Imunização

Pessoas com comorbidade precisam de laudo médico detalhado para se vacinar

Quem tem comorbidade e está agendado para receber a dose do imunizante precisa ficar atento às especificações exigidas para o relatório médico. Para algumas doenças, são necessárias informações complementares sobre medicações e tratamento

Cibele Moreira
postado em 31/05/2021 06:00
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press                       )
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

A vacinação contra a covid-19 tem deixado muitos brasilienses aliviados, principalmente para o grupo com comorbidade, que tem maior risco de apresentar complicações da doença em casos mais graves. No entanto, para receber a dose do imunizante, é necessário ficar atento às especificações no laudo médico que deve ser apresentado nos pontos de vacinação. Para algumas doenças, é necessário informações detalhadas sobre as medicações e tratamento. O documento também precisa ter sido emitido nos últimos 12 meses. Quem não estiver com o laudo completo exigido pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação do Distrito Federal, ficará impedido de receber a vacina no dia agendado. Há um prazo de 10 dias para que a pessoa regularize a situação e procure o ponto de imunização para receber a dose.


Para os casos de asma grave, imunossuprimidos, hipertensão e obesidade grave, a atenção deve ser redobrada na hora de pegar o laudo médico para se adequar às especificações da Secretaria de Saúde, que pedem informações complementares além da classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID). (Veja o quadro). A lista completa com os dados exigidos está disponível no site da pasta.


No fim de semana, várias pessoas tiveram que voltar para casa sem receber a vacina por não ter o laudo médico completo. Foi o que ocorreu com o engenheiro Ailton Albuquerque, 38 anos. O morador do Riacho Fundo I, tem asma grave e está contemplado para receber a dose do imunizante. Porém, no documento que ele levou ao posto de vacinação, no último sábado, não constava as especificações sobre as medicações que ele usa. “No site (da Secretaria de Saúde), só pede o relatório médico, não fala sobre esses requisitos. É frustrante, faço acompanhamento há mais de 15 anos”, desabafa. Para Ailton, a grande questão, agora, é conseguir uma consulta dentro do prazo permitido para o retorno (dez dias). “Geralmente, eu agendo uma consulta com um pneumologista em um mês para ir no outro. Agora, tenho que ver como vou fazer”, explica ele que estava animado para ser imunizado.


No caso de Luca Marques, 25, o laudo médico estava sem o número CID. “Estava ansioso para receber a vacina. Tenho asma e bronquite, e pelo vírus atacar a respiração fico com bastante receio de pegar a doença”, relata o morador do Guará. A Lilian Higa, 52, também teve que voltar para casa sem receber a vacina. Ela tem uma doença autoimune, artrite reumatoide, e agendou a vacinação a pedido da filha. “Minha filha ficou insistindo para eu vir, já que tenho o direito à dose", relata. Porém, por levar um laudo antigo, de 2016, ela não pode ser imunizada. “No momento do agendamento só pede para trazer o laudo, não tem especificado o período. Agora vou esperar chegar a minha idade para receber a vacina, não vou ao hospital. Até conseguir uma consulta…”, conta a moradora de Vargem Bonita, que ficou indignada com a situação. “Imagine uma pessoa que não tem carro, que pega transporte público lotado, correndo risco de ser infectado pelo vírus, e ainda não conseguir se vacinar. O gasto que essa pessoa vai ter, sem contar com a aglomeração até chegar ao posto”, pontua.


De acordo com dados da Secretaria de Saúde, mais de 43,8 mil pessoas com comorbidade agendaram a vacinação pelo site. Além do laudo médico, a pessoa precisa levar o documento de identificação e o comprovante de agendamento. Para o público etário de 60 anos ou mais, é necessário apenas um documento de identificação. Recomenda-se, ainda, levar o cartão de vacinação. Segundo determinação do Plano Nacional de Operacionalização do Ministério da Saúde, pacientes com doenças neurológicas crônicas, agora, integram o grupo de comorbidades para vacinação contra covid-19.

Imunizados

Fora as situações de impedimento, muitos brasilienses conseguiram receber a vacina neste fim de semana. Moradora do Gama, Margarida Maria Pereira, 53 anos, conta que ficou aliviada com a primeira dose do imunizante. “É um alívio maravilhoso. No ano passado, quase morri pela covid, fiquei muito mal. Não desejo isso para ninguém”, relata a pensionista que perdeu o irmão recentemente por complicações da doença. O último ano, para Margarida, foi de dias difíceis, e agora a esperança está surgindo com a vacina. Ela, que tem obesidade, agora vai poder respirar com um pouco mais de calma. Para Marla Honório Martoneto, 33, a expectativa pelo dia que receberia a vacina era alta. “Estou muito feliz que chegou a minha vez. Mas a expectativa maior é para que a vacina chegue para a população em geral”, afirma a moradora do Guará que tem anemia falciforme.


Hoje, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se reúne com equipe da Secretaria de Saúde para definir um novo cronograma de vacinação para a população. De acordo com ele, a ideia é abrir para que novas faixas etárias sejam imunizadas junto a outros grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. Também foi aberta a vacinação para funcionários aeroportuários e para profissionais das forças de segurança e salvamento. A imunização desses grupos ocorrerá mediante envio de lista nominal.


» Casos de covid-19 no DF


No dia de ontem, 21 mortes em decorrência da covid-19 foram notificadas pela Secretaria de Saúde no Distrito Federal. Desse total, oito pessoas perderam a vida no domingo, enquanto os outros óbitos foram de dias anteriores, confirmados apenas no último boletim epidemiológico. O informe traz detalhes das perdas para a pandemia e mostra que mais da metade dos pacientes que faleceram, 15 deles, foram homens. Ainda chama a atenção que a faixa etária com mais mortes foi de pessoas entre 40 e 49 anos, com sete óbitos. Também foram registrados 811 novos casos de contaminações neste domingo, o que deixou o DF com a marca de 405.001 pessoas que já tiveram contato com o vírus. Destes, 8.642 não resistiram à doença e morreram.

» Veja as especificações necessárias para o laudo médico de comorbidades

» Asma grave (J45) — Não aceita apenas o CID no relatório. Nele, devem estar detalhadas as medicações usadas, internações, entre outras informações do tratamento.

» Hipertensão de difícil controle ou com complicações/
lesão de órgão alvo (I15) — Não aceita apenas o CID no relatório. Nele, devem estar detalhadas as medicações usadas, internações, entre outras informações do tratamento.

» Obesidade Grave (E66) —
Não aceita apenas o CID no relatório. Nele, deve estar detalhado o cálculo do índice de massa corpórea (IMC) acima de 40.


» Imunossuprimidos — Portadores de doenças reumáticas que estão em uso de pulsoterapia ou corticoide maior ou igual a 10 mg dia, precisam de um relatório com essa descrição. O mesmo para os pacientes que estão em uso de munossupressores.

Para a lista detalhada acesse: bit.ly/2SGVtaK

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