Mafioso italiano no DF

Investigação / Por meio de cooperação internacional, forças de segurança do Brasil e da Itália prenderam, em João Pessoa (PB), Rocco Morabito. Ele está em Brasília e é acusado de lavagem de dinheiro, tráfico de droga, armas e pessoas

Preso em um hotel de João Pessoa (PB) pela Polícia Federal (PF), Rocco Morabito, 54 anos, considerado o chefe de uma das principais organizações criminosas italianas, a “Ndrangheta”, desembarcou no Distrito Federal no começo da tarde de ontem, revelaram fontes da PF ao Correio. Em decisão proferida nesta terça-feira, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu o pedido imediato da transferência do criminoso ao Sistema Penitenciário Federal. Policiais chegaram ao paradeiro de Rocco na segunda-feira.

Na determinação, a magistrada pede que o STF seja informado, em um prazo de 24 horas, sobre o local de recolhimento do preso. A Defensoria Pública da União (DPU) foi intimada para ciência uma vez que, no caso de manifestação, que seja feita em até 10 dias. O processo corre em sigilo de Justiça.

Rocco Morabito foi alvo de uma megaoperação conjunta entre a PF, a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e autoridades de segurança italianas. Ele é procurado, na Itália, desde 1990, e é acusado de cometer uma série de crimes, como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, de armas e de pessoas. “Desde a nossa gestão, em abril, fortalecemos a busca por esse criminoso, que, no Brasil, passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Paraíba”, afirmou o diretor-geral da PF, Paulo Gustavo Maiurino, em coletiva de imprensa promovida na sede da corporação, em Brasília.

O chefe da organização italiana chegou a ser preso em 2017, no Uruguai, depois de 22 anos foragido, mas, enquanto aguardava o processo de extradição para a Itália, fugiu em 2019 e tornou-se um dos três foragidos mais procurados da Itália.

Operação
Após um intenso trabalho investigativo, a Polícia Federal chegou ao paradeiro do Mafioso. Rocco foi preso dentro de um hotel, na capital paraibana. No quarto, estavam mais dois estrangeiros, sendo um deles outro italiano foragido da Justiça pelos mesmos crimes. “O que fez a diferença nesse caso foi a cooperação internacional. Dessa troca de dados. Agora, partiremos para outras etapas de investigação na busca dos capitais ativos, que, com certeza, ele estava realizando as atividades criminosas mundo afora”, detalhou o coordenador-geral de Cooperação Internacional (CGCI), Luiz Roberto Ungaretti.

Segundo o chefe da Interpol no Brasil, Bruno Samezima, há indícios de que Rocco está envolvido com atividades ilícitas no país e afirmou que o criminoso permanecerá detido durante todo o processo de extradição para a Itália. “A Itália busca a extradição dele há quase 30 anos. Para nós, esse é um caso muito importante. As informações acerca de onde ele ficará detido até a finalização desse processo são sigilosas”, finalizou.

Caso Rocco fique no DF até a finalização do processo de extradição, ele deverá permanecer na Penitenciária Federal de Brasília, uma vez que a decisão da ministra Cármen Lúcia determina que o criminoso seja abrigado no Sistema Penitenciário Federal.