Covid-19

Sindicato diz que vigilante morto recusou a vacina; Família nega

Em reportagem, o Sindesv-DF afirmou que o funcionário optou por não receber o imunizante. Familiares não sabem relatar se a informação é correta

Rafaela Martins
postado em 17/08/2021 15:32 / atualizado em 17/08/2021 21:21
 (crédito: Divulgação)
(crédito: Divulgação)

O Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal (Sindesv-DF) divulgou, nesta segunda-feira (16/8), uma nota lamentando a morte do 62º membro da categoria em decorrência da covid-19. De acordo com a classe, João Batista da Silva, 53 anos, optou por não se vacinar e acabou falecendo após 60 dias de internação. Familiares do vigilante, porém, negam essa informação. João veio a óbito na sexta-feira (13/8).

“Estou mal desde ontem. Meu irmão era uma pessoa esclarecida. Como ele tinha muitas comorbidades, achei que tinha sido vacinado, até porque ele morava com o nosso pai de 82 anos. Perguntei para um amigo que trabalhava com ele sobre isso, mas ele também não sabia”, declarou o irmão Fábio Silva, 46 anos.

Em meio a contradições, Fábio disse que vai procurar o cartão de vacina do irmão para entender o que ocorreu. “Não sei de onde eles (sindicato) tiraram isso. Dois anos atrás ele fez uma cirurgia, pois descobriu que tinha dois aneurismas. Ele gostava muito de viver, então não acredito que ele não tenha tomado a vacina”, relatou o irmão, abalado.

O Correio entrou em contato com o Sindicato dos Vigilantes, a fim de esclarecer o que foi publicado por meio do site. O diretor Gilmar Rodrigues afirmou que apurou com colegas de trabalho do João Batista. “Eu fui até o Ministério da Infraestrutura conversar com pessoas que conheciam ele, e todos afirmaram que ele não tomou a primeira dose”, contou.

Nascido em Coribe, no interior da Bahia, João morava na Cidade Ocidental (GO) com o pai e prestava serviço para o Ministério da Infraestrutura. Ele era solteiro e não tinha filhos. Hipertenso, o funcionário estava internado desde o dia 14 de junho em um hospital particular da Asa Sul.

Preocupação

Ao todo, a categoria soma 2.903 infectados pela covid-19, segundo levantamento do Sindesv-DF. Desses, 2.225 se recuperaram da doença e 62 não resistiram à infecção. O diretor do sindicato, Gilmar Rodrigues, fez um apelo para que a categoria se vacine o quanto antes e se atente aos prazos da segunda dose. “O sindicato orienta que aqueles vigilantes que ainda não tomaram a segunda dose, não deixem de tomar”, explicou.

Em março, o Sindicato dos Vigilantes do DF protocolou ofícios ao Governo do Distrito Federal (GDF) e ao presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com objetivo de solicitar que os profissionais fossem incluídos como categorias prioritárias. Na época, quase dois mil vigilantes tinham sido infectados pelo vírus e 31 deles não resistiram.

Porém, a categoria só conseguiu a inclusão três meses depois. O GDF adicionou os vigilantes como prioridade na vacinação contra a covid-19 no dia 16 de junho. Três mil doses foram destinadas ao público.

 

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