Violência

Feminicídio brutal em Santa Maria

Cilma da Cruz Galvão, 51 anos, foi assassinada a facadas no apartamento onde morava. O filho da vítima encontrou o corpo, após arrombar a porta da residência. Principal suspeito é Evanildo das Neves da Hora, 37, com quem a vítima tinha um relacionamento

» DARCIANNE DIOGO » RAFAELA MARTINS » RENATA NAGASHIMA
postado em 04/10/2021 00:20
 (crédito: Arquivo Pessoal)
(crédito: Arquivo Pessoal)

Mais uma vítima entrou para a trágica estatística de feminicídios no Distrito Federal. Cilma da Cruz Galvão, 51 anos, auxiliar de limpeza e diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo do Sindicato de Serviços Terceirizáveis (Sindiserviços-DF), foi brutalmente assassinada a facadas dentro do apartamento onde morava, em Santa Maria. O principal suspeito é o namorado, Evanildo das Neves da Hora, 37, com quem se relacionava há pouco mais de seis meses. Até o fechamento desta edição, ele estava foragido. De acordo com o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a 1º de julho deste ano, 17 mulheres morreram de decorrência do gênero.


O crime foi na madrugada de ontem, em um condomínio do Setor Total Ville. Ao Correio, vizinhos relataram que o casal tinha um relacionamento conturbado e, pouco antes do assassinato, eles discutiram. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada para uma ocorrência de violência doméstica por volta de 12h50. O filho de Celmi havia tocado a campainha do apartamento da mãe, mas não obteve resposta. Ele, então, decidiu arrombar a porta e a encontrou morta na cama, com diversos ferimentos no abdômen e nas pernas, aparentemente causados por uma faca.


Imagens do circuito interno de segurança do condomínio mostraram o suspeito deixando o local por volta de 1h30, pouco tempo depois do crime. Na filmagem, Evanildo sai do prédio carregando uma bolsa nas mãos.

Discreta

Ao Correio, uma moradora do condomínio contou que Celmi e Evanildo se conheceram na igreja e começaram a morar juntos. “Quando foi ontem, ele pediu para ela todo o dinheiro que ele deu no apartamento, e eles brigaram. Os bombeiros disseram que Evanildo a matou asfixiada com uma almofada e, em seguida, a rasgou toda e, depois, saiu do condomínio de moto.”, detalha a vizinha que preferiu não se identificar.


Reservada, Cilma não comentava sobre o namoro com a família. Prima dela, Valdilene Guilhon lembra que Evanildo foi apresentado para a vítima na igreja, mas os parentes não apoiavam a união. “Ela não falava muito do relacionamento, porque sabia que ninguém apoiava. A família sabia que ele não prestava e que era ex-presidiário. Ninguém gostava dele, com 15 dias que conheceu, colocou dentro de casa e, aí, aconteceu isso”, diz.


A vítima tinha dois filhos, e um deles morava com o casal. Para Valdilene, Evanildo se valeu de que o jovem viajou no sábado para Imperatriz, no Maranhão, e Cilma ficou sozinha. “Ela falou que não queria mais ele e o mandou sair de casa, ele aproveitou que estavam sozinhos e a matou”, revela a prima.
A reportagem apurou que Evanildo tem passagem por roubo com o uso de arma de fogo, em São Francisco do Conde, na Bahia. Ele foi preso em 2016.

Trabalho

Natural de Codó (MA), Cilma da Cruz atuava, desde 2007, como diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo do Sindiserviços-DF. Eleita como efetiva do Conselho Fiscal, ela participou de congressos da CUT Brasília (Cecut/DF) e do Congresso Nacional dos Trabalhadores das Áreas de Serviços e Comércio.


Em entrevista, a presidente do Sindiserviços-DF, Maria Isabel Caetano, lamenta a morte de Celmi. “Hoje, comentei com minha filha que ela vai fazer muita falta. Era uma pessoa pacífica, companheira e sabia se colocar em posição. Era uma das melhores funcionárias que tivemos”, destaca.
A diretora conta que desconhecia o relacionamento de Cilma. “Foi uma surpresa. Eu sabia que ela não era casada, mas não tinha ciência de que ela namorava, pois nunca comentou conosco. Era uma pessoa querida, que eu desabafava sobre algumas coisas”, ressalta Maria Isabel.

Suspeitos de latrocínio são detidos

Dois suspeitos de envolvimento no latrocínio (roubo seguido de morte) do empresário Gabriel Benamor, 23 anos, foram detidos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ontem. O jovem foi baleado após ser abordado por dois homens armados, enquanto esperava um amigo dentro do carro, na praça da QNF, em Taguatinga Norte.


Gabriel saiu de casa por volta das 7h de sábado, após receber a ligação de um amigo, perguntando se ele poderia levá-lo ao hospital, pois havia deslocado o dedo. A vítima deixou Águas Claras, onde morava, em direção ao Guará. Lá, deu carona ao rapaz e, no caminho, decidiram buscar a namorada do amigo, em Taguatinga Norte, próximo à praça.


O Correio conversou com Dalton Oliveira, 60, tio de Gabriel. Ele contou que o amigo foi até o apartamento, mas o sobrinho decidiu esperá-lo dentro do carro. “O colega o convidou para subir, mas ele disse que, como era rápido, ficaria embaixo”, disse. Enquanto estava no veículo, dois criminosos armados abordaram o empresário e anunciaram o assalto. “Ele não reagiu, apenas se assustou e foi vítima desse terrível crime”, acrescentou. Gabriel foi baleado no tórax.


Ao ouvir os tiros, o amigo de Gabriel desceu do edifício imediatamente e o encontrou caído. O estudante de direito foi encaminhado ao Hospital Anchieta, onde passou por cirurgia e ficou na unidade de terapia intensiva (UTI). Às 15h30, o jovem não resistiu aos ferimentos e morreu.


A reportagem apurou que um adolescente foi apreendido e um homem, preso. As investigações seguem em andamento a cargo da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte).

“Tranquilo e prestativo”

Gabriel morava em Maceió (AL) com os avós, onde cursava direito. Em junho, ele veio para Brasília viver com o tio. Admirado e amado pelos amigos e familiares, o jovem era tido como alguém prestativo e que gostava de auxiliar o próximo. “Era uma pessoa que ajudava a qualquer um a toda hora, tanto que morreu na tentativa de prestar socorro a um amigo”, frisou Dalton.


No Instagram, Gabriel tem mais de 20 mil seguidores e trabalhava como investidor financeiro. “Ele nunca deixou de falar onde ia. Todo lugar que estava, mandava uma mensagem de voz”, lembra o tio. A mãe de Gabriel mora em Portugal e estava a caminho do Brasil, até o fechamento desta edição. O corpo do jovem deve ser liberado hoje, e o sepultamento deve ocorrer amanhã pela manhã. (DD)

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