Yurubi González, 41 anos
Venezuelana, a engenheira veio para o Brasil em busca de uma vida melhor e para trabalhar e estudar. A imigrante morava, desde de 22 de dezembro, no prédio que desabou em Taguatinga. Com o incidente, ela viu os sonhos de uma vida indo embora. Agora, se abriga com a família em uma casa, em Samambaia. A venezuelana fechou o contrato e alugou um apartamento de três quartos, em que pagaria R$ 1 mil por mês. No pouco tempo em que ficou no imóvel, ela conta que não reparou em qualquer problema ou mesmo rachaduras. "Para mim, estava tudo normal. Não sabia desse risco tão grande, que poderia ter nos custado a vida", conta. Apesar das perdas, ela afirma estar grata por ter sobrevivido. "Em parte, me sinto tranquila, porque dou graças a Deus pela mulher que nos alertou disso tudo. Se não fosse ela, estaríamos ali", lamenta, apontando para os escombros do prédio.
Adriana Alves, 44 anos
A dona de casa morava no prédio há 13 anos. No dia do desabamento, ela tentou salvar o casal de cachorros que morava com a família no primeiro andar — que foi o único, por enquanto, com perda total. Durante toda a noite de quinta-feira, Adriana ficou imaginando onde os animais estariam. "Eu fui uma das primeiras pessoas a sair, só que eles não deixaram eu pegar os cachorros, que não ia dar tempo. E, realmente, não deu. Se eu tivesse voltado para pegar eles, o prédio tinha desabado. Foi muito rápido. Quando os bombeiros chegaram, foi questão de eu juntar os meus meninos, porque eu estava com quatro crianças em casa, descer e sair com a roupa do corpo. Peguei só a minha bolsa", lembra. Ontem, um dos animais surgiu dos escombros. "Quando eles acharam meu cachorro, me ligaram, e minha filha (Lanna de Alencar) foi lá buscar", conta aliviada.
Josilda Alves, 45 anos
No dia do ocorrido, a vendedora chegou do trabalho e encontrou os bombeiros embaixo do prédio, onde ela morava há seis anos. "Encontrei meus filhos fazendo as mochilas, e me disseram que tínhamos que sair correndo. Não deu tempo de pegar quase nada, só sair com a roupa do corpo", relata. Agora, ela está no hotel. "Eu não sei até quando vou poder ficar lá. Tem que ser até resolvermos essa situação", avalia. Josilda busca um outro lugar para morar e adianta que vai procurar a Justiça. "Com certeza, todos os moradores vão atrás dos direitos. Pagamos aluguel de R$ 1,2 mil todo mês, e tudo que a gente tinha lá dentro de casa foi suado", protesta. Ontem, ela estava na frente no prédio para conseguir pegar algum pertence, porém sem esperanças. "Não acredito que vá dar certo", lamenta.