Decisão

Galpão do Riso tem 72 horas para sair de Centro Comunitário

Ponto de cultura da população de Samambaia, o Galpão do Riso poderá ser fechado nos próximos dias. Ordem é da Administração Regional

Rafaela Martins
postado em 27/08/2021 18:14 / atualizado em 28/08/2021 16:50
 (crédito: Arquivo pessoal)
(crédito: Arquivo pessoal)

Na manhã desta sexta-feira (27/8), artistas que utilizam o espaço do Centro Comunitário da Qs 405, área especial N° 2, Samambaia Norte, foram surpreendidos com uma notificação da Administração Regional: no prazo de 72 horas, o local deve ser liberado. De acordo com o coordenador pedagógico do Galpão do Riso, João Porto, o documento não expôs as razões para tal ato.

“Na notificação não colocaram nenhum motivo, só dizia que se não fosse cumprido o prazo, eles tomariam as medidas judiciais cabíveis. Mas fizemos um levante cultural e recebemos mensagens de diversos locais do Brasil, de deputados que apoiam nossa causa, e da Universidade de Brasília”, disse João.

Na tarde desta sexta-feira (27/8), artistas, advogados e representantes da administração se reuniram para chegar a um acordo. Atualmente, a administração paga água, luz e IPTU do centro. Em reunião, ficou determinado que a notificação de despejo está suspensa, e dentro do prazo de 60 dias, o lugar precisa estar de acordo com as normas.

Por meio de instrumentos jurídicos, os fundadores do galpão buscam uma solução para não acabar com o ponto de cultura. Segundo João, é preciso encontrar uma lei nova que abra caminhos para os artistas utilizarem o ambiente de forma permanente.

“É um exercício de cidadania, no final das contas. Dentro da legalidade, queremos que a cidade cresça culturalmente. Se cumpre a lei e se mata um espaço público, ou se entende que ele é muito importante para a cidade e que acrescenta no desenvolvimento sócio-cultural”, ressaltou o coordenador pedagógico.

O que é o Galpão do Riso?

Nascido em 2003, o espaço foi construído com esforço por artistas de Samambaia. Com objetivo de pesquisar, difundir e ensinar, o galpão abraça projetos da própria comunidade e disponibiliza teatro e circo para todos. Paralelamente, existe o grupo de capoeira e o projeto “ginástica nas quadras''. Eventualmente, o espaço recebe atividades culturais temporárias como ensaios, palestras e outros.

A primeira ocupação na cidade também foi um galpão, localizado no Parque Ecológico Três Meninas. À época, a administração autorizou. Com o passar do tempo, os artistas abandonaram o local por apresentar risco à comunidade e aos artistas. O ponto de cultura foi demolido, mas em 2011 eles puderam ocupar um dos Centros Comunitários de Samambaia. Anteriormente, o centro estava abandonado e depredado. Os artistas armaram uma lona circense e fizeram uma verdadeira reconstrução e reforma para desenvolver projetos e eventos futuros.

Apoio da UnB

Em nota, a Universidade de Brasília demonstrou apoio aos artistas de Samambaia, reconhecendo a importância do local. Confira:

“À Administração Regional de Samambaia,

A Universidade de Brasília, desde 2013, por meio do Projeto de Extensão de Ação Contínua: Núcleo de Trabalho do Autor - NUTRA, tem sido parceira do Centro de Pesquisa, Ensino e Difusão de Arte - Espaço Galpão do Riso, que tem como meta desenvolver a pesquisa, o ensino e a difusão artística na cidade de Samambaia-DF.

O projeto tem vínculo com o Departamento de Artes Cênicas, por meio de atividades socioculturais, educativas e de pesquisa, juntamente com as atividades artísticas que são desenvolvidas no Espaço Galpão do Riso.

A Universidade de Brasília é parceira do projeto, porque o trabalho do coletivo de artistas que atua no espaço agrega pesquisa, extensão e ensino, em diálogo com a comunidade de Samambaia. Desta forma, reafirmamos a importância também da parceria da administração de Samambaia com a renovação do uso do centro comunitário da QS 405 para continuarmos este trabalho necessário ao desenvolvimento sociocultural na cidade de Samambaia”.

O que diz o outro lado?

Em nota, a Administração Regional de Samambaia informou ao Correio que, na manhã de sexta-feira (27/), "representantes do grupo Galpão do Riso e do Conselho de Cultura participaram de reunião com a Administradora Regional em exercício, Keliane Gonçalves e corpo técnico do órgão, com o objetivo de regularizar o termo de cessão de uso concedido ao projeto, em virtude de pendências documentais relativas ao ano de 2019."

Segundo a administração, ficou acertado entre os envolvidos a "suspensão do prazo da notificação e concessão de dilação de prazo para 60 (sessenta) dias, para que os envolvidos tomem as providências necessárias para a regularização."

 

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