CORONAVÍRUS

Com agravo da crise, restrições no DF continuam, ao menos, até 29 de março

Com taxa de transmissão de 1,01 no DF, governador Ibaneis Rocha (MDB) prorroga decreto que fecha comércio até o dia 28 e mantém toque de recolher. Ao Correio, chefe do Executivo local afirmou que não faltam insumos na rede pública e pede ajuda da sociedade

Samara Schwingel
postado em 20/03/2021 06:00
Movimentação de médicos e enfermeiros na porta do Hospital Regional da Asa Norte (Hran): UTIs ocupadas e risco de colapso na rede de saúde -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press )
Movimentação de médicos e enfermeiros na porta do Hospital Regional da Asa Norte (Hran): UTIs ocupadas e risco de colapso na rede de saúde - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press )

Após três dias com a taxa de transmissão da covid-19 abaixo de 1, o Distrito Federal registrou nova alta do índice, que chegou a 1,01. Com o aumento do indicador, 98% de ocupação dos leitos públicos em unidades de terapia intensiva (UTIs) e uma fila de espera com 230 pessoas, o governador Ibaneis Rocha (MDB) optou por prorrogar a validade das medidas restritivas. O toque de recolher e o fechamento de atividades consideradas não essenciais, que teriam fim na segunda-feira (22/3), passam a valer até o próximo dia 28.

Apesar da decisão de prorrogar as medidas restritivas, o governador deve liberar, a partir de 29 de março, algumas atividades. Segundo o novo decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial do DF de sexta-feira (19/3), o horário geral de funcionamento do comércio será das 11h às 20h. Porém, para evitar a circulação de muitas pessoas em um mesmo horário, o decreto traz exceções.

Shoppings centers e centros comerciais funcionarão das 13h às 21h. O grupo de salões de beleza, barbearias, esmalterias e centros de estética, das 10h às 19h. Bares e restaurantes, das 11h às 19h. Academias de esporte, das 6h às 21h, mantendo o protocolo existente. Clubes recreativos, das 6h às 21h; agências de viagens, operadores turísticos e serviços de reservas e atividades de organizações associativas, escritórios e profissionais autônomos de contabilidade, engenharia, arquitetura e imobiliárias, das 10h às 19h.

As atividades coletivas de cinema e teatro poderão abrir sem restrição de horário, mas deverão limitar a lotação em 50% da capacidade. Eventos em estacionamentos e drive-in não terão restrição de horário, e competições esportivas profissionais seguem proibidas de terem público ou treinamentos. As demais atividades deverão funcionar conforme o alvará. Os estabelecimentos que funcionavam sem restrições de horários, como supermercados e farmácias, seguem autorizados, sem mudanças.

Apesar da expectativa, na tarde dessa sexta-feira (19/3), no Palácio do Buriti, durante coletiva, o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, pediu colaboração da população. “Se as pessoas continuarem não observando as regras, haverá um aumento dessas taxas e a consequência vai ser que o governador decidirá pela não abertura das atividades na semana seguinte”, disse. Ele reforçou que a flexibilização não vai interferir no toque de recolher das 22h às 5h, em vigor desde 8 de março. “Os dados demonstram que ter evitado aglomerações e festas clandestinas resultou em uma diminuição dos casos. Por isso, mesmo com certa flexibilização, o toque de recolher continuará”, completou.

Taxa de transmissão

Segundo o secretário de Saúde Osnei Okumoto, o ideal é que a taxa de transmissão do coronavírus esteja abaixo de 1. “Por três dias consecutivos tivemos o índice de 0,99. A gente necessita da compreensão de todos para que o decreto tenha efeito”, afirmou, durante a coletiva de ontem. Segundo a secretaria, a taxa, que chegou a 1,38 e caiu para 1,12 apenas cinco dias depois da restrição de atividades no DF.

Para o professor de epidemiologia da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Sanchez, a decisão do GDF foi acertada. “Não estamos, ainda, em uma posição confortável no sistema de saúde em relação ao número de leitos e a vacinação não atingiu uma cobertura alta. Não era o momento para realizar uma flexibilização”, comentou. O especialista afirma que a economia não pode ser deixada de lado, mas que, neste momento, a saúde é mais importante. “Sem tirar a importância das atividades econômicas, mas, em um momento crítico, é preciso ter medidas duras. Infelizmente, ainda é necessário ter medidas restritivas”, considerou.

Na sexta-feira (19/3), por volta das 16h, de acordo com o portal InfoSaúde da Secretaria de Saúde, a ocupação de leitos públicos de UTI adultos para o tratamento da covid-19 chegou a 98,92%. O Hospital Regional da Asa Norte (Hran), referência para o tratamento da doença, atingiu 100% de ocupação dos leitos adultos. No mesmo período, havia 230 pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pelo novo coronavírus aguardando por um leito. “A ampliação de leitos é importante, mas, para se pensar em uma reabertura, é preciso que haja leitos disponíveis, que a vacinação esteja avançando bem e que a taxa de transmissão esteja baixa”, disse Sanchez.

Fiscalização

Além das restrições de horário, também continuará proibida a venda de bebidas alcoólicas após as 20h. O descumprimento das medidas pode resultar em multa de até R$ 20 mil, de acordo com a gravidade da situação constatada pela fiscalização e os valores podem se acumular. No caso de aglomerações, poderá ser aplicada multa individual de até R$ 1 mil em cada uma das pessoas participantes do evento ou da reunião e de R$ 4 mil para o estabelecimento.

A fiscalização das normas continuará sendo exercida por uma força tarefa, sob coordenação da Secretaria de Segurança Pública e com apoio da Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal); Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (Divisa/SES); Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob); Corpo de Bombeiros; Polícia Militar e Civil; Instituto de Defesa do Consumidor (Procon); Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran); Brasília Ambiental; Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri); Departamento de Estradas de Rodagens; e Diretoria de Fiscalização Tributária da Secretaria de Estado de Economia.

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