Entrevista

Vacinas: secretário defende critérios objetivos para forças de segurança do DF

Novo chefe da Secretaria de Segurança Pública defende maior integração entre as polícias Civil e Militar. Ele também ressalta a importância da imunização desses servidores, que estão na linha de frente — assim como os da saúde — desde o início da pandemia

Edis Henrique Peres
postado em 06/04/2021 06:00
Júlio Danilo assumiu a pasta recentemente, no lugar de Anderson Torres, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Júlio Danilo assumiu a pasta recentemente, no lugar de Anderson Torres, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A vacinação do grupo das forças de segurança pública começou, nessa segunda-feira (6/4), com 2.310 doses disponíveis para aplicação. Segundo Júlio Danilo, o novo secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), a iniciativa é primordial, pois, desde o começo da pandemia, os agentes atuam na proteção dos brasilienses e também na linha de frente contra o novo coronavírus. Júlio foi o entrevistado de segunda-feira (6/4) do CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília. Ele assumiu a pasta depois de Anderson Torres ser nomeado como ministro da Justiça e da Segurança Pública, em 29 de março. O novo secretário disse ao jornalista Alexandre de Paula que a intenção é dar continuidade ao trabalho realizado por Anderson e aprimorar ações que não estão funcionando.

Como foi decidida a priorização entre os servidores e como será a vacinação do grupo das forças de segurança?
Nessa primeira etapa foram disponibilizadas 2.310 doses de vacina. Houve uma construção tanto da SSP-DF como da Secretaria de Saúde (SES-DF), da Casa Civil do DF e das forças distritais e federais. Foi obedecida a nota técnica do Ministério da Saúde, que trata que essas doses devem ser direcionadas a profissionais que estão engajados nas ações de combate à covid-19. Seja no transporte dessas doses, na vigilância das doses ou nas ações de preservação das medidas de segurança de afastamento. Durante o último fim de semana, fizemos algumas reuniões em videoconferência com os representantes de todas essas forças, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário, Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF), além de PM, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Detran (Departamento de Trânsito do Distrito Federal). A partir daí, distribuímos essas doses de acordo com o efetivo de cada força, proporcionalmente.

Em um momento como este, as pessoas estão com expectativa muito alta em relação à vacinação e questionam algumas prioridades. No caso das forças de segurança, por que elas devem ser vacinadas?
O direcionamento que nós temos é dado pelo Ministério da Saúde, no qual o maior critério é a idade. Começamos por aqueles que estão mais expostos, mas vale lembrar que as forças de segurança, durante a pandemia, não pararam nenhum momento. Desde o início da covid-19, diversas classes profissionais tiveram a possibilidade de se afastar, de permanecer em teletrabalho e desenvolver as suas atividades de outra forma, enquanto as forças de segurança e o pessoal de saúde estiveram todo o tempo na linha de frente, seja nas próprias ações de policiamento, nas ações de apoio ao combate do novo coronavírus. É justo e necessário que essa imunização começasse agora.

O senhor entrou e pegou um problema de cara, que foi a vacinação do então comandante-geral da PMDF, Julian Rocha Pontes, o que gerou repercussão muito forte. O que fazer agora para que isso não se repita?
O Pontes fez um trabalho exemplar à frente da PM e tem a admiração dos policias militares e o nosso respeito. O que acontece é que sua ação aconteceu, talvez, em um momento inoportuno. Até porque as regras não impediam que fosse feita a sua vacinação, pois a SES-DF veio incluir as forças de segurança na vacinação e viabilizou essa possibilidade de as doses remanescentes serem aplicadas na força de segurança. O que estamos fazendo agora, e fizemos ao longo deste fim de semana, é criar critérios mais objetivos para a vacinação e fazer com que toda a força de segurança tenha acesso a essas doses.

A expectativa é de vacinar esse público até quando? Qual o número total de pessoas que precisam ser imunizadas?
É importante destacar que há um esforço do Governo do Distrito Federal (GDF) tentando viabilizar a aquisição de doses, mas não temos vacinas vendidas ou viabilizadas diretamente ao GDF. As doses que temos são oriundas do Ministério da Saúde, e a gente obedece a critérios (do ministério). Se fôssemos englobar forças de segurança distritais e federais, teríamos em torno de 31 mil pessoas precisando ser vacinadas. Contudo, não podemos esquecer que outros profissionais estão na linha de frente, como os agentes de fiscalização. Há um esforço do GDF para, na próxima fase, incluirmos esse grupo também. Temos alguns policiais que trabalham na parte operacional, mas eles precisam estar prontos para quando forem empregados em atuações em campo.

Como funcionou a proteção desses agentes durante todo esse período e como fazer para que eles estejam mais seguros na rua?
Foi um processo de adaptação, não foi fácil. Quando a pandemia começou, ninguém conhecia o vírus. Buscamos um meio de proteção, seja pelo uso de máscaras e luvas como a desinfecção das viaturas e ambientes. Mas, querendo ou não, os policiais ficam expostos, primeiro porque os agentes de segurança trabalham em equipe e têm necessidade de conviver próximo um do outro, além de estarem o tempo todo lidando com a população. Mas há a responsabilidade de disponibilizar testes de covid-19, equipamentos de proteção individual (EPI), além de máscaras e álcool em gel.

Existe, por muito tempo, um estigma relacionado à saúde mental (das forças de segurança) e uma tendência a jogar isso para debaixo do tapete. Como fazer um trabalho para que esses policiais entendam que não há problema em procurar ajuda?
É fundamental que os profissionais vejam que não há demérito nenhum em buscar auxílio. E ele deve ser buscado em momento adequado para melhor ocorrer esse tratamento preventivo.

O senhor assumiu no lugar de Anderson Torres, que foi para o Ministério da Justiça. Um dos principais pontos de que ele tratou na secretaria foi a integração entre as forças, pois existia um estresse entre PM e Polícia Civil. Isso continua sendo prioridade? Como será feito agora?
Eu diria que essa é uma das grandes marcas da gestão da Segurança Pública no DF. O Anderson teve um ótimo resultado pela habilidade dele de trazer essa integração e também da ajuda do governador Ibaneis Rocha (MDB), que, a todo tempo, deu autonomia para que a Secretaria de Segurança Pública realmente concentrasse esses esforços na força de segurança. E essa coordenação é muito importante. Cada instituição atua e age dentro da sua área de atribuição e de forma coordenada e integral. Os resultados são visíveis.

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