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Correio Braziliense
postado em 08/10/2021 22:13
 (crédito: Instituto LAL/Divulgação)
(crédito: Instituto LAL/Divulgação)

Instituto Lado a Lado

Alcançar a sustentabilidade dos sistemas de saúde público e privado é a grande luta da organização social (OS) sem fins lucrativos Instituto Lado a Lado pela Vida. A OS, que nasceu em 2008 como um portal de informações sobre o câncer de próstata, se transformou com o objetivo de mobilizar e engajar a sociedade e gestores da saúde, na tentativa de contribuir para ampliar o acesso aos serviços, da prevenção ao tratamento, e melhorar o cenário da saúde no Brasil. “É importante que as organizações da sociedade civil sirvam ao seu papel de fazer, realmente, transformações no país, seja na economia, seja na sociedade como um todo, e se atentar não apenas para um recorte. Temos que ter um olhar mais amplo de participação social na saúde que pode até ser construído ao longo dos anos”, diz Marlene Oliveira (foto), presidente e fundadora do Instituto.

Após a perda de um amigo médico urologista para o câncer de próstata em 2009, Marlene se sensibilizou pela causa que notou não ser tão discutida no Brasil: a importância da conscientização dos homens acerca da saúde. Nesse propósito, em 2011, o Lado a Lado pela vida lançou a campanha Novembro Azul, atualmente replicada em vários países do mundo e que, em 2021, comemora o aniversário de 10 anos.

Formada em jornalismo, um ponto de dificuldade apontado por Marlene no comando do Instituto é a luta diária contra as notícias falsas, e a relevância de comunicar informações corretas. “Na saúde, parece que, cada vez, as notícias falsas aumentam, e temos que tomar cuidado. Já ouvi falar até da recomendação de se tomar chá de graviola para curar o câncer de próstata. Temos que combater esse tipo de notícia falsa o tempo todo.”

Consciência coletiva e a administração da responsabilidade individual em cuidar da própria saúde são capacidades apontadas por Marlene como fundamentais para serem desenvolvidas por todos os cidadãos. “A solução não está na mão nem do público nem do privado, ela está na mão de todo mundo. Às vezes, achamos que, em relação à saúde, temos apenas direitos, mas temos deveres dentro do sistema, como por exemplo, não fumar, não beber em excesso, tomar as vacinas recomendadas, não posso ficar contando apenas com o plano de saúde ou com o SUS. A gente tem que ter consciência coletiva para a saúde e entender que, como cidadãos, também temos que fazer a nossa parte. Não só fazer o que me cabe, mas acompanhar o que é discutido. Existem consultas públicas abertas o tempo todo, e todos podem participar. Sempre achamos que a solução está na mão do outro, mas temos que nos unir e fazer juntos” defende.

 

 

 

Três perguntas / Marlene Oliveira,diretora do instituto Lado a Lado

Qual é o objetivo do Instituto? Como ele atua em prol da sociedade?
O grande cerne do instituto é criar campanhas de prevenção, conscientização para o diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação. Levar informação qualificada para o público leigo, para a sociedade, informação específica para que o paciente e seus familiares entendam a jornada dele, tanto no sistema público quanto no sistema privado de saúde, para que ele entenda o acesso e incorporação de tecnologia nesta área. Além disso, temos o trabalho de advocacy, que significa impactar positivamente o parlamento, os gestores públicos e privados, todos os agentes que dizem respeito à saúde. Falamos do ciclo completo da saúde e não apenas de um nicho.

Temos uma visão de políticas públicas pró saúde e de informação qualificada para a sociedade. É a única organização que atua simultaneamente nas duas maiores causas de morte do Brasil e do mundo, que são as doenças cardiovasculares e o câncer, sendo os masculinos de próstata, pênis e testículo e, no feminino, damos mais ênfase a colo de útero, ovário, endométrio e mama. Temos que discutir métodos de prevenção para os que podem ser evitados, como, por exemplo, a importância de tomar a vacina contra o HPV que pode evitar o câncer de colo de útero e o câncer de pênis, que amputa cerca de 1.600 homens todos os anos.

 

Por que é importante alertar a sociedade sobre os cuidados gerais com a saúde?
Porque, além de tentar criar uma cultura de prevenção que beneficia individualmente a cada um, os custos relacionados à saúde impactam a todo mundo, até mesmo empresas que não são da área da saúde, do setor automotivo a um ministério, isso é assunto de todos, pois tudo é formado por pessoas que podem adoecer. São necessários programas de promoção de saúde e não só que o funcionário tenha um plano privado de saúde, isso tem que fazer parte da estratégia da empresa. Temos que mostrar a importância do SUS, o sistema único de saúde, vital para todos os brasileiros, até mesmo aos que acham que não dependem dele, mas tomam vacinas, por exemplo. Desde o ano passado, com o início da pandemia, todos entenderam, mais do que nunca, que a saúde pode parar a economia e, consequentemente, ela pode parar tudo.

 

O que foi o Global Forum promovido esta semana pelo Instituto?
O 3º encontro internacional Global Forum — Fronteiras da Saúde foi um evento on-line que reuniu pesquisadores, empresários, economistas, parlamentares, gestores públicos e privados da área da saúde para debater e apresentar caminhos para combater a crise econômica do setor de saúde. Fundado em 2019, o fórum propõe aos distintos atores do ecossistema da economia e da saúde a deixarem de lado as agendas individuais e atuarem para mudar para valer a saúde no Brasil.

Desenvolvemos um grupo de trabalho que nasce para elaborar, durante um ano, a busca de soluções para um tema específico. O objetivo deste ano foi delinear caminhos e propor alternativas para a necessária e urgente questão da sustentabilidade dos sistemas de saúde público e suplementar, estabelecendo uma agenda propositiva e não, simplesmente, gerar mais conteúdo que não possa ser aplicado nas ações de políticas públicas e nortear decisões da iniciativa privada.

 

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