Pandemia

Confira os tipos de máscaras mais adequados para se proteger da covid-19

Especialistas em saúde ouvidos pela reportagem detalham o nível de eficiência de cada tipo de item contra a variante ômicron do novo coronavírus e outros micro-organismos. Equipamentos de proteção individual (EPIs) de modelo PFF-2 e N95 são os mais recomendados

Júlia Eleutério; Pedro Marra; Edis Henrique Peres
postado em 24/01/2022 06:00 / atualizado em 24/01/2022 06:01
Desde o dia 14, uso de máscaras em locais abertos voltou a ser obrigatório. O descumprimento do decreto pode gerar multa -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Desde o dia 14, uso de máscaras em locais abertos voltou a ser obrigatório. O descumprimento do decreto pode gerar multa - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Diante do aumento de casos da variante ômicron, no Distrito Federal, — com 72 confirmados pela Secretaria de Saúde (SES) até 12 de janeiro — o uso adequado de máscaras de proteção se tornou cada vez mais importante. Isso porque a nova cepa é mais infecciosa, apesar de ser menos letal, conforme indicam autoridades sanitárias. Para orientar a população sobre a eficácia e uso correto de cada Equipamento de Proteção Individual (EPI), o Correio ouviu especialistas para orientarem sobre os cuidados com a saúde durante esta fase da pandemia de covid-19.

Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o infectologista Julival Ribeiro explica que as máscaras PFF-2 e N95 são as mais recomendadas para a proteção contra o novo coronavírus. "Além de prevenir a contaminação ou a infecção pelas gotículas em locais com aglomerações, como em transporte público, elas também previnem infecções por aerossóis, que são partículas menores do que as gotículas, e que podem permanecer no ar por alguns minutos em um ambiente fechado, por exemplo", esclarece.

Diretor-geral do Hospital de Base do DF (HBDF), Julival conta que a máscara cirúrgica, também conhecida como descartável, previne apenas a infecção por gotículas. "Ela não tem atuação em relação aos aerossóis, e também não se fixa tão bem na nossa face, com a lateral não muito ajustada", analisa. "O recado final que eu deixo é que a melhor maneira de se prevenir contra a covid-19 é usar a máscara", destaca.

Mesmo com a vacina contra a covid-19 disponível, a empresária Mônica Alves reconhece que não é o momento para flexibilizar os cuidados contra o vírus, porque sempre teve medo de se infectar. "Sigo me cuidando, não só por mim, mas pela minha família também", afirma a moradora de Arniqueira, que tem um marido com diabetes. "Sei o quanto é arriscado para alguém nas condições dele", complementa.

Questionada sobre o novo decreto do uso obrigatório de máscaras em locais abertos, Mônica diz que não vai mudar o hábito de se proteger em público. "Quanto às festas, entendo que temos que voltar ao velho normal, mas isso requer um tempo e cuidados também", opina. Ela aconselha à população a seguir as orientações sanitárias à risca para a situação possa melhorar. "Se a gente se cuidar, isso vai ter um fim logo", finaliza a empresária.

Epidemiologista da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), Wildo Navegantes orienta que as pessoas não deixem de usar as máscaras, mas para as que têm menos condições financeiras, que troquem as máscaras com maior frequência durante o dia. "A de pano, por exemplo, umidifica mais rápido, e precisaria de várias trocas, com duas ou três de reserva", explica. Para ele, as pessoas que saem cedo de casa e voltam tarde, precisam identificar o desgaste do objeto. "A máscara umedecida é um sinal de que ela está na hora de ser trocada, também quando está muito amassada", alerta.

Professor de epidemiologia no Programa Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, Wildo sugere que, para auxiliar no controle sanitário, os restaurantes deveriam oferecer papel para os clientes guardarem as máscaras. "O ideal é o mesmo papel que oferecem em padarias, e não o de plástico, que retém mais umidade, porque o de papel favorece a secagem mais simples", aconselha o especialista. 

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pri-2401-mascaras (foto: Thiago Fagundes)

Multas

De 18 de março de 2020 a 19 de janeiro deste ano, a Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) aplicou 1.193 multas por não uso de máscara de proteção facial. A pasta esclarece que a quantidade de multas pagas ou não depende da apuração individual de cada processo administrativo, "o que impossibilita a indicação precisa de quantas multas foram pagas ou não", informa. "O infrator está sujeito à multa de R$ 2 mil se for pessoa física, e R$ 4 mil se pessoa jurídica, sem prejuízo da interdição do estabelecimento", acrescenta a pasta.

Mesmo diante da volta da obrigatoriedade do uso de máscara de proteção em locais públicos, oficializada em 19 de janeiro em coletiva de imprensa do Governo do Distrito Federal (GDF), a DF Legal segue com as fiscalizações junto com outras instituições: Vigilância Sanitária, Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Instituto de Defesa do Consumidor (Procon), Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), de Segurança Pública (SSP), Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) e Polícia Militar do DF (PMDF). 

Importância da imunização

Além do uso de máscaras, a vacinação é outro recurso essencial para vencer as altas taxas de contaminação do novo coronavírus. No domingo (23/1), a Secretaria de Saúde imunizou 448 pessoas com a 1ª Dose (D1), 47 com a D2 e 373 com o reforço nos quatro pontos espalhados pela capital do país. Ao todo, o DF tem 2.347.019 pessoas imunizadas com a D1; e 2.162.102 com a D2, além de outras 58.410 doses únicas aplicadas (leia Raio-X da vacinação). Em termos percentuais, 72,74% da população brasiliense está com o ciclo de vacinação completo.

Ao longo desta semana, a campanha de imunização continua em diversos pontos do DF. Para quem procura a dose de reforço, basta ir a uma unidade de saúde quatro meses após ter tomado a D2. A aplicação de doses para as crianças é feita com a CoronaVac, para o público entre 6 a 17 anos, e com a Pfizer infantil, para o público a partir de 5 anos com comorbidades ou deficiências permanentes e, a partir de 8 anos, para as crianças sem comorbidades.

Na última sexta-feira (21/1), a taxa de transmissão (RT) atingiu o recorde de 2,61 — quando 100 pessoas transmitem a doença para outras 261 —, o maior valor atingido durante toda a pandemia no DF. No dia 14 deste mês, diante do aumento crescente de casos, a SES-DF mobilizou novos leitos na rede pública, com o objetivo de diminuir a taxa de ocupação de vagas de unidades de terapias intensiva (UTIs).

Raio-x da vacinação

Dados são atualizados diariamente pela Secretaria de Saúde

5 a 11 anos
Total: 268.208
D1: 27.145

12 a 17 anos
Total da população: 268.473
D1: 232.870
D2 e DU: 169.343
Reforço: 710

18 a 29 anos
Total da população: 605.454
D1: 459.120
D2 e DU: 413.409
Reforço: 31.684

30 a 59 anos
Total: 1.358.269
D1: 808.715
D2 e DU: 918.769
Reforço: 239.504

Mais de 60 anos
Total: 346.221
D1: 354.477
D2 e DU: 349.921
Reforço: 272.225

Fonte: SES-DF e Companhia de Planejamento do DF (Codeplan)

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