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Dissimulações de um assassino

Wanderson pede perdão à ex-sogra, mas não diz o motivo de ter matado criança

Darcianne Diogo
postado em 08/12/2021 00:01

Sem esboçar emoção ou sentimentos, Wanderson Mota Protácio, 21 anos, acusado de cometer triplo homicídio em Corumbá de Goiás, chegou a pedir perdão à ex-sogra, mãe de Raniere Aranha, 19, — grávida de 4 meses e morta por ele a facadas — em depoimento prestado à Delegacia Regional de Anápolis. Trechos dos depoimentos foram obtidos em primeira mão pelo Correio.

"Peço perdão para a mãe dela (Raniere), mas acho que ela não vai me perdoar, não. Acabei com a vida dela e com a minha também", disse o caseiro, ao ser confrontado pelos policiais sobre o motivo que o teria levado a assassinar a mulher. Em outro momento, ele tenta justificar o feminicídio contra a jovem. "Ela (Raniere) pegou uma faca, e eu disse que ia embora. Ela disse: 'Pode ir'. Depois, veio para cima de mim com essa faca, para trás das minhas costas. Foi quando eu virei o cotovelo para o rumo dela e ela caiu", alegou.

Ao ser questionado sobre o assassinato da enteada, Geysa Aranha, de 2 anos e 9 meses, Wanderson permaneceu de cabeça baixa e apenas respondeu que golpeou a bebê com uma facada na região do pescoço. "Por que você matou a criança? [...] Então, você não sabe o motivo por que matou a criança? Por que tirar a vida da criança?", indagou uma das autoridades, mas o caseiro decidiu ficar em silêncio.

A Justiça de Goiás manteve a prisão temporária de Wanderson Mota. Além de assassinar a mulher e a enteada, ele também matou com um tiro o fazendeiro Roberto Clemente, 73. A Justiça também negou o pedido de transferência de Wanderson para a unidade prisional de Corumbá, feita pela defesa do criminoso. O pedido teve manifestação desfavorável do MPGO, tendo em vista as instalações do presídio da cidade.

Durante a audiência de custódia, realizada por videoconferência, Wanderson foi questionado sobre as condições da prisão e informou que não sofreu qualquer tipo de maus-tratos. Ele revelou, contudo, ter recebido ameaças de outros presos, embora esteja em cela separada. Diante disso, será oficiado à Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) que sejam garantidas as condições de segurança de Wanderson, mantendo a sua prisão em cela separada.

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