Crime

Golpe de WhatsApp: criminosos que fizeram vítimas no DF têm bens apreendidos

Os mandados foram cumpridos em Goiânia e em Tocantins. Os golpistas se passavam por parentes para pedir transferências por PIX para as vítimas

Correio Braziliense
postado em 05/04/2022 08:33 / atualizado em 05/04/2022 09:20
 (crédito: PCDF)
(crédito: PCDF)

Um grupo de criminosos que aplicava golpes pelo WhatsApp foi alvo de uma operação policial na manhã desta terça-feira (5/4). As equipes da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços de Goiânia e Tocantins. A Justiça concedeu ordens para sequestro de valores nas contas utilizadas pelos golpistas.

Envolvidos em uma série de golpes, os criminosos enganavam as vítimas, em sua maioria pessoas idosas, em conversas pelo aplicativo WhatsApp e as induziam a fazer depósitos por meio do PIX para as contas dos golpistas. Nas conversas, o grupo usava contas com fotos dos parentes das vítimas e demonstrava conhecer detalhes da família. Com isso, o diálogo se tornava mais convincente e era suficiente para enganar as pessoas.

Uma das vítimas chegou a fazer três depósitos, somando um prejuízo de R$ 20 mil, desconfiando de que seria um golpe apenas quando os golpistas pediram mais dinheiro pela quarta vez.

Em um dos celulares apreendidos, a polícia descobriu três listas de transmissão, totalizando mais de 450 pessoas. Essas listas são usadas pelos criminosos para buscar pessoas interessadas em alugar as contas correntes para receber os valores desviados das vítimas. Em alguns casos, essas pessoas recebiam 10% dos valores, o resto era sacado e entregue aos verdadeiros golpistas.

As pessoas que emprestaram as contas serão responsabilizadas pelo crime de lavagem de dinheiro. A polícia alerta que esses “alugadores de contas” devem saber que estão cometendo crime. Com efeito, o crime de lavagem de dinheiro, com 3 a 10 anos de reclusão, possui uma pena superior ao da própria fraude eletrônica, com 4 a 8 anos de prisão. Todos os criminosos foram indiciados pelos crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As penas somadas podem alcançar 26 anos de reclusão.

Com o cumprimento dos mandados de celulares e computador, a polícia espera encontrar outras vítimas, possivelmente espalhadas pelo território nacional, bem como outros indivíduos envolvidos no golpe. A 9ª DP orienta a comunidade do Lago Norte a registrar uma ocorrência, caso também tenha caído no golpe e reconheça o estilo das mensagens enviadas e contas usadas para o depósito.

Aumento de golpes

Segundo a polícia, tem-se observado uma progressiva sofisticação desses golpes. Os criminosos escolhem os alvos pela faixa etária e pelo padrão social. Antes de iniciar os contatos, eles buscam conhecer bem a rotina familiar por meio de pesquisas nas redes sociais.

Outra tática usada é a de selecionar vítimas de outros estados para dificultar o processo investigativo. Na operação realizada nesta terça-feira, o responsável pelo envio das mensagens residia em Tocantins e os indivíduos responsáveis por receber o dinheiro em Goiânia.

Essa já é a quarta operação deflagrada pela 9ª DP somente neste ano sobre essa mesma espécie de crime. A polícia reforça que a população deve ficar alerta e ter a certeza de com quem está conversando antes de efetivar depósitos.

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