CORONAVÍRUS

Relatos de sequelas são frequentes entre recuperados da covid-19 no DF

Diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal calcula que entre 10% e 33% das pessoas infectadas podem desenvolver sequelas. Sintomas remanescentes após quadro viral são desafio para a saúde

Samara Schwingel
postado em 31/03/2021 06:00
Regina descobriu uma trombose venosa cerebral após a covid-19 e teve de ficar na UTI -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Regina descobriu uma trombose venosa cerebral após a covid-19 e teve de ficar na UTI - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Dos mais de 343 mil infectados pela covid-19 no Distrito Federal, 321 mil são considerados “recuperados”, segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF). Entretanto, esse processo, em muitos casos, é acompanhado por sequelas. Regina Josino, 49 anos, teve uma trombose venosa cerebral após enfrentar o ciclo de infecção do novo coronavírus. A dentista recebeu o diagnóstico da doença em julho. “Fiquei 14 dias em casa. Uma semana depois, procurei um médico, que pediu um exame para ver a coagulação do meu sangue”, relata.

O resultado mostrou uma alteração preocupante, segundo Regina. “Eu sentia muita dor de cabeça. Precisei fazer uma ressonância, e identificaram a trombose cerebral”, conta. Com o resultado, ela precisou ficar mais duas semanas em uma unidade de terapia intensiva (UTI). “Depois disso, acompanhei o caso com um neurologista tomando um anticoagulante mais potente durante sete meses”, relata.

Para o diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaéz, entre 10% e 33% das pessoas que tiveram a covid-19 podem desenvolver sequelas após a recuperação da doença. Além disso, pacientes que precisaram de intubação podem ter problemas mais sérios relacionados, segundo o especialista, principalmente em relação à perda de força muscular ou a problemas pulmonares. “Seria necessário ter uma linha de cuidado bem definida para essas pessoas. Porém, não é o que temos”, observa José David.

O médico Werciley Saraiva Júnior, 37, foi diagnosticado com covid-19 em maio. Depois de passar 15 dias intubado em um hospital da rede particular, recebeu alta. Contudo, passou um período sem forças para fazer atividades básicas do cotidiano. “Nos primeiros dias (após sair do hospital), precisava de ajuda para me levantar, tomar banho e para quase tudo, pois não tinha forças nas pernas ou nos braços”, recorda-se. Pensamento lento e perda de peso também estiveram entre os sintomas. “Precisei fazer fisioterapia e acompanhamento nutricional, para retomar as atividades normais da rotina. Demorou, mas consegui curar grande parte dos sintomas pós-covid”, conta.

O servidor público André Sena, 39, passou a lidar com a perda de memória recente, depois de contrair a covid-19, em julho. “Isso passou a me preocupar demais. Tive de recorrer a aplicativos e ao ioga para me organizar e evitar mais perdas de memória”, conta. No meio deste ano, o morador da Asa Sul terá de repetir uma série de exames, para verificar como está a evolução da sequela. “Mas a atual situação da rede de saúde me preocupa. Dá medo ir a hospitais ou clínicas. Espero que, até julho, o cenário esteja melhor”, diz.

A Secretaria de Saúde informou que tem feito um estudo de viabilidade para criação de um Centro de Reabilitação de sequelados vítimas da covid-19. Além disso, a Rede Sarah criou um programa para atender pessoas com quadros decorrentes da covid-19. Qualquer pessoa pode solicitar atendimento, pelo site www.sarah.br. Uma equipe técnica avaliará cada caso, antes de selecionar os pacientes. Não há limite de vagas, e o tempo de espera é de, no máximo, 20 dias. Até terça-feira (30/3), cerca de 200 pessoas haviam buscado atendimento. 

343.111

Casos confirmados

5.912

Mortes

1.565,4

Média móvel de casos

58,4

Média móvel de mortes

 

Colaborou José Carlos Vieira

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