>> entrevista Romeu Gonzaga Neiva, presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios

Trabalho remoto gerou economia de R$ 25 milhões

Ao CB.Poder, o magistrado adiantou que o TJDFT avalia a realização de concurso público para técnicos a partir do segundo semestre deste ano. Neiva ressaltou que o Judiciário é a favor da reforma administrativa que tramita na Câmara dos Deputados

» Jéssica Moura
postado em 03/05/2021 21:24

Romeu Gonzaga Neiva, presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) defendeu a realização de uma reforma administrativa no serviço público, mas afirmou que a categoria dos magistrados não pode ser o “bode expiatório” das mudanças na Constituição. Em entrevista à jornalista Denise Rothenburg, no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense com a TV Brasília, Neiva disse que o Tribunal estuda a realização de concurso público para a carreira de técnicos e magistrados.
O magistrado ressaltou que a pandemia da covid-19 acelerou a migração para a Justiça 100% on-line, que é um dos objetivos do planejamento estratégico da Corte. Segundo Neiva, os ganhos de produtividade e contenção de gastos com a mudança para o teletrabalho foram surpreendentes. “Quando nós fechamos, agora, chegamos a uma economia de R$ 25 milhões com a adoção do teletrabalho”, detalhou, ontem.

Em relação à reforma administrativa na Câmara dos Deputados, como o Tribunal avalia?
O Judiciário não é contra a reforma. O Judiciário sabe, entende e dá a sua contribuição, e estamos preparados para isso. A única coisa que a gente fica sem querer que aconteça é que, para usar uma expressão popular, que algumas categorias não sejam tomadas como bode expiatório, mas acho que a reforma administrativa vem em boa hora para nós.

Vai ter concurso (para o TJDFT)?
Nossa ideia é viabilizar um concurso no segundo semestre. Há conversas de a gente tentar fazer concurso para magistrado também. Infelizmente, tivemos perdas, até pela covid-19, de colegas, perdas por aposentadoria, tanto no primeiro grau quanto no segundo grau, mas esse é um estudo paralelo. Para técnicos, é nosso propósito, no segundo semestre, dar os primeiros passos para concretizar esse concurso, senão neste ano, pelo menos no início do ano que vem.

Tem alguma previsão para a volta das sessões presenciais? No plano estratégico de 2021 a 2026, está escrito a implantação do juízo 100% digital. Como isso vai funcionar?
Quando nós fechamos, agora, chegamos a uma economia de
R$ 25 milhões com a adoção do teletrabalho. Veja você que, fazendo uma brincadeira, transformamos um limão em uma limonada. Aquilo que, inicialmente, nos primeiros dias, causou uma sensação de medo de como nós iríamos fazer, ao final, hoje, a maioria dos servidores e dos magistrados não querem mais retornar unicamente ao sistema presencial.

Esse sistema veio para ficar?
O foco da nossa administração é encerrar o nosso biênio transferindo a administração do Tribunal para os colegas que assumirem com um grande caminho andado em direção à Justiça 100% virtual.

Como a pessoa que não tem o computador em casa pode fazer para ter seu direito assegurado de acesso à Justiça?
Por exemplo, permitimos o ingresso nos fóruns nas satélites, no Plano Piloto, nas delegacias, quando necessário, para que as partes participem de audiências virtuais. Faz parte do planejamento da administração a construção de salas passivas de multiuso. Qualquer cidadão que tenha necessidade de fazer contato em qualquer sentido com a Justiça de um modo geral, ele vai se dirigir a um dos nossos prédios e fóruns e terá acesso.

Como está o Provid, o programa de policiamento preventivo contra violência doméstica?
Como o Tribunal está tratando essa questão? Foi muito demandado na pandemia?
Há um entrosamento muito grande dos órgãos, principalmente do Tribunal com o GDF (Governo do Distrito Federal), para que essa demanda seja plenamente atendida, para que ninguém fique para trás. Houve um aumento, mas as denúncias, hoje, podem ser feitas, inclusive, por meios eletrônicos.

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