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Intervalo da D3 é reduzido

No DF, medida entra hoje em vigor, quatro dias depois da confirmação de mais dois casos da ômicron. Mais de 693 mil pessoas já podem tomar a dose de reforço. Imunossuprimidos estão aptos a receber a D4 também a partir desta terça

Ana Isabel Mansur
postado em 21/12/2021 00:01
 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Após o Ministério da Saúde anunciar que o espaço entre a segunda (D2) e a terceira (D3) doses das vacinas contra a covid-19 passaria de cinco para quatro meses, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), informou que a regra passa a valer no DF a partir de hoje. A mesma portaria da pasta federal autorizou a aplicação da quarta dose (D4) em pacientes imunossuprimidos. Ao Correio, o chefe do Executivo local afirmou que a medida também passa a valer a partir de hoje.

Segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF), 693.478 pessoas acima de 18 anos, que estariam aptas a receber a D3 a partir de janeiro, devem procurar os postos de atendimento. Segundo o documento do ministério, os pacientes com doenças graves devem procurar os postos de saúde quatro meses após terem recebido a D3.

A aplicação de doses extras em intervalos menores do que os previstos inicialmente é uma excelente estratégia para enfrentar a variante ômicron, conforme explica o infectologista Hermeson Luz. "Os estudos mostram que a terceira dose consegue manter a eficácia (das vacinas) em níveis consideráveis", aponta. De acordo com o médico, os níveis de anticorpos começam a cair ao longo do tempo.

"Mais ou menos a partir do quinto mês, a taxa já está bem abaixo do ideal — embora cada pessoa tenha uma resposta individual. A D3 aumenta essa resposta imunológica, retornando à eficácia conquistada logo após a D2. O grande objetivo de reduzir o intervalo é alcançar esse estado de imunidade com eficácia boa em um período mais curto de tempo, na maior parte das pessoas", observa o especialista.

Novos casos

A diminuição do espaço entre as doses veio em momento oportuno. Na última sexta-feira, a Secretaria de Saúde identificou mais dois casos da ômicron no DF. Um casal chegou a Brasília na segunda-feira passada, em voo direto que partiu de Cancún, no México, para a capital federal. Os dois ingressaram no DF com teste negativo, e, após novos exames, as amostras foram sequenciadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) e encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, referência pelo Ministério da Saúde, para validação. O homem, com faixa etária de 20 a 29 anos, e a mulher, de 30 a 39 anos, estão com sintomas leves e seguem em isolamento. Ambos estão vacinados com duas doses da Pfizer.

Os demais passageiros do voo estão sob investigação. Conforme a Secretaria de Saúde afirmou ao Correio, até as 16h de ontem, 62 passageiros haviam sido testados — sendo 33 com resultado negativo para covid-19, 15 com retorno positivo e 12 aguardando resultado. As amostras positivas "estão sendo sequenciadas pelo Lacen, que prevê a finalização do sequenciamento até quarta-feira (amanhã)", informou a pasta.

O Correio perguntou à companhia área Gol quantos passageiros residentes e não residentes no DF estavam no voo vindo de Cancún, além da entrega da lista com os nomes ao GDF. A reportagem também questionou o tempo que a companhia leva para compartilhar informações com as autoridades de saúde em casos como este. A empresa informou apenas que tem "obedecido todos os protocolos exigidos para embarque em seus voos internacionais com destino ao Brasil" e que "fornece informações apenas para autoridades competentes que apuram o caso."

Recomendações

O médico infectologista Werciley Junior aponta que a variante ômicron tem capacidade de contaminação mais rápida que as demais cepas. "Até agora, não sabemos se essa variante causa maior risco nem se apresenta baixa efetividade ante às vacinas, mas em quem não está vacinado, a ômicron pode gerar a doença de forma grave", alerta o médico. Apesar de haver poucos estudos sobre o efeito dos imunizantes disponíveis contra a ômicron, Werciley destacou que há diminuição, em média, de 70% a 80% das chances de desenvolvimento de formas graves.

"Para evitar contrair a doença, as vacinas podem não ser eficazes, mas diminuem a gravidade", observou o infectologista, ressaltando que as demais medidas de segurança devem ser mantidas. "Continuar com os cuidados de prevenção: uso de máscaras em locais de aglomeração e fazer a higiene das mãos e o controle de álcool. Tudo isso continua sendo importante", frisou.

Crianças

Em relação à vacinação de indivíduos entre 5 e 11 anos, Ibaneis Rocha afirmou, ontem, que aguarda orientações do Ministério da Saúde. "Vai depender da entrega de vacinas, porque a liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi diante de algumas normas que precisam ser seguidas. Então, precisamos aguardar o Ministério de Saúde para saber como será feito", pontuou.

Nova variante

A variante ômicron do Sars-Cov-2 foi identificada no fim de novembro em Botsuana, e depois na África do Sul. Não se sabe como a nova cepa surgiu. Uma hipótese em debate aponta que o vírus teria sofrido uma lenta mutação no organismo de uma pessoa com imunodeficiência, um processo que durou vários meses, até chegar à versão atual.

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