ANIVERSÁRIO

Do Ceará para Ceilândia: "Quando cheguei aqui, era só poeira"

Maria da Conceição Ferreira Evangelista chegou a Ceilândia no início dos anos 1970. À época, tinha 7 anos

Naum Giló*
postado em 27/03/2022 05:01
 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Maria da Conceição Ferreira Evangelista, 59 anos, é uma das pessoas que podem falar com propriedade sobre Ceilândia. Cearense, ela fez parte das grandes jornadas de nordestinos que vieram ao Distrito Federal para ajudar a construir a nova capital do país e buscar melhores condições de vida. A chegada foi no início dos anos 1970, ela tinha 7 anos, à época. A família, inicialmente, morou no Gama nos primeiros anos, mas sempre visitava uma tia que vivia em Ceilândia, para onde se mudou em 1976.

"Cheguei aqui quando não tinha asfalto, era só poeira. Como não tinha água encanada, as pessoas ainda pegavam água no chafariz. Vi a cidade e as pessoas crescerem", rememora Conceição, que é bem conhecida dentro da comunidade ceilandense. Atuante na assistência social, ela é a quem muitas pessoas recorrem quando precisam de itens básicos como roupa, comida, móveis e remédios.

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Em Ceilândia, criou os filhos e teve o primeiro emprego como assistente social na administração da cidade, à época comandada por Maria de Lourdes Abadia, responsável pela remoção da antiga Vila do IAPI. Apaixonada por Ceilândia, Conceição guarda um carinho especial pela cidade que a acolheu desde sempre. A única entre os oito irmãos que tem ensino superior, a cearense se formou em pedagogia em uma faculdade na cidade. "Meu primeiro neto também nasceu em Ceilândia. Aqui, tenho muitos amigos, todo mundo me conhece".

Conceição relata que a evolução da cidade é perceptível. "Antigamente, quando precisávamos resolver ou comprar algo, tínhamos que correr para a W3 Sul. Hoje, o comércio de Ceilândia cresceu muito, a cidade tem muitos grandes empresários", constata ela, hoje empregada na Administração do Riacho Fundo 2. "Brasília é a capital do Brasil e Ceilândia é a capital de Brasília".

Defensora ferrenha da cidade, ela não aceita quem associa Ceilândia à criminalidade, garantindo que há exageros quando falam do assunto. "Antes de me mudar para cá, eu também tinha medo, por conta do que as pessoas falavam, principalmente sobre as invasões. Mas, quando passei a morar aqui, vi que não era bem assim. Hoje eu ando em Ceilândia sem medo", conta Conceição, agora moradora do P Sul.

Sobre o futuro da cidade, defende mais avanços na área da educação, embora celebre a existência do campus da Universidade de Brasília (UnB) em Ceilândia. "A UnB era para poucos. Era muito difícil um jovem de Ceilândia ingressar na universidade. Hoje isso mudou".

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

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