Com chegada de doses da Pfizer, DF quer avançar para vacinação de 60 e 61 anos

Ainda não se sabe quantas doses serão encaminhadas à capital federal nem como serão utilizadas, mas há a previsão de que o novo imunizante chegue na quinta-feira. Mesmo que a entrega não ocorra, expectativa é começar a vacinar faixa etária de 60 e 61 anos

Samara Schwingel
postado em 25/04/2021 06:00
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press         )
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press )

Em meio à campanha de vacinação contra a covid-19, o Governo do Distrito Federal espera receber um novo tipo de imunizante. Fontes da Secretaria de Saúde ouvidas pelo Correio afirmam que o Ministério da Saúde indicou que deve entregar uma remessa da vacina Pfizer/BioNTech na próxima quinta-feira. Apesar disso, ainda não se sabe quantas doses serão entregues e qual o público-alvo atendido por elas. De qualquer forma, apenas com a entrega semanal das vacinas CoronaVac e AstraZeneca, fontes da pasta dizem que estão otimistas com a possibilidade de a imunização ser ampliada para pessoas com 60 e 61 anos, última faixa etária de idosos, segundo o Plano Nacional de Imunização.

O governo federal indicou que a expectativa é de que 1 milhão de doses da Pfizer sejam distribuídas pelo país em maio. Devido à composição da vacina, que requer armazenagem em baixíssimas temperaturas para se manter estável — -75ºC, com variação de 15 graus para mais ou para menos — apenas as capitais com câmaras refrigeradas capazes de armazenar corretamente os imunizantes vão receber a primeira remessa.

As vacinas vão, primeiro, para a Central de Distribuição e Logística do Ministério da Saúde, onde ficarão armazenadas em caixas da própria Pfizer, a -80ºC. Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição das doses será feita em caixas com bobinas de gelo, onde as vacinas podem ficar por até 14 dias. Assim que forem colocadas nos pontos de vacinação locais, a aplicação deve ocorrer em até cinco dias.

Segundo a Secretaria de Saúde, o DF conta com um ultracongelador com 570 litros de capacidade e que comporta até 40 mil doses, com temperatura que chega a -80°C. Além disso, a Universidade de Brasília (UnB) colocou à disposição cinco equipamentos semelhantes e o Ministério da Saúde está finalizando processo de aquisição de freezer para os estados; a previsão é de que o DF receba seis.

A Pfizer é uma vacina norte-americana que foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 23 de fevereiro e assinou um contrato com o governo brasileiro em 19 de março (leia Para saber mais).

Vacinação

Apesar da expectativa, o uso da Pfizer no DF depende da indicação do Ministério da Saúde, assim como o uso da próxima remessa das vacinas CoronaVac e AstraZeneca, já em aplicação na capital federal. Mesmo assim, o governo local tem a expectativa de receber doses suficientes para ampliar a campanha de vacinação para pessoas com 60 e 61 anos, faixa etária composta por cerca de 50,5 mil moradores do DF, segundo a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

Enquanto a campanha não é ampliada, idosos com 62 anos ou mais puderam se vacinar contra a covid-19. Ontem, o processo foi mais movimentado durante a manhã, mas, a partir das 12h, o fluxo de carros e de pessoas em alguns pontos de vacinação começou a diminuir. No estacionamento 13 do Parque da Cidade, por volta das 14h, o movimento era tranquilo e sem maiores complicações. José Nelson Soares, 62 anos, mora em Brazlândia e, ontem, foi ao local para receber a primeira dose. “Mesmo depois da vacina não muda nada, sigo me cuidando com máscara, álcool em gel e saindo só para o necessário”, diz o construtor.

Léa Mota, 62, também decidiu se vacinar contra o coronavírus ontem. No drive-thru do Mané Garrincha, a aposentada estava emocionada com o momento. “Nem posso falar que eu choro. Deixei de fazer muita coisa por causa dessa pandemia e mal posso esperar para ser imunizada”, afirma. A moradora da Asa Sul diz que os planos para após a vacinação são simples. “Viver um pouco mais, aproveitar a vida”, completa, com lágrimas nos olhos.

Mesmo com a variedade de vacinas disponíveis, é importante lembrar que a pessoa não pode escolher qual tomar e que a aplicação é feita de acordo com a disponibilidade de cada ponto de vacinação. A campanha continua hoje. São 18 pontos disponíveis, que funcionam das 9h às 17h.

Sputnik V

Além da espera pela Pfizer, o GDF aguarda a decisão da Anvisa sobre o uso da vacina russa Sputnik V. O que é produzido em uma fábrica da União Química no DF e o governador Ibaneis Rocha (MDB) lidera o Consórcio Brasil Central (BrC), grupo que negocia, diretamente com o Fundo Soberano Russo, a compra de 28 milhões de doses da vacina para todo o país. A agência reguladora deve definir amanhã se autoriza ou não o uso do imunizante.

Caso a Anvisa dê o aval necessário, a intenção do GDF é que cerca de 4 milhões de doses da Sputnik V sejam enviadas a cada consorciado. Porém, essa definição também ainda está em discussão junto ao Ministério da Saúde. De qualquer forma, na próxima semana, o contrato da negociação deve chegar a Brasília para ser assinado pelo BrC. Fazem parte do grupo os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Rondônia, além do DF.

*Colaborou José Carlos Vieira

Para saber mais

Conheça a vacina da Pfizer

A vacina que deve chegar ao país nos próximos dias para atender ao DF é produzida pela empresa norte-americana Pfizer em parceria com a farmacêutica BioNTech. Ela é baseada em mRNA, que usa RNA mensageiro sintético, que auxilia o organismo do indivíduo a gerar anticorpos contra o vírus. Apenas um pedaço de material genético é usado em vez de todo o vírus. A ideia é que o mRNA sintético dê as instruções ao organismo para a produção de proteínas encontradas na superfície do vírus. Uma vez produzidas no organismo, essas proteínas (ou antígenos) estimulam a resposta do sistema imune resultando, assim, potencialmente em proteção para o indivíduo que recebeu a vacina. A eficácia de 95% contra a covid-19 e a vacina funciona com esquema de duas doses, num intervalo de 21 dias entre elas.

Fonte: Pfizer

Mais 844 casos de covid-19

O Distrito Federal registrou 844 novos casos e 40 mortes por covid-19 em 24 horas. Com a atualização, divulgada pela Secretaria de Saúde na noite de ontem, a capital federal chegou a 372.563 casos, sendo que 355.451 (95,4%) são pessoas que se recuperaram e 7.534 (2%) morreram. De acordo com o boletim epidemiológico, a taxa de transmissão do vírus está em 0,82, ou seja, cada 100 pessoas infectadas transmitem a doença para mais 82.

Das mortes registradas no último dia, 13 ocorreram ontem, sendo 11 moradores do DF e dois de cidades goianas do Entorno. Do total de mais de 7 mil mortes, 620 de pessoas residentes na capital federal, 538 de Goiás e o restante, de outros 14 estados.

Com os novos dados, a média móvel de casos chegou a 988, número 23,77% menor que o valor registrado há 14 dias. Já a mediana de mortes está em 51,71, equivalente a uma queda de 24% quando comparado com o registrado há duas semanas. Apesar da queda nas médias, as regiões do DF ainda sofrem com a doença. Ceilândia é o local com o maior número de casos e de mortes, com 40.991 e 1.200, respectivamente. Em relação aos casos, em seguida, aparecem Plano Piloto, com 35 mil, e Taguatinga, com 29 mil registros.

Ainda ontem, por volta das 18h, a ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) utilizadas para o tratamento da covid-19 era de 98,26% na rede pública. Dos 470 leitos, apenas oito estavam vagos e nove, bloqueados. Na rede privada, essa taxa era de 93,63%, com 339 unidades com pacientes, 24 livres e 36 bloqueados. Na fila por uma UTI, havia 185 pessoas, sendo 90 com suspeita ou confirmação de infecção pela covid-19.

 

 

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