ANIVERSÁRIO

Cineasta ceilandense Adirley Queirós ganha projeção mundial

"O Brasil tem um cinema muito de vanguarda e bem potente. Trocas são importantes. Não há muita diferença em relação ao que eles (os europeus) fazem", diz Adirley

Ricardo Daehn
postado em 27/03/2022 05:01
 (crédito: Leo Lara/Universo Produção)
(crédito: Leo Lara/Universo Produção)

Foi da 44ª edição do festival de documentários Cinéma du Réel (Paris) que, ao lado da diretora Joana Pimenta, o realizador Adirley Queirós trouxe o Grande Prêmio para o filme Mato seco em chamas, coproduzido por Portugal. "O Brasil tem um cinema muito de vanguarda e bem potente. Trocas são importantes. Não há muita diferença em relação ao que eles (os europeus) fazem. Nossos filmes chegam à Europa e sempre estão entre os mais importantes", avalia Adirley, que tem Ceilândia como referência integral.

"Na verdade, prefiro estar aqui. Ceilândia é o lugar em que praticamente nasci e cresci. Vim pra cá com 5 anos, e estou aqui há quase 47. É o lugar em que me encontrei como gente e com o qual me relaciono", conta o consagrado cineasta.

Não trocar Ceilândia "por lugar nenhum do mundo" é meta fixa de Adirley. Não são apenas vizinhança, amigos e parentes que o prendem à terrinha retratada no longa-metragem A cidade é uma só?, feito pelo diretor em 2013. Acompanhar jogos de futebol e caminhar por botecos fazem parte da rotina do diretor. "Eu me construí por aqui, enquanto pessoa e cidadão. Penso o mundo e o levo a partir de Ceilândia", ressalta. Em campo, Adirley, até os 24 anos, deu vazão à carreira de atleta profissional, encerrada quando se machucou. "Eu era um jogador mediano, nunca fui espetacular, mas vivia disso", conta o ele, saído das escolinhas de base.

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A formação e o êxito no audiovisual são atribuídos à Universidade de Brasília (UnB). "Sem uma universidade, pública e gratuita jamais, eu teria encontrado o cinema. Devo tudo, como realizador, à UnB", sublinha.

O cinema, pelo resultado de filmes como Era uma vez Brasília e Branco sai, preto fica (melhor filme, pelo Festival de Brasília), tem servido de passaporte para viagens internacionais de Adirley que, pela terceira vez esteve no chamado Primeiro Mundo —, ao que ele, de pronto, contesta: "Primeiro mundo é onde vivo, articulo e converso. É onde me encontro. Prefiro a Ceilândia, sempre".

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