Comércio

Com as portas abertas, comerciantes ainda temem novo fechamento

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, acatou, na manhã desta sexta-feira (9/4) o pedido do Governo do Distrito Federal (GDF) de manter os comércios abertos no DF

Caroline Cintra
Pedro Marra
postado em 09/04/2021 13:14
Decisão do STJ suspendeu lockdown e comércios podem funcionar no DF -  (crédito: Minervino Júnior/CB/DA Press)
Decisão do STJ suspendeu lockdown e comércios podem funcionar no DF - (crédito: Minervino Júnior/CB/DA Press)

A suspensão da decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que determinava o lockdown no Distrito Federal, trouxe alívio para os empresários e comerciantes, que podem continuar com as portas abertas, respeitando o decreto de horário reduzido. A medida, no entanto, ainda gera insegurança para o setor, que teme novas mudanças nos próximos dias.

Na manhã desta sexta-feira (9/4), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, acatou o pedido do Governo do Distrito Federal (GDF) de manter os comércios abertos. O ministro entendeu que não cabe ao Judiciário decidir sobre as medidas tomadas pelo Executivo local no combate à pandemia e no reforço à economia.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF), Edson de Castro, contou que, durante a manhã desta sexta (9/4), muitos comerciantes estavam apreensivos com a decisão da Justiça e, mesmo com as portas abertas, as lojas estavam vazias. “Quando se fala em lockdown, todo mundo fica apreensivo e as pessoas não saem de casa, não compram. É como se tivesse matado parte da manhã”, disse.

Para ele, mesmo que a decisão seja favorável ao setor, os comerciantes estão preocupados e temem novas mudanças nos próximos dias. “A preocupação maior é em relação ao pagamento de impostos, de contas. Ano passado, usaram as reservas e tiveram que gastar. Quando tiveram a oportunidade de recuperar, veio o lockdown novamente e agora isso. Tudo isso está causando um desemprego grande”, afirmou Edson.

O presidente do Sindivarejista destacou ainda que os empresários têm sentido medo de comprar novas mercadorias. “Não sabem se vão continuar abertos. Se comprar mercadoria, tem que vender. Agora, o problema maior é a incerteza”, completou.

Protocolos

Para o presidente do Instituto Fecomércio no DF, José Aparecido da Costa Freire, é importante ressaltar que os comércios estão cumprindo os protocolos estabelecidos pelo GDF para o funcionamento com horário reduzido, conforme o decreto. “O governo não chegou e falou que podia abrir, apresentou uma série de regras, que estão sendo cumpridas”, afirmou.

A favor do toque de recolher, José Aparecido avalia as decisões do GDF. “Surtiu efeito positivo. Quando ocorreu o decreto, a taxa de transmissão estava em 1,38. Agora, chegou a 0,83. Com esses números, eu sou a favor do toque de recolher, mas contra o fechamento dos comércios. Parabenizo o GDF pelo ato rápido, gerando uma segurança jurídica para que os mercados funcionem como está determinado, com horário reduzido”.


Portas abertas

A reportagem percorreu o comércio do Guará 1 para saber como estava o clima após a suspensão do lockdown no DF por parte do STJ. Uma das lojistas, Domingas Silva Lima, 36 anos, gerente da loja Minamiss, criticou o clima de indecisão com o funcionamento do setor.

"Estou há dois anos como funcionária aqui e posso dizer que essa incerteza sobre como a gente trabalha gera muita insegurança porque a gente nem pode fazer promoção direito, porque, às vezes, não sabemos quando podemos receber as pessoas. A conta de luz e o aluguel estão atrasados em dois meses, além de  negociarmos frequentemente o valor com fornecedores. Tivemos que mandar duas pessoas embora nesta pandemia, em julho de 2020 e em janeiro deste ano", conta a comerciante.

Domingas cita a dificuldade para vender as roupas porque os clientes ficam indecisos sobre se podem ou não  entrar na loja. "A gente está mexendo com venda on-line, porém está devagar nas compras. É uma coisa que estamos iniciando agora no início do ano. Se a gente tivesse trabalhado com isso há muito tempo, segurava boa parte do prejuízo. As clientes ainda gostam da experiência de poder visitar a loja e experimentar as roupas", acrescenta.

 

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