Corona vírus

À espera de mais doses

Governador em exercício projeta vacinar, até setembro, todos os moradores da capital com 18 anos ou mais. Previsão depende do envio de imunizantes pelo Ministério da Saúde. Ontem, sistema de marcação ficou fora do ar

Ana Isabel Mansur
postado em 16/07/2021 22:50
 (crédito: Arquivo Pessoal)
(crédito: Arquivo Pessoal)

À frente do governo do Distrito Federal desde quarta-feira, o presidente da Câmara Legislativa do DF, Rafael Prudente (MDB), atribuiu o ritmo mais lento da vacinação contra a covid-19 na capital federal ao repasse insuficiente de imunizantes pelo Ministério da Saúde. A observação foi feita ontem, durante evento no Palácio do Buriti. O governador em exercício prevê que toda a população do DF acima de 18 anos esteja imunizada com a primeira dose até setembro. “E mais da metade (desses habitantes) vacinados com a segunda dose”, completou.

Apesar do alinhamento de discurso ao correligionário Ibaneis Rocha, que também condiciona o avanço da imunização contra a covid-19 no DF à pasta federal, Rafael Prudente criticou, há 10 dias, a atuação do Governo do Distrito Federal (GDF) na campanha de vacinação. Em entrevista ao CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, o parlamentar afirmou que a estratégia de priorizar diversos grupos desfalcou a aplicação para a população em geral. “Poderíamos estar mais avançados. A Secretaria de Saúde podia publicar um plano de vacinação com base nas doses fornecidas pelo Ministério da Saúde. A gente fica sabendo pela imprensa de quando chega a hora das pessoas. Precisamos ter, pelo menos, uma esperança”, destacou, em 17 de julho.

Com 189.522 doses em estoque na Rede de Frio do GDF, a previsão de Rafael Prudente se baseia na promessa de envio de 250 mil vacinas pelo Ministério da Saúde à capital federal nos próximos dias. O anúncio foi feito após cobrança do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de reposição dos imunizantes do DF aplicados em moradores de outros entes federativos. Na quinta-feira, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) recebeu mais 62.250 unidades da AstraZeneca. Segundo o governador em exercício, a pasta federal vai repassar mais uma remessa hoje — sem especificar, porém, fabricante nem quantidade. Além da reserva para a segunda aplicação, o grande número de vacinas em estoque no DF é explicado pelas perdas técnicas, embora a taxa de danos sofridos seja de menos de 1%.

Agendamento

A corrida pela vacinação contra a covid-19 continua no Distrito Federal. Ontem, a Secretaria de Saúde abriu mais 46,5 mil vagas para o público entre 40 e 49 anos — apesar de ainda serem necessárias cerca de 320 mil doses para completar a imunização dos brasilienses dessas faixas etárias (veja mais em Doses X população).

Cerca de 30 minutos após o início do serviço, o site vacina.saude.df.gov.br ficou fora do ar, pela quantidade elevada de acessos. A alta demanda gerou instabilidade nos servidores da Coordenação Especial de Tecnologia da Informação (CTINF), o que derrubou todos os sites do GDF e levou a SES-DF a suspender as marcações. O sistema de agendamento ficou indisponível até por volta das 20h.

De acordo com a secretaria, até as 18h, 26,4 mil pessoas haviam conseguido marcar a vacinação contra a covid-19. A advogada Fernanda Azevedo, 42 anos, foi uma delas. Mesmo com a instabilidade, a moradora do Lago Norte insistiu. “Continuei tentando, porque achei que muita gente desistiria. Consegui umas 16h. O agendamento tem se mostrado ineficaz e burocrático. A desculpa de ser feito para evitar aglomerações não faz sentido, e muitas pessoas deixam de se vacinar”, opina Fernanda.

A bióloga Fabiana Silva, 41 anos, não teve a mesma sorte. Moradora de Águas Claras, amamenta o filho de 2 anos e teme pela própria imunidade. Assim como Fernanda, Fabiana havia tentado agendar a imunização na última semana. Infelizmente, a decepção se repetiu. “Vai funcionar sempre assim? Não entendo essa logística. Sou de Salvador, meus amigos e familiares da minha faixa etária já foram vacinados”, critica a bióloga. A capital baiana está vacinando pessoas com 39 anos. “A gente vai fazer o quê? Esperar uma nova remessa para abrir mais vagas e ser esse inferno de novo? É uma loteria, quem consegue fica feliz. Não quero ter que esperar mais”, desabafa Fabiana.

Ontem, a Secretaria de Saúde aplicou a D1 em 34 pessoas e completou o esquema de imunização com a D2 em 9.984. A vacina de dose única, da Janssen, foi aplicada em 1.255 brasilienses. No total, 1.103.283 pessoas receberam a primeira dose, o que representa 49,57% dos habitantes do DF com mais de 18 anos. Em relação aos moradores maiores de idade que foram vacinados com as duas doses ou tomaram o imunizante de dose única, a proporção é de 18,74% — 432.924 pessoas.

Professores

Depois que 4 mil profissionais de escolas particulares foram vacinados contra a covid-19 na quinta-feira, a imunização da categoria foi paralisada. De acordo com o Sindicato dos Professores em estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep), a vacinação não tem data para ser retomada. “Os profissionais da educação privada, que estão inseridos como prioritários no Plano Nacional de Imunização (PNI), estão trabalhando presencialmente desde setembro do ano passado”, reivindicou, em nota, o Sinproep.

De acordo com o sindicato, 16 professores da rede particular que estavam trabalhando de maneira presencial morreram por complicações da covid-19. Questionada pelo Correio, a Secretaria de Saúde afirmou que não há previsão de novos dias de imunização da categoria. “Por enquanto, está prevista somente a repescagem de professores da rede pública para a próxima semana”, respondeu a pasta. Segundo levantamento do Sinproep, 81% da categoria recebeu a 1ª dose ou dose única das vacinas contra a covid-19.


753 casos em um dia
A Secretaria de Saúde (SES) registrou 753 casos confirmados, somando 440 mil infectados pelo novo coronavírus no DF. Desse total, 424 mil se recuperaram. Com mais 21 mortes devido à covid-19, o número de óbitos chegou a 9,4 mil, ontem. A taxa de transmissão está em 0,95. A taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento da covid- 19 na rede pública era de 66%, na rede privada, o índice estava em 77%.


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