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Estação seca se instala e DF terá semana de calor e baixa umidade

Tempo quente e altas temperaturas levaram o brasiliense para a rua no fim de semana. Nos próximos dias, termômetros podem chegar aos 32º. Especialistas alertam para os perigos da seca

» Ana Maria da Silva
postado em 16/08/2021 06:00
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press - 15/8/2021                          )
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press - 15/8/2021 )

Sol forte, céu azul e muito calor. O clima quente e seco tomou conta do fim de semana na capital federal. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o índice de umidade relativa do ar registrado no período está entre os mais baixas do ano, perdendo apenas para o dia 20 de julho, quando a taxa chegou a 13%, em Brazlândia. No ranking, domingo ficou como o segundo dia mais seco do ano, registrando 15% de umidade. Sábado, ocupou o terceiro, com 16%.

As baixas taxas fizeram com que o Inmet emitisse um alerta laranja no Distrito Federal e, de acordo com o meteorologista Mamedes Luiz, o sol não dará trégua durante a semana. “Os próximos dias vão ser bem quentes. Estamos prevendo temperaturas máximas de 30ºC, podendo chegar a 32ºC. Será uma semana quente e seca. A umidade continua abaixo dos 20%. Então, o risco de incêndio é extremamente elevado. Vai ser uma semana bastante delicada, sem previsão de chuva”, pontua.

De acordo com o índice de nível de medição da Defesa Civil, quando a umidade relativa do ar varia entre 12% e 20% por dois dias consecutivos, a cidade entra em estado de alerta. Nesses casos, a orientação da Defesa Civil é beber, pelo menos, seis copos d'água por dia, pingar duas gotas de soro fisiológico em cada narina, ter toalhas molhadas e bacias de água nos quartos, usar roupas leves e, se possível, de algodão. Também faz parte das recomendações não fazer exercícios físicos entre 10h e 17h. Também recomenda-se não queimar de lixo ou entulho.

Segundo o meteorologista Mamedes Luiz, a queda na umidade relativa do ar é comum nos meses de agosto e setembro. “Na climatologia, ela tende a seguir esse caminho. Agosto e setembro normalmente registram baixa umidade no DF. O que faz com que ocorra essa queda é a massa de ar seco que predomina na região durante o período”, diz. Mamedes Luiz explica, ainda, que a elevação da temperatura se justifica pelas poucas nuvens, condição climática comum de se ver no mês de agosto. “Na madrugada, fica friozinho, porque há queda na temperatura durante a noite, mas ao longo do dia começa a esquentar e a amplitude térmica torna-se maior”, diz.

Hoje, o DF deve variar entre 16ºC e 28ºC, com poucas nuvens no céu e névoa seca, fenômeno meteorológico que ocorre quando está muito quente e com baixa umidade, fazendo a visibilidade oscilar. Segundo Olívio Bahia, o DF segue em estiagem: a última chuva registrada na capital foi em 14 de junho, e não há previsão de precipitação de água nos próximos dias.

A expectativa é que o período chuvoso no DF comece a partir da segunda quinzena de outubro. Mas, no final de agosto e início de setembro, é comum ligeiras pancadas de chuvas, popularmente conhecidas como “chuva da manga”, ou “chuva do caju”, a depender de cada região. “O movimento da terra faz com que o sol passe a iluminar mais o hemisfério sul, a partir de setembro. A gente começa a ter mais irradiação solar e aí o escoamento, que são os ventos que circulam sobre o globo, começam a trazer mais umidade para o Brasil. Por isso tem calor, mas também, agregação de umidade. Isso começa a formar nuvens e, consequentemente, inicia algumas pancadinhas de chuva”, explica.

Lazer no calor

Para aliviar o calor e o clima seco, uma das opções mais procuradas foi a Fundação Jardim Zoológico de Brasília, que atingiu a lotação máxima de 2,5 mil pessoas durante a manhã de ontem. Carros fizeram fila ao longo da Estrada Parque Guará (EPGU) e, no caso de pedestres, não foi diferente: também foi preciso paciência para curtir o passeio ao ar livre e visitar os bichos.

Foi debaixo do sol escaldante, que a pedagoga Dalva Alves de Andrade, 64 anos, saiu de Luziânia (GO) em busca de diversão com a neta Keila, 8, e a amiga Maria da Cruz de Araújo, dona de casa. Ela escolheu o Zoo para curtir o dia e relembrar os passeios em família. “Eu sempre vim aqui com meus filhos, mas agora estão todos adultos, trabalhando. Tinha tempo que não aparecia por aqui (no Zoológico). Da última vez ela (Keila) era pequenininha. Aí aproveitei o dia de sol pra fazer algo diferente, sair um pouco da rotina”, diz.

A pedagoga conta que a ida até o espaço não foi fácil: “O sol está torturando todo mundo, né? Já imaginava que fosse fazer calor, mas pegar ônibus nesse tempo não é tarefa pra qualquer um. Só os fortes dão conta”, brinca. Mesmo com o risco de não conseguir entrar, devido à lotação máxima, Dalva foi persistente e, faltando menos de dez pessoas para completar a capacidade do espaço, conseguiu entrar no Zoo. “Eu não suporto aglomeração. Depois da pandemia fiquei ainda pior. E esse calor também dificulta. Mas foi por isso que escolhi o Zoológico. Tem bastante sombra, dá pra aproveitar em segurança”, ressalta.

A família do mecânico Sandro Ribeiro, 25, também sofreu dentro do carro, durante a espera para acessar o parque. Eles contam que chegaram por volta de 10h, quando o sol já brilhava com toda a sua força, o que dificultou a espera. “Ficamos cerca de uma hora na fila”, explica a enfermeira Thaís Cristina, 25, esposa de Sandro. De acordo com o mecânico, a opção de passeio veio da sogra, que quis aproveitar o dia para curtir em família. “Minha sogra queria muito vir e aí decidimos trazê-la. É minha primeira vez também. Então, estamos todos bem animados”, conta.


Como minimizar os efeitos da seca:

Entre 21% e 30%, por cinco dias consecutivos: estado de atenção
- Evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h;
- Umidificar o ambiente por meio de vaporizadores, toalhas molhadas e recipientes com água;
- Consumir água à vontade.

Entre 12% e 20%, por dois dias seguidos: estado de alerta
- Observar as recomendações do estado de atenção;
- Suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 17h;
- Evitar aglomerações em ambientes fechados;
- Usar soro fisiológico nos olhos e nas narinas.


Abaixo de 12%, por dois dias seguidos: estado de emergência
- Observar as recomendações para os estados de atenção e de alerta;
- Interromper qualquer atividade ao ar livre entre 10h e 16h;
- Manter os ambientes internos úmidos.

 

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