SAÚDE

Professor de imunologia fala sobre combinação de vacinas e excesso de doses

"Qualquer vacina é melhor que estar desprotegido, mas é necessário cautela e respeito as doses necessárias", explica o professor de imunologia

Mariane Rodrigues
postado em 08/07/2021 15:15 / atualizado em 08/07/2021 15:16
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A. Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A. Press)

Em entrevista para Carmen Souza ao CB.Saúde, programa feito pelo Correio em parceria com a TV Brasília, o diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do DF e professor da UnB Otávio Nóbrega explica vários prós e contras em tomar doses distintas e repetitivas. Para ele, o efeito dos imunizantes precisa ser esclarecido: “as vacinas não foram feitas para evitar que as pessoas adoeçam mas para não permitirem que as pessoas necessitem se hospitalizar e, em alguns casos, que cheguem a óbito”, ressalta.

A antecipação da segunda dose surgiu na Inglaterra como medida de segurança para a população atingir a imunização máxima antes que surjam novas variantes do vírus. O governo de São Paulo está querendo fazer o mesmo, porém ainda não há estudos que comprovem a eficácia. Segundo o professor, novas variantes podem surgir no país e isso é preocupante pois há escassez de vacina e novas cepas podem diminuir a eficácia da vacinação. 

No Rio de Janeiro, ficou decidido que gestantes poderiam misturar doses. Para aquelas que tomaram o primeiro imunizante da Astrazeneca, a recomendação é que tomem a segunda dose de outro laboratório. A decisão foi tomada após um caso de trombose que resultou em óbito de uma gestante. Para Nóbrega, com exceção das grávidas, a recomendação é para que não haja troca dos imunizantes.

O professor alerta a população para o excesso de doses. Tomar mais do que a quantidade recomendada pelos fabricantes pode causar o efeito contrário ao desejado com a vacinação. “Doses elevadas e repetitivas, ao invés de estimularem os nossos linfócitos podem, na verdade, determinar que esses linfócitos cometam morte, ou seja, morte celular programada[...]. Qualquer vacina é melhor que estar desprotegido, mas é necessário cautela e respeito às doses necessárias”, detalha o especialista. Ao matar a célula, o indivíduo fica desprotegido, o que pode levar ao óbito.

Para o professor, é muito provável que, ao longo dos anos, a covid-19 se torne uma doença sazonal. Já se discute, inclusive, a possibilidade de uma terceira dose para grupos prioritários, mas ele ressalta que será necessário ter disponibilidade dos imunizantes para não deixar outra parte da população desprotegida, sem nenhuma dose.


 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE