SAÚDE

Campanha Nacional de Amamentação reforça a importância do aleitamento infantil

Leite materno é principal fonte de nutrientes para recém-nascidos e importante para o desenvolvimento. Porém, como nem todas as mães conseguem oferecer esse alimento aos filhos, doações são cruciais

Júlia Eleutério*
postado em 16/08/2021 06:00 / atualizado em 16/08/2021 16:17
Após sofrer um acidente de carro e ter dengue, Anne Priscylla enfrentou dificuldades para amamentar o filho Noah -  (crédito: Minervino J?nior/CB/D.A Press                  )
Após sofrer um acidente de carro e ter dengue, Anne Priscylla enfrentou dificuldades para amamentar o filho Noah - (crédito: Minervino J?nior/CB/D.A Press )

O leite materno é alimento essencial para a nutrição dos bebês. Além de contribuir com o desenvolvimento, fortalece o sistema imunológico e garante proteção contra doenças da infância até a fase adulta. Por meio da amamentação, é possível reduzir em 13% a mortalidade de crianças menores de 5 anos por motivos evitáveis, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, o hábito ajuda a diminuir casos de diarreia, infecções respiratórias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. Neste mês, uma campanha nacional tem o tema como foco. O Agosto Dourado serve para reforçar a importância da prática e, também, para lembrar que nem todas as mães conseguem oferecer esse recurso aos filhos. Por isso, a doação é tão importante quanto a lactação.

A recomendação das autoridades de saúde é de que o aleitamento ocorra de forma exclusiva durante os primeiros seis meses da criança, podendo seguir até os 2 anos ou mais. A pediatra Sandi Sato explica que o leite materno tem “alta qualidade nutricional” e substâncias que ajudam nos desenvolvimentos físico e cognitivo do bebê. “Há vários fatores de proteção, com ações antimicrobianas, anti-inflamatórias e imunomoduladoras, fazendo com que o sistema imunológico amadureça da melhor forma possível. O alimento evita doenças infecciosas na fase de lactação, protege contra doenças crônicas, como a de Crohn ou diabetes, da infância até a fase adulta”, enfatiza Sandi.

Devido a contraindicações para a amamentação por mães soropositivas ou infectadas por outros vírus, como o da catapora, é necessário passar por avaliação médica antes de iniciar o aleitamento. Recentemente, a covid-19 se tornou motivo de preocupação entre muitas lactantes, que têm medo de os filhos ficarem doentes. No entanto, nesse caso, não há restrições. “(Para) as demais (doenças), se a mãe tiver condições físicas e de saúde para amamentar, os anticorpos que ela produz para combater a infecção podem ser transmitidos para o seu bebê”, completa a médica.

O processo de nutrição dos bebês por meio do leite materno não faz parte da realidade de todas as mães. Algumas precisam retornar ao trabalho após seis meses; outras enfrentam a falta de produção do alimento. Para esses casos, bancos de leite podem ajudar. A estudante Anne Priscylla Silva, 36 anos, contou com essas unidades para garantir a nutrição do filho, Noah, após contrair dengue e sofrer um acidente de carro, em maio. Previamente às duas situações, ela contribuía com outras crianças: “Nas duas ocasiões (antes e depois do acidente e da doença), continuei a tirar leite, mesmo com todas dificuldades. Conseguia uma quantidade bem menor, devido às dores, mas foi acabando, e precisamos de doação. Quando não tinha o meu, recebíamos (o de outras mães)”, conta.

Aquela não foi a primeira vez em que mãe e filho contaram com os bancos. Ao nascer, Noah ficou na unidade de terapia intensiva (UTI), devido a uma doença rara chamada epidermólise bolhosa, e não pôde ser alimentado diretamente pelo peito. As doações eram cruciais para alimentá-lo. E Anne se sentiu mais segura após conhecer todo o processo que envolvia esse serviço. “Como fiquei muito tempo na maternidade, aprendi todo o processo pelo qual o leite passava até chegar à UTI”, enfatiza a estudante.

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Contribuição

No Distrito Federal, a corrente de solidariedade ajudou mais de 8 mil bebês internados em unidades neonatais de hospitais públicos, entre janeiro e julho, segundo a Secretaria de Saúde. Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e do Banco de Leite Humano do DF, destaca a relevância do ato, principalmente em meio à pandemia. “É de extrema importância. A pandemia trouxe mudanças, mas a doação faz a diferença”, destaca.

Mesmo com as dificuldades impostas pela crise sanitária, a margem de doação tem crescido, segundo a pasta. Levantamento feito entre 2018 e 2021 mostra que, de janeiro a julho, este ano alcançou a maior quantidade. O volume chegou a 10.889 litros no período, enquanto, entre os anos anteriores, o total mais alto atingiu 10.552 litros, em 2018.

Para manter os estoques e contemplar mais crianças, é necessário manter 1,5 mil litros ou mais por mês, segundo a Secretaria de Saúde. E qualquer lactante pode ajudar. “Toda mulher amamentando que se disponha a ser doadora pode se voluntariar. Um frasco de leite materno consegue alimentar até 10 bebês”, destaca Miriam Santos.

Além da rede pública, outras maternidades do DF contam com bancos de leite humano. Em um desses hospitais, Bruna Bôto, 34, descobriu a doação. Ela conta que sempre teve vontade de contribuir, mas não sabia se teria o suficiente para amamentar a própria filha, Manuela. “No início, a alimentação foi bem difícil e dolorida. Mas minha experiência se tornou maravilhosa. E, apesar da pandemia, eu me sinto supersegura para doar. Uma vez por semana, o banco busca a coleta e me traz novos potes, que vêm sempre esterilizados e lacrados. Não me dá trabalho algum, e me sinto extremamente recompensada por ajudar tantos bebezinhos”, comenta a bancária.

*Estagiária sob supervisão de Jéssica Eufrásio

» Passo a passo

Confira as etapas para coletar e doar leite materno:

1 - Antes de começar, coloque uma touca ou um lenço na cabeça;

2 - Use uma máscara ou amarre uma fralda sobre o nariz e a boca;

3 - Lave mãos e braços, até a altura o cotovelo, com
água e sabão;

4 - Procure fazer a coleta em um lugar limpo e tranquilo da casa;

5 - Lave as mamas, antes do procedimento, apenas com água;

6 - Seque os seios e as mãos com um pano limpo;

7 - Separe potes de vidro com tampa plástica para a coleta;

8 - Ferva os frascos por 15 minutos e deixe que sequem sobre um pano limpo;

9 - Massageie os seios com a ponta dos dedos, com movimentos circulares, e inicie a coleta diretamente no pote;

10 - Encha-os até faltarem dois dedos para chegar à borda; caso seja necessário, recomece uma nova coleta em outro pote higienizado;

11 - Identifique o pote com seu nome e a data em que retirou o leite; para completar um pote que está no congelador, faça a coleta em um copo de vidro e, depois, despeje o conteúdo no pote resfriado;

12 - O leite pode ficar até 10 dias no congelador ou freezer;

13 - Para doar, basta ligar para um banco de leite da região.

Fonte: Amamenta Brasília

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