Em entrevista coletiva, ontem, o comandante-chefe da PMDF, Julian Rocha Pontes, informou que a fiscalização será ampliada. “Vamos reforçar o patrulhamento em todas as cidades do Distrito Federal. Teremos uma força dedicada única e exclusivamente contra as festas clandestinas. A intenção da Polícia Militar é orientar e sempre ficar ao lado da população. Mas, infelizmente, para as pessoas que não entenderam esse recado, adotaremos as medidas necessárias para o cumprimento integral do decreto”, disse.

Também estiveram presentes na coletiva o secretário-chefe da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, o secretário-adjunto de assistência à Saúde, Petrus Sanchez, e o secretário do DF Legal, Cristiano Mangueira. “Não titubearemos em aplicar a totalidade das penalidades descritas no decreto”, afirmou Mangueira.

O secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, afirmou que, até o momento, o governo não tem a intenção de decretar lockdown geral. “A análise do cenário é feita diariamente, constantemente, várias vezes durante o dia, e o governador toma decisões à luz desses dados que são passados”, enfatizou.

No entanto, as ações podem mudar dependendo do comportamento da covid-19 na capital. “No cenário atual, não há intenção de fazer fechamento, como foi divulgado ontem, isso não procede. Mas essa análise é constante e se o cenário não retroceder, ele (Ibaneis) pode tomar outras medidas mais adiante”, disse.

Saúde em colapso

O Distrito Federal registrou, ontem, mais 34 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Dessas, 31 eram moradoras do DF e três vieram de Goiás para serem atendidas em Brasília. Com 1.565 novos infectados, a média móvel de casos ficou em 1.548, o que representa um aumento de 62,17% em relação aos últimos 14 dias. No caso do índice de óbitos, em 21,28, a alta é de 84% para o mesmo período.

Na noite desta sexta, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava em 86,16% para adultos com covid-19 nos hospitais da rede pública. O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) voltou a ficar próximo da bandeira vermelha, com 86,54% de ocupação.

Segundo a última atualização do painel InfoSaúde, oito hospitais estão com 100% de lotação das UTIs. São eles: Hospital de Campanha de Ceilândia, Hospital de Campanha da Polícia Militar, Hospital Regional do Gama (HRG), Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Região Leste (HRL), Daher, São Francisco, Home e Hospital Universitário de Brasília (HUB).

O Distrito Federal também registrou 45 casos confirmados de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Um deles morreu. A Secretaria de Saúde do DF notificou 80 ocorrências suspeitas. Desse total, 67 são residentes na capital federal.

De acordo com a pasta, a doença tem acometido crianças e adolescentes desde o começo da pandemia. A Saúde afirma que a síndrome está “possivelmente” associada à covid-19. A maioria dos casos ocorreu entre a faixa etária de 5 a 9 anos, com 14 confirmações. Em seguida, com 13 casos, são pacientes com 10 a 14 anos. Doze casos ocorreram em crianças de 1 a 4 anos, cinco casos em menores de 1 ano e um caso na faixa etária de 15 a 19 anos.

A infectologista Magali Meirelles afirma que o momento é extremamente crítico, no que diz respeito à saturação das UTIs e emergências. “Há pessoas perecendo na espera de uma vaga. Os hospitais estão lotados, e os profissionais de saúde testemunham um cenário caótico. As pessoas precisam estar alertas e conscientes de que essa tragédia é real”, desabafa.

De acordo com a especialista, o colapso do sistema de saúde exige do governo e da sociedade uma ação conjunta para reduzir a disseminação da doença. “É necessário reduzir a circulação de pessoas, evitar aglomerações, fazer com que a taxa de transmissão caia a níveis seguros, para desafogar a rede de atendimento (tanto pública quanto privada)”, conclui.

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