Obituário /

Flávio Di Pilla, 89 anos

Juiz aposentado chegou a Brasília como jornalista para registrar a inauguração da nova capital

Samara Schwingel
postado em 08/12/2021 00:01
 (crédito: Arquivo Pessoal )
(crédito: Arquivo Pessoal )

Flávio Di Pilla, juiz aposentado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), morreu, ontem, aos 89 anos. Ele teve falência múltipla dos órgãos, complicação do Alzheimer — doença com a qual convivia há dois anos. O magistrado a deixa mulher, Isabel Di Pilla, 63, três filhas, e três netos. Hoje, a partir das 13h, serão realizados o velório e o enterro, no cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. Flávio Di Pilla será sepultado na ala dos pioneiros, junto aos pais.

Isabel Di Pilla destaca que o marido viveu como queria. "Era um advogado muito capacitado. Foi uma vida muito bonita", avalia, após 21 anos de casamento. Natural de São Paulo, Flávio é um dos pioneiros de Brasília. "Ele chegou como jornalista, pelo jornal Última Hora, para cobrir a inauguração da nova capital. Aqui, depois de um tempo, se formou em direito e começou a exercer a profissão de advogado. Depois, passou para o concurso de juiz. Foi o primeiro lugar da turma dele", conta a viúva, com orgulho do companheiro. 

Isabel ressalta que Flávio era apaixonado pela profissão de juiz e não parou de trabalhar mesmo depois da aposentadoria. "Ele foi voluntário no Tribunal, em um programa especial da Corte. É uma história muito bonita", frisa. As três filhas e as netas de Flávio moram fora do Brasil e não conseguirão vir para o enterro. Um dos enteados vive nos Estados Unidos e, segundo a viúva, estará em Brasília para acompanhar a cerimônia

Voluntário

Amigo próximo da família, Maurício da Silva, 46, detalha que Flávio Di Pilla atuou no voluntariado enquanto a saúde permitiu. "Mesmo depois de aposentado, ele era voluntário no TJDFT para conciliação. Trabalhou até quando pôde. Fez muitos trabalhos sem cobrar honorários, mas o Alzheimer tirou ele da profissão", lamenta.

Isabel relata que Flávio conviveu dois anos com o Alzheimer. "Ele começou com perda de memória e foi agravando. Durante o último ano, ficou acamado, até que teve falência múltipla dos órgãos", detalha a viúva.

Maurício conta que o juiz aposentado recebia atendimento médico em casa, mas que, na última semana, devido a uma piora no quadro de saúde, foi internado na unidade de terapia intensiva (UIT) humanizada do Hospital Santa Lúcia, onde morreu. "Ele sofreu bastante, foram de nove a 10 meses acamado em casa, já não andava mais, tinha dificuldade para reconhecer as pessoas e de interagir. Mas, estava sempre sorrindo e sendo gentil com quem estivesse com ele", completa o amigo. "(Flávio) era uma pessoa muito querida por todos. Todo mundo que o conheceu sentiu muito a perda", finaliza Maurício.

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