CIDADANIA

Eleições de 2022 são oportunidade para adolescentes votarem pela primeira vez

População a partir dos 16 anos poderá participar das eleições de 2022. Para isso, é necessário obter o título de eleitor até outubro. Para cientista política, participação desse público é crucial, especialmente em comunidades vulneráveis

Pablo Giovanni*
postado em 24/01/2022 06:00
Por enquanto, atendimento presencial no TRE-DF está suspenso -  (crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Por enquanto, atendimento presencial no TRE-DF está suspenso - (crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O brasiliense que olha para o horizonte se depara com um 2022 de esperanças e dias melhores. Apesar da recente onda de contaminação pela covid-19 em vários estados e no Distrito Federal, a vacinação em massa da população caminha, e a quantidade de mortes provocadas pela doença caiu consideravelmente. Além disso, o ano é de eleições, o que pode gerar reveses em muitos contextos.

A pouco menos de 10 meses para o início do primeiro turno, partidos e candidatos começam a correr e alinhar para quais cargos pretendem disputar, seja deputado estadual — nos estados —, distrital, federal, para senador, governador ou a Presidência da República.

Ryan Henrick, 17 anos, morador de Vicente Pires, sonha ser jogador de futebol e diz que quer fazer valer o poder de votar. "As eleições estão marcadas para outubro, um pouco antes de eu completar a minha maioridade. Eu tenho o desejo de poder votar e estou empolgado", diz. "Eu quero a melhora do meu país e, por isso, não quero votar em branco ou nulo. Quero ter a sensação de poder escolher o rumo do Brasil, o melhor para mim, para minha família e para os amigos", afirma.

Com o sonho no coração de cursar ciência política, Polyana Alencar, 17, moradora do Gama, vai votar este ano pela primeira vez. Apesar de ainda não ter obtido o título de eleitor, a jovem considera o documento importante para todos com idade para votar, para ajudarem na construção de um país melhor. Interessada por questões sociais, a estudante diz estar ansiosa para o primeiro ano como eleitora. "Desde os tempos da escola, sinto que posso fazer a diferença por meio da política, que é um sistema que impacta várias vidas diariamente", opina.

Procedimentos

Para o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), o exercício da cidadania para reformar a democracia na hora do voto é sempre de grande importância. Em função da pandemia, os jovens que tenham completado 16 anos e querem fazer valer o poder do voto não poderão tirar o título de eleitor em um dos cartórios eleitorais da corte distrital. Isso porque o tribunal decidiu suspender, novamente, o atendimento presencial em decorrência da crescente do número de casos da covid-19 no DF.

A esse público, o TRE informou: "Não há por que se desmotivar". O motivo é que o título pode ser emitido pela internet também, por meio do site www.tre-df.jus.br, na aba "Eleitor e eleições". Em seguida, basta escolher o ícone "Atendimento remoto".

Problema social

Para a cientista política Nailah Neves, a participação dos jovens na política exercendo o poder do voto é menor, principalmente, entre a parcela da população que é negra e de áreas vulneráveis. O desinteresse dos adolescentes pelo tema pode se intensificar, segundo ela, em virtude da falta de uma educação política massiva nas escolas, o que culmina na diminuição da importância do voto entre muitos estudantes e, posteriormente, entre adultos.

"Esses jovens são os que mais precisam ser ativos politicamente, porque são os mais atingidos pelas decisões governamentais, mas também são os mais negligenciados pelo Estado. Os jovens periféricos, principalmente na pandemia, presenciaram a questão das políticas de saneamento, segurança e principalmente educacional.

A cientista pontua que não há dúvida da importância do jovem em relação ao título de eleitor e como eles podem definir o futuro do país, seja votando ou trazendo novas discussões e pautas para a família. Mas, para ela, é importante refletir quem são os jovens que estão tendo o direito a votar, quem tem acesso à educação política e que tem assistido às campanhas de incentivo para tirar o título eleitoral. Segundo ela, há negligência para a categoria de jovens que são vulneráveis.

Colaborou Eduardo Fernandes*

*Estagiários sob a supervisão de Ana Luisa Araujo 

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