Entrevista | Valdir Oliveira | Superintendente do Sebrae/DF

Empreendedorismo é o caminho necessário

Para o gestor, investir no fomento dos negócios próprios é a única rota possível para o desenvolvimento da capital federal

Eduardo Fernandes*
postado em 22/03/2022 00:01

Despertar nas próximas gerações a vocação para o empreendedorismo é uma alternativa para o futuro, na visão de Valdir Oliveira, superintendente do Sebrae/DF. Ao CB.Poder de ontem, programa do Correio em parceria com a TV Brasília, ele alertou para importância de olhar para a juventude como forma de fomentar o segmento de inovação e autonomia em negócios próprios, para além da tradição de concursos públicos na capital federal.

Para a jornalista Ana Maria Campo, que conduziu a entrevista, ele também comentou a respeito das eleições deste ano, que precisam garantir ao empreendedor e ao eleitor uma sensibilidade e empatia para aqueles que foram impactados pelo momento pandêmico. "O estado precisa intervir o mínimo possível e ter o máximo de empatia", destacou.

Saiu o resultado de uma
pesquisa feita pela Escola
Nacional de Administração
Pública (ENAP): O ranking das
cidades empreendedoras no
Brasil. Brasília não figura mais entre as 10 cidades com mais possibilidade de empreender.
O que o senhor pode dizer
sobre isso?

A compreensão dessa pesquisa é importante. Saímos dos 10 primeiros lugares e tivemos uma queda comparada com outras cidades. É claro que Brasília tem uma característica diferente, uma vez que é uma cidade/estado e, com isso, tem um impacto diferente. Brasília caiu muito no ambiente regulatório. Tem um item que fala de localização, que nos deu uma pontuação pior. Quando você vai formalizar uma empresa, tem um ponto que é uma aprovação da localização, que acaba dando um prazo maior, de 13 horas e 59 minutos.

Essa localização tem a ver
com o ponto exato de
onde está Brasília?

A formalização de um negócio é a abertura, regularização, licenciamento e baixa. Abertura e baixa, em Brasília, está bem avançada. A parte do licenciamento é que tem muitos braços. Às vezes, você abre o negócio, mas não quer dizer que está autorizado a funcionar. É pura burocracia, e não tivemos um grande crescimento nesse tempo.

Acha que os bons empresários e empreendedores acabam pagando exigências que foram criadas justamente para evitar que os maus empresários exerçam atividades ilícitas?

Eu não diria que é um problema de maus ou bons empresários. O problema não é esse, é da cultura mesmo. Quando você pega um gestor de política pública que teve essa formação, ele sempre pensa em regras, onde não possui braços para analisar essas regras, muito menos para fiscalizar se você está ou não cumprindo. É uma forma que ele entende como proteção do interesse da sociedade. Você fica entulhado de papéis, não dá conta e coloca a culpa disso na burocracia. A culpa não é da burocracia e sim do modelo mental que tivemos ao longo do tempo para a formação do nosso estado. Não é que as pessoas sejam ruins, é o modelo mental. Precisamos, hoje, de um estado que intervenha o mínimo possível e tenha o máximo de empatia com aqueles que eles estão atendendo.

O senhor acredita que
ainda é bom abrir um
negócio em Brasília?

É o único caminho possível. Brasília das décadas de 1960 e 1970, que tinha um estado provedor, não existe e nem vai mais existir. Não vamos mais acreditar nisso. Hoje, só temos um caminho para as próximas gerações: o empreendedorismo. Agora, me preocupa muito as próximas gerações, por isso, no Sebrae, estamos realizando um esforço com os nossos estudantes. Temos um programa de educação empreendedora que nos últimos três anos cresceu muito com os estudantes da escola pública.

E a pandemia que deixou as pessoas assustadas, com medo
e dúvida em relação ao futuro. Isso atrapalhou o empreendedorismo em Brasília?

Mexeu muito, primeiro porque o grande legado dessa pandemia foi o empobrecimento dos mais pobres. Se falarmos de macroeconomia, indicadores econômicos, posso dizer que estamos voltando aquela república que tínhamos pavor, principalmente daquela inflação que era o grande bicho da nossa geração. A distribuição de renda, nós perdemos. O crescimento econômico que tivemos em determinado momento também perdemos. Hoje existe um fosso muito grande entre o pobre e o rico, e isso é um problema social gravíssimo para quem quer cuidar desta cidade.

O prazo para se filiar a algum partido vai até o dia 31 de março. O senhor pensa em filiar-se
a algum partido?

Eu estou avaliando essa possibilidade. Se será agora no próximo dia, no fim do ano ou ano que vem, vai depender do contexto que precisa ser avaliado.

Pensando nas eleições deste ano, quem o senhor acha que poderia ajudar nessa eleição?

Isso é difícil, porque quando você entra na disputa, significa que você escolhe lados. O governador Ibaneis tem sido extremamente cordial e parceiro comigo, pessoalmente e com o Sebrae. Agora, eu não sei quais serão os rumos políticos desse cenário aqui em Brasília, eu espero que seja um dos melhores. Creio que a eleição nacional vai influenciar aqui, porque Brasília vive muito esse cenário nacional.

*Estagiário sob a supervisão de Juliana Oliveira

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