OBITUÁRIO

Entidades lamentam a morte do jornalista Ribamar Oliveira, vítima da covid

Natural de Codó (MA), Ribamar morreu aos 67 anos. Um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, com passagens por vários veículos noticiosos, representa uma grande perda para a imprensa do país

Jorge Vasconcellos
postado em 02/06/2021 06:00
Natural de Codó (MA), Ribamar Oliveira tinha 67 anos -  (crédito: Reprodução/Twitter)
Natural de Codó (MA), Ribamar Oliveira tinha 67 anos - (crédito: Reprodução/Twitter)

Morreu, nesta terça-feira (1º/6), vítima da covid-19, Ribamar Oliveira, de 67 anos, jornalista do Valor Econômico. A notícia foi divulgada no perfil dele no Facebook. O falecimento de Oliveira, um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, com passagens por vários veículos noticiosos, representa uma grande perda para a imprensa do país.

“É com profunda tristeza e uma dor imensa no coração que comunicamos o falecimento do jornalista Ribamar Oliveira. Durante quase 50 dias ele lutou bravamente contra a covid, mas infelizmente a doença o venceu na tarde desta terça-feira. Seu exemplo de ética, de profissionalismo, de dedicação ao jornalismo e de amor à família e à vida nos enchem de orgulho e nos guiarão a partir de agora”, diz o texto no Facebook do jornalista. “Em respeito aos protocolos de segurança e ao isolamento sempre defendido por ele ao longo de toda a pandemia, informamos que não haverá velório e seu corpo será cremado, como era da vontade dele. Desde já agradecemos as mensagens de pêsames e de solidariedade. Lílian, esposa, e os filhos Júlia, Valentina e Ricardo”, complementa a nota.

Ribamar Oliveira se formou em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB). Antes do Valor Econômico, trabalhou em outros importantes jornais e revistas do país. Foi chefe de redação da sucursal de O Globo, em Brasília, repórter e coordenador de economia do Jornal do Brasil, repórter especial e colunista de O Estado de S. Paulo. Natural de Codó (MA), Trabalhou nas revistas Veja e Isto é. Ele também atuou como assessor de imprensa do Ministério do Planejamento, em 1994, ano de lançamento do Plano Real, e foi assessor de imprensa do Banco Central. Ganhou vários prêmios, entre eles o Esso de Economia pela reportagem “O escândalo dos precatórios”. É coautor do livro A Era FHC, um balanço.

Pesar

Além do talento profissional, Oliveira era admirado pela simpatia, gentileza e camaradagem para com os colegas de profissão, que o tratavam como Riba. Um deles é o secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, o também jornalista Bartolomeu Rodrigues. “Ribamar Oliveira, nosso Riba, foi meu colega, meu irmão mais velho, meu mestre, meu amigo de verdade. Um dos maiores jornalistas que este país viu, com que tive a honra de trabalhar por muitos anos”, disse o secretário.

O jornalista Paulo Fona, também lamentou a morte do colega. “Choro muito a perda de Ribamar, do Riba, do Zé de Riba. Um confidente e um parceiro de toda a hora. Solidário, leal e duro nas palavras como só um amigo é. Amigão, irmão, confidente, companheiro de luta sindical, da política e de jornalismo. Um dos maiores jornalistas de economia do país. A dor só é superada pelas boas lembranças juntas nesta jornada de vida. Orgulho e privilégio de ter sido seu amigo”.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que o falecimento de Ribamar Oliveira representa uma perda para o jornalismo econômico. O comunicado é assinado pelo presidente da entidade, Issac Sidney. “Tive o privilégio de conhecer e conviver com o jornalista Ribamar Oliveira quando trabalhávamos no Banco Central do Brasil. No convívio cotidiano, o profissional sério, dedicado e sempre correto, mostrou-se ainda uma pessoa única, bem humorada e afetuosa. Em nome da Febraban, lamentamos profundamente a morte do jornalista e amigo, mais uma vítima da Covid-19. O jornalismo brasileiro, especialmente as páginas econômicas, perde uma referência e um exemplo de qualidade e excelência”, diz a nota.

Em nota, o Ministério da Economia ressaltou que o jornalista tinha o respeito dos colegas de profissão e da equipe econômica do governo. “O Ministério da Economia recebeu com muita tristeza a notícia da morte do jornalista Ribamar Oliveira. O colunista do jornal Valor Econômico era conhecido pelo alto nível técnico, seriedade na apuração, ética e bom humor. A trajetória premiada e o reconhecimento dos colegas e dos técnicos da equipe econômica refletem a carreira de sucesso dedicada à cobertura econômica. O Ministério lamenta a perda e se solidariza com a família e amigos”, diz a nota.

O Banco Central também lamentou o falecimento de Ribamar Oliveira. “O Banco Central expressa profundo pesar pelo falecimento do jornalista Ribamar Oliveira, cuja excelência e a seriedade do trabalho serviu como exemplo a todos nesta instituição em seu período como assessor de imprensa. Foi uma honra contar com o profissionalismo de Ribamar no trabalho de bem informar a sociedade sobre as atividades do Banco Central. No jornalismo, sua ausência será sentida por todos os colegas. Expressamos nossa solidariedade com a família e seus amigos neste momento de dor”, diz comunicado.

O Tribunal de Contas da União (TCU) também lamentou a morte do jornalista. "Ribamar construiu uma carreira respeitada, balizada por altos padrões éticos e pela defesa intransigente de princípios democráticos na comunicação e na vida do país. Como jornalista de economia, participou da moderação de eventos no tribunal, a exemplo do Seminário dos 15 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal, e desenvolveu matérias e artigos importantes para a compreensão de fatos de repercussão nacional", diz a nota, assinada pela ministra Ana Arraes, presidente do TCU.


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