Entrevista/ Jorge Vianna, deputado distrital (PSD)

Em busca de mais autonomia

Ao CB.Poder, parlamentar avalia que o PSD vai ganhar força no DF e ressalta a destinação de mais de R$ 28 milhões para a saúde

Paulo Martins*
postado em 31/03/2022 00:01
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

De olho em mais um mandato no Legislativo local, o deputado distrital Jorge Vianna deixou o Podemos e filiou-se ao PSD, ontem. Ao jornalista Carlos Alexandre, o parlamentar ponderou que o retorno à sigla, a qual fez parte em 2014, foi motivado por liberdade política. "Eu preferi ir para um partido que me dá autonomia para fazer minhas críticas, e que eu seja nem de um lado nem do outro.", disse em entrevista ao programa CB.Poder — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília.

O que significa essa
nova etapa no PSD?

Eu estou retornando ao PSD. Em 2014, eu fui o deputado mais votado pelo PSD, mas não fui eleito por questões de coligação. Isso nos possibilita fazer essa mudança, principalmente baseando na polarização que há no Brasil, e não acho isso saudável. Eu preferi ir para um partido que me dá autonomia para fazer minhas críticas, e que eu seja nem de um lado nem do outro. Tenho certeza que o partido vai ser um dos mais fortes de Brasília. Preferi ir para um partido em que eu me sinto seguro para uma próxima legislatura.

Haverá uma renovação no partido em meio a algumas práticas iguais ou de retrocesso?

Os nomes são novos, nesta legislatura, mas cometem os mesmos erros. Espero fazer uma nominata forte para ajudar nas políticas públicas em Brasília. O partido tem que ser objetivo. Não adianta estar em um partido que não tenha ideologia, nós temos que ter ideologia: a minha é a da área de saúde — todos sabem disso e deixei bem claro que minha bandeira é a saúde, então tenho que ter liberdade para ter minhas críticas e participar.

Qual será seu posicionamento relacionado ao governador?

Hoje, faço parte da base aliada do governo. Na verdade, falo que sou aliado, mas não sou alienado. Eu votei muitas vezes contra projetos do governo: votei contra o Iprev (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal), assinei a CPI da Saúde, votei contra a expansão do Iges (Instituto de Gestão Estratégica de Saúde). Não mudo minhas convicções a não ser que me provem o contrário, mas não me provaram, então, permaneci assim. Não se pode estar sempre a favor, baixando a cabeça — isso não existe na Câmara, eu sou independente e de uma base que fortalece as políticas do Distrito Federal.

Sobre a CPI da Saúde, diria que é o problema mais grave do governo Ibaneis? Como isso será tratado na campanha?

A saúde é o gargalo de qualquer governo. Assinei a CPI por estarmos naquela situação, com secretário preso em meio à pandemia, no exercício do cargo. A gente tinha que tomar uma providência. Não podemos remoer e tripudiar na mesma tecla, temos que avançar. Pessoalmente, não posso fazer nada sem ajudar. Fui o deputado que mais encaminhou emenda nesses últimos três anos, mais de R$ 28 milhões para a saúde. Em um balanço das áreas gerais, a saúde ficou em terceiro ou em quarto lugar como prioridade, até a cultura veio antes. A saúde é prioridade mesmo? Para quem? Eu fui intitulado de "deputado da saúde", por falar muito disso, mais ainda por ser técnico de saúde e cobro muito por conhecer e saber do que se usa no chão do hospital até o equipamento mais moderno.

Como o senhor vê a falta
de profissionais de saúde?

Temos realmente um déficit e temos um índice alto de pessoas que adoecem, principalmente com uma pandemia. Há uma falta de interesse por parte dos médicos, porque não se paga bem e por não quererem trabalhar em áreas distantes do centro, o que é comum em todo Brasil. Mesmo com um número razoável de médicos por habitante no Distrito Federal, temos que saber como eles estão e onde eles estão para termos um balanço melhor da situação.

Qual raio-x o senhor
faz da sua legislatura?

O revolucionário na saúde é o Remédio Para Todos: uma lei minha, de 2019, que garante ao cidadão o acesso a medicamentos e insumos (fraldas, seringas e outros) em farmácias particulares, quando não tem em farmácias públicas. Quando a gente vai ao hospital público e não tem medicamento, o paciente compra em uma farmácia privada ou não toma o medicamento. Se ele não tomar o remédio, pode agravar uma doença como diabetes ou hipertensão e parar em uma UTI, onde a diária custa R$ 5 mil. Então, como um medicamento que custa de R$ 30 a R$ 40 não é fornecido, mas o Estado paga R$ 5 mil em uma diária de UTI? Tenho certeza de que muitos pacientes são internados por não terem seguido corretamente o tratamento medicamentoso.

Como é essa história da
lei dos personal trainers?
Essa lei está em vigor?

Fiz uma lei que garante ao cidadão ter um acompanhante profissional de saúde. O personal não é cliente da academia, ele é o acompanhante do cliente, e, nessa lei, eu deixo esse direito. A responsabilidade pelo personal é do aluno, incluindo valores de uso. Essa lei está em vigor.

*Estagiário sob a supervisão
de Guilherme Marinho

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