Entrevista

Eleições 2022: Ibaneis dá largada à corrida eleitoral ao GDF

Ao CB.Poder, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) afirma que vai buscar o Buriti novamente este ano, no pleito em outubro

Denise Rothenburg
Ana Maria Campos
Eduardo Fernandes*
postado em 20/04/2022 05:47 / atualizado em 20/04/2022 05:48
Ibaneis pretende fazer a equiparação salarial de todas as categorias do GDF -  (crédito:  Ed Alves/CB)
Ibaneis pretende fazer a equiparação salarial de todas as categorias do GDF - (crédito: Ed Alves/CB)

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), confirmou a candidatura à reeleição, nessa terça-feira (19/4), em entrevista ao CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília. O chefe do Executivo local comentou os avanços realizados em seu governo, como reformas e melhorias em regiões administrativas, a exemplo do túnel de Taguatinga, projeto engavetado há anos e que deve ser concluído este ano; o viaduto que interliga o Recanto das Emas ao Riacho Fundo 2 e a obra de Corumbá 4, entregue há duas semanas.

O recorte, feito por ele, em conversa com as jornalistas Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, passa por um olhar positivo, mas que pode melhorar, uma vez que, para o governador, há muito trabalho a ser realizado. Pensando em mais um mandato, como os partidos que dão suporte servem de base ao presidente Jair Bolsonaro (PL), Ibaneis garante que o chefe de Estado terá palanque na capital federal. "Na oposição, está se desenhando esse cenário de divisão entre Lula e Bolsonaro. O PT, certamente, não estará comigo nas eleições do Distrito Federal", pondera o governador. Em caso de segundo turno, ele foi taxativo: caminhará ao lado de Bolsonaro.

O anúncio da chapa com vice-governador está previsto para o início de julho. Agora, Ibaneis trabalha junto à equipe de governo e aos partidos, para escolher o melhor nome para a parceria. Segundo o chefe do Buriti, essa decisão não passará somente por ele. "O calor do debate político começa agora. Tivemos algumas surpresas nas filiações, algumas mudanças de partido. Acho que, no início de julho, temos isso definido e partiremos para a campanha nas convenções", adiantou.

São 62 anos da nossa capital federal. Quais são os desafios para os próximos 60 anos?

Brasília tem diversos desafios. É uma cidade que foi feita pra ter uma população de 500 mil habitantes girando em torno do poder. Mas, ela cresceu bastante e se largou pelo Entorno do DF. Os desafios são muito grandes na área do emprego, da renda e na questão da saúde. Temos um grande polo de saúde. Atendemos todos os municípios do Entorno. Tivemos um problema sério que foi a pandemia, o que atrapalhou nosso caminhar. Tivemos um atraso muito grande, principalmente, na área da saúde e da educação. Agora, estamos em uma retomada nas áreas da saúde do emprego. Avançamos na questão da biotech, acreditamos muito nessa área de tecnologia. Temos, ao longo desses 60 anos, muita coisa para evoluir. Para consolidar a nossa capital, não do ponto de vista administrativo, mas, principalmente, do ponto de vista econômico.

Vemos pelas suas movimentações e conversas que o seu grupo o coloca como candidato à reeleição. Podemos dizer que está, realmente, nesse projeto de reeleição?

Eu só seria candidato se houvesse aceitação da população. Essa aceitação, pelo que é visto por todos nas pesquisas, que já são divulgadas, existe. Conseguimos fazer um movimento dentro da cidade. Para todos os lugares que se olha, há grandes obras que não aconteciam. O túnel de Taguatinga era um desafio há mais de 20 anos, o famoso túnel do Benedito. Conseguimos destravar esse túnel que estava parado. Tudo bem que existem recursos federais, mas estava lá, e nenhum tinha conseguido. A obra de Corumbá 4 foi entregue há duas semanas. Conseguimos interligar e colocamos para funcionar a obra do viaduto do Recanto das Emas e Riacho Fundo 2, pedida pela população desde a época em que foram constituídas as cidades. Isso em todas as áreas. Basta ver o hospital oncológico que está sendo construído. Construímos sete unidades de pronto atendimento (UPAs) e reformamos outras seis. Contratamos servidores, tanto na Secretaria de Saúde (Sedes) quanto no Iges-DF. Sou candidato justamente porque existem desafios, e eu gosto de desafios.

Há alguma obra para ser entregue antes das eleições?

Entregaremos, este ano, o túnel de Taguatinga e o viaduto do Recanto das Emas. Eu fico mais satisfeito em saber que elas estão acontecendo. Uma coisa que é muito reclamada é a questão da mobilidade. Essas obras de mobilidade são importantíssimas, concluímos o complexo viário Joaquim Domingos Roriz, melhorando a vida de milhares de pessoas que residem na região norte. Estamos fazendo a segunda entrada de Sobradinho. As pessoas passarão a chegar mais cedo em suas residências.

O seu lema de campanha serão as obras e o social?

A questão das obras é importante para Brasília desenvolver. Precisamos de muitas coisas na área de mobilidade. Temos de vencer a questão do BRT, ouço alguns dos meus opositores dizerem que precisamos trabalhar a questão do metrô. Contudo, o metrô só se trabalha em regiões planas. Com a tecnologia de hoje, você nunca terá um metrô ligando Plano Piloto à Sobradinho e Planaltina, por conta da elevação que existe.

Então, não é possível fazer esse metrô?

Com essa tecnologia de hoje, não. Muitos dizem que sim. Mas existem vários estudos. Temos que trabalhar na expansão de Samambaia, Ceilândia, e pensar, ainda, em uma expansão na região sul, no que diz respeito a ligação com o Gama, onde é mais plano, para que possamos ter uma mobilidade melhor.

Qual é a solução para a área de Sobradinho?

BRT é o que temos para oferecer à população. Existe o projeto pronto, só que é um projeto feito em parceria com o governo federal e não houve recursos para essa área. Então, retiramos aqueles gargalos que existiam, exatamente naquela saída de Sobradinho, que era o complexo viário Joaquim Domingos Roriz e a segunda saída de Sobradinho.

Como o senhor avalia a relação que teve nesses três anos e meio com o presidente Jair Bolsonaro?

Eu não tenho do que reclamar. Minha relação com o presidente Jair Messias Bolsonaro não é excelente, porque não sou íntimo e nunca busquei ser. Mas trato ele da melhor maneira possível, com muito respeito. Não temos nenhum tipo de oposição junto ao governo federal. Conseguimos avançar em vários temas antigos no DF, como a regularização fundiária. Conseguimos destravar um processo de mais de 50 anos, no que diz respeito à Vicente Pires e à Fazenda Sálvia, que teve as terras repassadas ao Distrito Federal. Grande parte das obras de mobilidade estão sendo feitas com recursos federais, liberadas pelo Ministério de Desenvolvimento Regional, via Caixa Econômica Federal. Temos um bom relacionamento, e digo mais, porque sei que é a próxima pergunta, que diz respeito às eleições. Os partidos da minha base, todos são partidos base do presidente Bolsonaro.

Isso significa que o senhor vai fazer campanha ligada à dele ou terá mais liberdade?

Ele terá palanque no Distrito Federal junto aos partidos da nossa base sem nenhum problema. Na oposição, está se desenhando esse cenário de divisão entre Lula e Bolsonaro. O PT, certamente, não estará comigo nas eleições do DF. Não esteve no passado e não estará agora. Isso faz com que caminhemos tranquilamente com o presidente Bolsonaro.

O seu partido tem a senadora Simone Tebet como pré-candidata. O senhor acredita que essa candidatura vai embalar? Qual a sua posição?

O MDB é um partido regionalizado. Temos o Norte e o Nordeste com uma característica mais próxima ao presidente Lula, que é o caso do Eulício Oliveira, do Renan Calheiros e outros líderes no Nordeste que trabalham alinhados com o presidente Lula. Quando você vem para a região Centro-Oeste, Sul e Sudeste, há um alinhamento maior com os partidos da direita. A Simone Tebet é uma candidata extremamente preparada. Sou fã da Simone, ela foi uma excelente senadora, com grandes pautas no Congresso Nacional. Ela é muito preparada. Mas sabemos que no momento político, ela não conseguiu galgar espaços para criar essa terceira via, assim como o ex-ministro Sérgio Moro e João Dória. Nenhum deles tem conseguido avançar nessa pauta para se colocar como candidato competitivo.

Na Convenção do MDB, o senhor vai defender que o partido tenha candidato?

Um partido do tamanho do MDB não pode deixar de ter candidato no primeiro turno. Ele tem que expor suas plataformas. Para um segundo turno que se desenhe, escolher um lado ou liberar todas as bases. Assim, ficaria mais fácil. Do ponto de vista partidário, entendo que o MDB precisa ter um candidato no primeiro turno. São muitas pautas que o MDB defende. Basta olhar as coisas que foram feitas no governo Temer, coma a reforma trabalhista. Temos pautas econômicas que são muito importantes. O MDB, ao longo de todo o período da democracia, sempre deu sustentação a todos os governos que passaram. Participamos de todos os avanços democráticos deste país. Um partido com essa envergadura não pode deixar de ter um candidato no primeiro turno ou, pelo menos, não deveria deixar de ter. No segundo turno, poderia liberar as bancadas para votar com quem quisesse.

Nesse perfil do MDB que, no Nordeste é muito ligado ao Lula e no Sul tem políticos ligados ao presidente Bolsonaro. A senadora Simone Tebet não corre risco de ser completamente abandonada, mesmo no primeiro turno das eleições?

Aconteceu com o Henrique Meirelles na eleição passada. Não duvido que aconteça nesta também. Ela tem um perfil muito forte, além de ser uma mulher bastante preparada, ela pode surpreender quando os debates se iniciarem.

O senhor pensa em colocar outra pessoa que não seja o atual vice-governador?

Hoje (terça-feira), tive uma conversa com o presidente do meu partido, Rafael Prudente, presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e entendo que esse é um debate que não passa só por mim. Eu vou, em algum momento, escolher esse vice. Mas esse é um debate que se dá dentro dos partidos da base. Temos a Flávia Arruda (PL), que é uma pré-candidata ao Senado, ocupando uma vaga majoritária. Dentro do PP, foi filiado, recentemente, o Fernando Marques que pleiteia a suplência da Flávia. Temos que fazer uma divisão dentro dos partidos da base para que todo mundo se acomode. Vou incentivar e pedir ao Rafael que, primeiramente, reúna os presidentes dos partidos, para que avancemos no debate da forma mais democrática e a escolha de um vice que venha atender todas as demandas, não só da nossa chapa, mas as prioridades do DF. O que eu posso dizer, em relação ao Paco, é que ele foi um grande companheiro ao longo desses três anos.

Qual será o tempo para essa definição?

No início de julho, teremos isso mais definido. O calor do debate político começa agora. Tivemos algumas surpresas nas filiações, algumas mudanças de partido. Acho que, no início de julho, temos isso definido, e partiremos para a campanha nas convenções.

Essa dobradinha, o senhor candidato à reeleição e a Flávia Arruda ao Senado está consolidada?

O que foi colocado e reafirmado, principalmente por ela, e também pelo ex-governador Arruda, é que a predisposição deles é de concorrer ao Senado. Isso tudo vai se desenrolar ao longo destes meses. Se entender que não deve partir ao Senado e pleitear um cargo de governadora, ela tem todo o direito de fazer isso. Flávia é uma política reconhecida dentro da cidade, teve mais de 100 mil votos na eleição passada, e terei que respeitar a decisão dela. Contudo, acredito que a nossa aliança esteja bem firme e tranquila. Aquela troca de palavras do governador Arruda não passou disso.

O senhor tem uma base ampla de partidos, com muitos representantes no Congresso e terá um tempo grande na TV para apresentar seus projetos. O PSD, o PP, o PL, o Republicanos, o MDB. Dá pra contemplar todo mundo na sua chapa majoritária?

Acredito que isso. Vamos ter uma redução muito grande no cenário, diferentemente do que eu encontrei em 2019, quando assumimos. Tínhamos 24 deputados e, dos 24 deputados distritais, 19 foram eleitos em partidos diferentes. Cada deputado era um partido. Fica muito mais difícil contemplar todos. Mesmo assim, nós conseguimos, por meio do diálogo, das parcerias com esses deputados e com os partidos, avançar e fizemos um governo, até o momento, bastante tranquilo. Não tivemos grandes problemas na Câmara Legislativa e na Câmara Federal, no qual também temos deputados que nos apoiam. No caso, temos a deputada Bia Kicis, que é bem atuante no Distrito Federal e, hoje, está na base, no PL. Temos a nossa querida Celina Leão, a Flávia Arruda, o Júlio César. Para a próxima eleição, pelas novas regras eleitorais, todos nós que avaliamos o cenário político, ficaremos em torno de oito partidos no DF. Será mais fácil contemplar esses parceiros que estão na eleição conosco.

Se houver um segundo turno, e o senhor estiver lá, vai buscar o apoio do PT?

Pelo que tenho visto do cenário político, tendo segundo turno entre Bolsonaro e Lula, eu devo caminhar com o presidente Bolsonaro. Não quero radicalizar o discurso, porque isso não importa para o Distrito Federal. Independentemente do presidente eleito, vou buscar ter um bom relacionamento. No DF, hospedamos todos os poderes públicos do país — Câmara dos Deputados, Senado Federal, embaixadas, tribunais superiores e a Presidência da República. Preciso ter uma boa relação com todos eles. Temos desafios no Distrito Federal que precisam ser vencidos. Um deles, é o da pobreza. Há um grande número de pessoas desempregadas, precisamos prestar assistência social a elas. Não adianta ficar nessa briga entre A ou B. O DF necessita de um Governo Federal que atenda as demandas da sociedade. 

Em relação a segurança, quais são os projetos para essa área? Na última semana, o jornalista Gabriel Luiz sofreu um ataque, mas houve uma resolução rápida.

Avançamos muito na área de segurança. Basta lembrar que, quando assumimos o Distrito Federal, tínhamos metade das delegacias fechadas, que não funcionam 24 horas. Conseguimos abrir as delegacias do DF e contratamos policiais. A Academia de Polícia Militar trabalha com todos os cargos cheios, desde o início do nosso governo. Melhoramos o efetivo e os equipamentos. Reduzimos quase todos os índices de criminalidade. Mas ainda acontece, e precisamos das soluções. Estão de parabéns a Polícia Civil (PCDF) e o Corpo de Bombeiros (CBMDF), que fez um atendimento rápido;e o Hospital de Base, que realizou todas as cirurgias. Não podemos negar que avançou, mas ainda tem muito que avançar. Os efetivos policiais diminuíram ao longo do anos, em razão das aposentadorias. Temos que recompor todos esses quadros.

Uma demanda das forças de segurança é a recomposição salarial. O senhor anunciou um reajuste de 10%, mas associações avaliam que a Polícia Civil teve um reajuste maior do que a da Polícia Militar.

Essa é uma discussão plástica. Na verdade, o cálculo que foi feito tem uma diferença de descontos. O da Polícia Militar é menor do que o da Polícia Civil. Na hora de fazer os abatimentos previdenciários e das contribuições de tributos, existe uma diferença entre as duas categorias.

A área técnica do governo calculou de uma forma que seja isonômica?

Foi feito para que os dois tivessem os 10% da mesma maneira. Aguardamos que o presidente Bolsonaro encaminhe essa recomposição. É um compromisso nosso com as forças de segurança do DF. Temos carreiras que ganham muito e outras que recebem bem pouco. Caso sejamos reeleitos, vamos trabalhar para dar racionalidade ao serviço público. Temos, dentro do mesmo grupo, pessoas que ganham 18 e outras 10. É preciso ter o nível médio e superior e ter salários equiparados em todas as categorias, para atender a todos da mesma forma, com todos ganhando aquilo que é merecido pelos serviços que prestam.

Isso seria um plano de reestruturação administrativo para um segundo mandato?

Eu quero começar isso agora. Pedi ao secretário Itamar que iniciasse os estudos reunindo as carreiras para que possamos retirar essas distorções. Ele vai sentar com todas as categorias para mandarmos uma proposta orçamentária que contemple alguma diminuição nessas distorções.

Isso pode acarretar novos concursos?

Precisamos de concursos. Todos aqueles que temos necessidades, estamos autorizados. Eu acredito no concurso público como uma forma de dar estabilidade dentro das relações do governo. Você precisa ter políticas de Estado formada, não só com governo. E, para isso, precisamos de servidores estáveis.

O senhor não defende a reforma administrativa que está tramitando na Câmara dos Deputados?

Acredito que tem muito a prejudicar. Ela tem alguns pontos positivos. Acredito que se pode dar, em determinados momentos, uma liberdade para o administrador público. Tivemos, por exemplo, a pandemia, e precisamos criar uma proposta de emenda constitucional (PEC) para autorizar a contratação de servidores da saúde. Você precisa dar uma mobilidade para esse gestor público em casos emergenciais. Se tiver que fazer um concurso público, até chamar um servidor, demora cerca de um ano. Sendo assim, não se consegue cobrir casos emergenciais. Precisa ter algumas aberturas, que a proposta contempla.

Em relação a pandemia, o senhor está mais seguro de que as coisas estão mais tranquilas, de que há leitos nas UTIs, caso sejam necessárias mais internações?

Essa virada de chave no serviço público é muito difícil. Passamos isso entre a primeira e segunda onda. Tivemos momentos de bastante dificuldades, porque você precisa retirar pessoas que estão hospitalizadas, porque não consegue, simplesmente, criar leitos de UTI, eles não saem do nada. O que se pode fazer é remanejá-los para o atendimento da covid-19.

*Estagiário sob a supervisão de Guilherme Marinho

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