VIOLÊNCIA

Servidor da PF agride adolescente

Edis Henrique Peres - Renata Nagashima
postado em 08/10/2021 22:45
 (crédito: Reprodução/Camera de Segurança)
(crédito: Reprodução/Camera de Segurança)

Um adolescente de 13 anos foi agredido por um agente administrativo da Polícia Federal (PF) em um condomínio no Guará 2, por uma brincadeira de crianças. O circuito de segurança do prédio flagrou o momento em que o homem, identificado como Daniel Peruzzo Jardim, 44 anos, acertou o garoto com um chinelo, inclusive, no rosto.

As agressões aconteceram em 26 de setembro. De acordo com o advogado que representa a vítima, Júlio César Silva Pereira, algumas crianças brincavam no estacionamento do prédio e, em determinado momento, um dos meninos fez uma brincadeira com a amiga da filha de Daniel. “Uma das crianças escondeu a sandália da garota e a filha do agressor subiu chorando e falou para o pai”, detalha Júlio.

No mesmo instante, Daniel teria descido do apartamento e encontrado o par de chinelos próximo à vítima. “Ele pegou a sandália e começou a bater no menino e deu apertões no braço. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) constatou lesões no nariz e no braço. O nariz sangrava muito”, afirma Júlio.

O irmão mais novo do adolescente, de 7 anos, estava presente no momento das agressões. “Ele pedia para o homem parar”, conta o advogado. Após o ocorrido, os dois meninos voltaram para o apartamento e ligaram para a mãe, que trabalha na área da saúde. Abalada com a situação, ela decidiu voltar para a casa, e contou com a ajuda de um amigo. “Esse amigo viu que ela estava muito nervosa, por isso preferiu acompanhá-la até em casa.”

Ao chegar no condomínio, a mãe da vítima também sofreu ameaças por parte de Daniel. “Eles se deparam com ele no salão de festa. O agressor partiu para cima do amigo que acompanhava a mãe do adolescente e perguntou se ele era o pai do garoto. Quando o homem negou, o agressor disse que ele tinha acabado de se livrar de uma taca”, conta Júlio.

A mãe do adolescente agredido decidiu, então, acionar a Polícia Militar do DF (PMDF) e, ao comunicar o agressor, ele disse que bateria na polícia e nela também. O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Polícia (DP), do Guará. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Juizado Especial Criminal do Guará. O caso está tipificado como ameaça, difamação e lesão corporal. “Agora estamos aguardando um posicionamento do MPDFT”, diz o advogado da vítima.

De acordo com Júlio, a família conseguiu uma medida protetiva para o menor de idade e a mãe. “Ele não pode se aproximar mais de 500 metros. Também entrei com uma representação na PF, contra o agente administrativo, e vou buscar uma indenização de danos morais e materiais”, destaca o advogado.

A mãe do adolescente relatou que o menino está choroso e precisa de acompanhamento psicológico. A família está abalada e pensa em se mudar do condomínio.

Exonerado

Após conclusão do inquérito, Daniel Peruzzo Jardim perdeu um cargo comissionado no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MSJP) e responde agora por lesão corporal, ameaça e difamação. O Diário Oficial da União (DOU) publicou, em 6 de outubro, a decisão de suspender o cargo de agente administrativo do órgão. O homem é lotado em Natal, no Rio Grande do Norte, mas foi cedido ao Distrito Federal. Ele não reside no condomínio da família, mas frequenta o local para visitar a ex-mulher e a filha.

O Correio tentou contato com Daniel Peruzzo, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A Polícia Federal também não se posicionou sobre o caso, nem o Ministério da Justiça e Segurança Pública, para confirmar se a perda do cargo de Daniel se refere às agressões praticadas por ele. O espaço segue aberto para posicionamento da defesa de Daniel e também dos órgãos.

 

 

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