Eixo capital

Ana Maria Campos
postado em 09/10/2021 00:01
 (crédito: Michael M. Santiago/AFP - 20/9/21)
(crédito: Michael M. Santiago/AFP - 20/9/21)

Economia de votos
A notícia assustou a todos: setembro registrou a maior taxa de inflação dos últimos 27 anos, desde o Plano Real. Pesadelo para Bolsonaro. Ele vai tentar culpar a pandemia. Mas preços altos e em crescimento serão a pior dor de cabeça para o projeto bolsonarista de reeleição. O mau humor do eleitor no supermercado ou no posto de combustível — associado ao desemprego — deve se refletir muito nas urnas. A economia será bombardeada por Lula, que teve tempos de bonança mundial, ou do candidato tucano — qualquer que seja —, pelo legado de FHC no controle da inflação. O bolso vazio mexe muito com a disposição do eleitor.


Na Comissão de Ética Pública da Presidência
O chefe da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, é um dos sete conselheiros da Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Um dos principais integrantes do governo Ibaneis, Gustavo Rocha, que foi ministro de Temer, participará da análise do caso da offshore do ministro da Economia, Paulo Guedes, nas Ilhas Virgens Britânicas. O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) protocolou no órgão uma representação que contesta Guedes por manter uma conta em paraíso fiscal.


União
Candidato que terminou a eleição de 2018 em quarto lugar na disputa ao Palácio do Buriti, o general Paulo Chagas pretende se filiar ao Podemos e apoiar a candidatura do senador José Antonio Reguffe (Podemos-DF) ao GDF.


Bancada anti-MP
Em várias propostas, eles são antagônicos. Mas, em um ponto, os deputados Erika Kokay (PT-DF), Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF) e Celina Leão (PP-DF) pensam da mesma forma: são simpáticos à ideia de exterminar os poderes do Ministério Público. Os três parlamentares do DF estão entre os 185 que assinaram o pedido para tramitação da PEC 5/2021 — a chamada PEC do Gilmar Mendes —, de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP). A proposta de emenda constitucional dá um tiro de morte nas atribuições de promotores de Justiça e procuradores da República em todo o país. Assinar o requerimento de tramitação não significa concordância no plenário, mas é uma boa sinalização.


Parcial é quem denuncia ou condena meu político preferido
Uma mudança que chama a atenção: o corregedor nacional do Ministério Público poderá ser alguém de fora do MP. Significa o seguinte: o juiz que vai avaliar excessos de promotores e procuradores pode ser um assessor de algum político, por exemplo, indicado pelo Congresso — que tem vaga da Câmara dos Deputados e do Senado no CNMP. Curioso nessa história é que a proposta parte do PT, que chama o juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol de parciais. Alguém acredita que esse corregedor com indicação política será isento?


MPDFT perde mais
Num ponto, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) é mais atingido com a “PEC do Gilmar Mendes”. Pela proposta, fica suprimida a vaga do órgão no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O MPDFT passa a ser tratado como qualquer outro das demais unidades da Federação, e a vaga no conselho é disputada com os MPs dos estados.


O rolo compressor do PT
Lula tem garantido que, se for eleito, será paz e amor. Mas não se enganem: se ele voltar, o Ministério Público será punido. Na tropa de choque da caravana lulista, todos assinaram a tramitação da PEC 5/2021, que, aliás, é de autoria de um petista da diretoria, Paulo Teixeira (SP). Disseram sim ao corredor da morte do MP — como tem sido tratada a proposta entre procuradores — os parlamentares mais próximos de Lula: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Paulo Pimenta (PT-RS), José Guimarães (PT-CE) e Bohn Gass (PT-RS).


Mais oposição x Oposição
O pré-candidato do PSB ao GDF, Rafael Parente, rebateu as críticas que recebeu do deputado Fábio Felix (Psol) sobre sua pretensão de concorrer ao Buriti: “Tenho enorme respeito pelo deputado Fábio Felix, pelo Psol e por todos os partidos do campo democrático. Mas as afirmações do deputado são mentirosas. Reafirmo o que tenho dito a todas as lideranças: só será possível superarmos esse período tão difícil da história do DF e do Brasil com respeito, diálogo e união. Temos de ouvir, saber compor com quem pensa diferente e construir uma nova forma de fazer política e governar. Sem abrir mão dos nossos ideais e valores, mas conscientes de que, sozinhos, ficaremos só no discurso e não traremos soluções objetivas para os problemas reais do Brasil profundo. É assim que tenho conduzido minha pré-campanha e é com esse espírito que pretendo governar o DF: com respeito, diálogo e verdade”.


A frase
600 mil vítimas. Como se três Boeings lotados tivessem caído por dia, durante mil dias. E pensar que grande parte continuaria a viagem da vida, com escalas nos corações das famílias, não fossem o negacionismo e a omissão da torre de controle e do comandante-mor da nação brasileira.”
Senadora Simone Tebet (MDB-MS)

 

Só papos

“Aceito o convite apenas se for presencial. Portanto, não irei. Continuo à disposição e antecipo que o acervo da Palmares nunca foi tão bem cuidado. Passar bem.”
Sérgio Camargo, presidente da Fundação Cultural Palmares, sobre audiência na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados

“Mentira! Camargo fugiu do debate para tentar esconder seu caráter antidemocrático, racista e de profundo desprezo pela história e memória do povo negro. Um covarde!”
Deputada Erika Kokay (PT-DF), integrante da comissão de Cultura da Câmara

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