Quatro perguntas / Márcia Abrahão Moura, Reitora da UnB

postado em 17/05/2021 06:00 / atualizado em 17/05/2021 14:08
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Confira as perguntas feitas à reitora da UnB, Márcia Abrahão Moura:

Quais os desafios de gestão de uma universidade do porte da UnB com sucessivos cortes no orçamento?

Temos atuado para ter eficiência nos gastos. Desde que assumimos, no final de 2016, a gente teve que fazer ajustes no contrato. Tivemos 45% de queda no orçamento. Chamamos a comunidade, fizemos audiências públicas e mostramos a situação. Tivemos que fazer readequações de contrato e exigir algumas coisas. A partir daí, temos focado em usar o recurso para atividades da universidade, que são ensino, pesquisa e inovação. Onde pode reduzir e que não prejudique a atividade da universidade, como a assistência estudantil e a bolsa dos estudantes, a gente mexeu. Refizemos alguns contratos e estamos trabalhando dessa forma.

Quais estratégias a administração tem adotado para reduzir os impactados?

Esse orçamento de 2021 da UnB que está com redução de cerca de 7%, temos apoio do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) para dar bolsas para estudantes carentes, que teve uma redução de 8,2%. São vários desafios, é exatamente manter esses estudantes de vulnerabilidade socioeconômica, e que não têm condições de ficar estudando o dia inteiro sem apoio governamental. Agora, com a pandemia, com o aumento do desemprego e a crise econômica, a UnB precisaria de aumento de recursos para atender esses estudantes. Por isso que demos R$ 1,5 mil a alunos carentes para comprarem computadores e equipamentos eletrônicos. Sem investimento, a tendência é eles não permanecerem na faculdade.

Na pandemia, a UnB tem investido em diversas pesquisas no combate à pandemia da covid-19. De que forma essa redução dos investimentos afeta a prestação de serviço da universidade ao DF?

Uma coisa importante é que os recursos para pesquisa no Brasil são fundamentalmente das agências de fomento. Com o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), fizemos uma luta no Congresso Nacional para que vire um apoio financeiro e não contingenciado. A pesquisa no Brasil se faz com esses recursos, porque dependendo do tipo, precisa de equipamentos de altíssimo valor, e as universidades não conseguem fazer o financiamento dessas pesquisas. Temos feito o orçamento de bolsas. Temos quase 200 projetos na parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP), em que disponibilizaram R$ 30 milhões para pesquisa. E eles também tiveram redução. A gente tem qualidade. Nossos ex-alunos estão no Brasil e no mundo todo. E continuamos trabalhando na pesquisa clínica da CoronaVac, por exemplo, mostrando toda a nossa qualidade com o Hospital Universitário de Brasília (HUB), fazendo pesquisas e testagens. Essa redução é muito preocupante para o futuro do país.

Até quando a universidade tem fôlego para suportar a escassez de recursos?

A UnB trabalha para que as reduções tenham o menor impacto possível nas atividades acadêmicas e administrativas. A situação é dramática, mas vamos continuar fazendo o que sabemos fazer de melhor: o ensino, a pesquisa e a extensão de qualidade. Também continuaremos em diálogo com o governo e o Congresso para reverter a situação orçamentária.

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