Eixo capital

Ana Maria Campos
postado em 03/04/2021 22:17
 (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press - 5/6/19)
(crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press - 5/6/19)

Deputados desistem da vacina

Dois senhores de 66 anos reclamaram, ontem, da longa fila para vacinação contra covid-19. O deputado distrital Chico Vigilante (PT) e o ex-diretor-geral da Polícia Civil Laerte Bessa (PL), que assume amanhã o mandato de deputado federal, desistiram de esperar pela primeira dose. Bessa foi bem cedo em Águas Claras, mas a fila de carros no drive-thru tinha milhares de veículos. Desistiu. “É um desrespeito”, disse. Vigilante também se recusou a esperar sua vez. “Só vou me vacinar quando o governo disponibilizar vacinas suficientes e a organização necessária”, reclama o petista.


Afinado

Partiu do agora ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, a ideia de incluir policiais federais e rodoviários entre as prioridades para vacinação contra a covid-19. Delegado da PF, Anderson chega bem no governo federal, afinado com sua própria categoria.


Aposta

O upgrade da deputada Flávia Arruda (PL-DF) carrega uma incerteza. É uma aposta que depende do sucesso do governo do presidente Jair Bolsonaro. O fracasso prejudica a trajetória de crescimento de Flávia, já cotada para uma candidatura ao Senado ou a vice.


A pergunta que não quer calar….

Missas e cultos podem ser um alento em momento de distanciamento social, crise econômica e muitas mortes, mas não representam um risco de causarem mais tristeza por causarem, em alguns casos, aglomerações?


Mandou bem

Pela 1ª vez, Brasil aplicou 1 milhão de doses em 24 horas. Foi na Quinta-feira da Paixão. Que venham mais milagres.


Mandou mal

As férias do presidente Jair Bolsonaro custaram aos cofres públicos R$ 2,4 milhões, sendo metade com o cartão corporativo.


Enquanto isso... Na sala de Justiça

Começam amanhã e terminam na sexta-feira as inscrições para concorrer à lista tríplice para a disputa ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) na vaga destinada ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O período destinado à campanha eleitoral será de 12 a 28 de abril. A realização da eleição e a divulgação do resultado ocorrerão em 29 de abril. Em 03 de maio, os nomes dos seis mais votados serão encaminhados ao TJDFT, que deverá realizar votação interna e definir uma lista tríplice. Em seguida, a relação será encaminhada para que o presidente Jair Bolsonaro escolha o novo integrante do Tribunal de Justiça do DF.


Contra machismo, Kokay quer que Câmara dos Deputados vire Câmara Federal

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) apresentou um Projeto de Resolução para alterar o nome da Câmara dos Deputados. De acordo com a proposta, a casa legislativa passaria a ser chamada de Câmara Federal. Na opinião da deputada, não tem nenhuma justificativa, a não ser o machismo estrutural, para que em pleno século 21 a Câmara ainda seja conhecida como Câmara dos Deputados, mesmo com as mulheres sendo a maioria da população brasileira e havendo inúmeros compromissos assumidos pelo país internacionalmente com a inclusão da mulher.


Menos idosos na UTI

A Secretaria de Saúde registra queda nas internações de idosos com mais de 75 anos em leitos de UTI por infecção da covid-19. O mês de abril começa com registros de 25 casos contra os 53 registrados no início de março. Segundo técnicos, a redução de casos graves é resultado da vacinação desse grupo prioritário, que se iniciou em fevereiro/março.


Defesa ao avesso

Um projeto do deputado estadual Ivan Naatz, líder do PL na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, tem provocado controvérsia entre mergulhadores do estado. Ele propõe proibir a pesca submarina de garoupa no litoral catarinense. O peixe faz parte da cultura local, mas o que causa risco de extinção é a pesca industrial. A submarina é atividade já regrada, praticada por amadores que escolhem apenas a garoupa que vai ser consumida na mesa de casa. Os peixes ainda são protegidos pelo defeso — que impede a pesca de novembro a fevereiro. Enquanto isso, é comum encontrar a garoupa nos mercados do Rio e Florianópolis, que são tiradas da água por grandes pescadores industriais. Esses, sim, agridem a fauna marinha, inclusive baleias e golfinhos.


Novos horizontes

O novo comandante-geral da PM, Marcio de Vasconcelos, é considerado um oficial equilibrado e do diálogo. É da nova safra de coronéis, formado na 4º turma de oficiais da Academia da PMDF. Significa abrir novos horizontes na corporação.


À QUEIMA-ROUPA

Júlio Danilo Souza Ferreira Secretário de Segurança Pública do DF

Sua gestão representa a continuidade do trabalho do delegado Anderson Torres?
A Secretaria de Segurança Pública do DF possui programas e projetos que vêm sendo desenvolvidos desde 2019, sob a liderança do então secretário, e agora ministro da Justiça, Anderson Torres. Essas ações vêm dando certo e vão continuar. Esse foi um pedido do governador Ibaneis Rocha e vamos cumprir. Porém, dentro da própria dinâmica de gestão de nossas políticas, trabalhamos com metas, monitoramento das ações e avaliação de resultados. Ou seja, a análise do cenário é constante para que sejam feitos ajustes, atualização e aperfeiçoamento de modelos adotados para que os crimes continuem em queda no DF.

O que precisa ser mantido?
Em 2019, antes da pandemia, o DF teve a menor taxa de homicídios em 35 anos. Iniciamos 2020 com o desafio de superar essa marca. O trabalho integrado, as ações de inteligência, a tecnologia e o aperfeiçoamento constante dos processos de gestão nos permitiram fechar o ano com a menor taxa de homicídios dos últimos 41 anos. No primeiro trimestre deste ano, mesmo frente ao recorde do ano passado, os homicídios caíram cerca de 30%. Isto significa que estamos no caminho certo.

Qual foi a principal realização desses dois anos de gestão com Anderson Torres à frente?
Foram diversas conquistas. Posso destacar aqui as reduções históricas dos homicídios e dos crimes contra o patrimônio, que impactam diretamente na sensação de segurança e na qualidade de vida da população. A priorização ao enfrentamento de todo tipo de violência contra a mulher, que colocou o Distrito Federal em destaque no cenário nacional com redução de quase 50% de feminicídios. Acredito que a grande realização nesses dois anos de gestão, que foram essenciais para que alcançássemos nossas metas, foi a criação de mecanismos para fortalecimento do trabalho integrado entre as forças de segurança pública. Acho que a marca da gestão do ministro Anderson Torres, como ele mesmo costuma dizer, foi a integração.

O que muda?
Estamos sempre monitorando e avaliando os resultados de nossas políticas de segurança para aperfeiçoá-las, se for o caso. Portanto, a mudança de estratégia e novos direcionamentos já fazem parte do nosso processo de gestão. Este ano vamos dar continuidade aos projetos de regionalização da segurança pública. O objetivo é atuar de forma precisa em cada Região Administrativa do DF, levando-se em consideração a realidade de cada local. Para isso, vamos estudar e entender de perto as necessidades da população e dos profissionais de segurança pública que estão na linha de frente nas cidades.

Haverá uma parceria maior entre a Secretaria de Segurança Pública do DF e o Ministério da Justiça e Segurança Pública pela proximidade entre os titulares?
Com certeza. Somos amigos, estudamos e trabalhamos juntos na Polícia Federal. Ter um ministro que nasceu aqui, que foi secretário de Segurança Pública, que conhece a realidade do Distrito Federal, será com certeza muito positivo para a população do DF. Teremos sempre um canal aberto com o governo federal não apenas para possível captação de recursos, mas para troca de experiências com outras unidades da federação e também para apoio em projetos do ministério.

O líder do PCC Marcos Camacho, o Marcola, deve ser transferido da Penitenciária Federal de Brasília?
Como delegado da Polícia Federal, tendo atuado no enfrentamento ao crime organizado em várias regiões do país, entendo os riscos e a problemática de um presídio federal no DF, pois temos aqui a sede dos três Poderes, embaixadas e outros órgãos estratégicos para o país. Mas essa é uma pauta a ser tratada pelo novo ministro da justiça junto aos setores envolvidos no âmbito Federal.

E a vacinação das forças de segurança? Por que houve atraso?
Não teve atraso. Vacinar as forças de segurança sempre foi um compromisso do governador. No fim do ano passado, houve uma série de tratativas de nossa parte para que os profissionais de segurança pública fossem incluídos nos grupos prioritários de vacinação. E conseguimos. Porém, com a nova realidade da pandemia, tivemos que antecipar. O plano de imunização desses profissionais está pronto e já foi entregue à Secretaria de Saúde (SES). As vacinas estão reservadas e, a partir dessa segunda (5), os profissionais começam a ser vacinados, com a supervisão da SES, por meio das unidades médicas das próprias corporações.

Qual é o grande desafio da segurança pública para os próximos dois anos?
Temos um planejamento consistente para atuação nos próximos dois anos, por meio do Programa DF Mais Seguro. Nosso desafio é implementar o programa na totalidade de suas ações e continuar nos aperfeiçoando e nos adaptando, mesmo diante do cenário social de instabilidade provocado pela pandemia. Temos metas a serem cumpridas. Nossa prioridade, sempre, é preservar vidas. Por isso, daremos continuidade às ações para redução de homicídios — que rendeu ao DF reconhecimento nacional no último ano, proteção à mulher e impedir que roubos e furtos influenciem na sensação de segurança e na qualidade de vida da população.

Como a pandemia afeta esses desafios?
A segurança pública não parou sequer um minuto durante a pandemia. Tivemos que trabalhar dentro de outra dinâmica para lidar com situações que nunca tivemos antes, como o toque de recolher, por exemplo. A instabilidade social e econômica provocada pela pandemia impacta diretamente na segurança pública. Trabalhar nesse cenário incerto tem sido um desafio constante, mas ao mesmo tempo nos permitiu melhorar os processos operacionais e de gestão. Tenho certeza que a segurança pública sairá fortalecida quando tudo isso passar.

Acha certo que oficiais da PM recebam a primeira dose antes da tropa que de fato corre riscos?
No fim da semana passada, reunimos representantes das forças de segurança e da Secretaria de Saúde para estabelecer um plano de vacinação dentro da realidade de cada corporação, respeitando os critérios de idade e maior exposição ao risco de contágio e transmissão. Acredito que independente de cargo, posto ou patente, esses sejam os critérios mais justos a serem seguidos.

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