Aniversáro Brasília /

Renovado, Catetinho reabre ao público em programação especial

Espaço que abrigou JK durante a construção da capital federal participa das comemorações de 62 anos da cidade. História e beleza em uma área de preservação

ANA MARIA POLTHAÍS MOURA
postado em 21/04/2022 06:00
 (crédito: Thais Moura/CB/D.A Press)
(crédito: Thais Moura/CB/D.A Press)

Um palácio de tábuas, com estrutura de madeira singular, e símbolo de que tudo era possível para a nova capital do Brasil. Em meio a uma área de preservação ambiental, com traços da arquitetura modernista de Niemeyer, está o Catetinho, primeira residência oficial do então presidente Juscelino Kubitschek em Brasília. O espaço que nasceu para acomodar o chefe da República, enquanto as obras do Palácio da Alvorada não eram concluídas, passou dois anos fechado para um processo de revitalização. Entretanto, hoje, é reaberto para comemorar os 62 anos de Brasília.

  • Ao todo, foram investidos R$396,6 mil na manutenção do Museu do Catetinho que passou por várias etapas em seu processo de revitalização Thais Braga/CB
  • Ao todo, foram investidos R$396,6 mil na manutenção do Museu do Catetinho que passou por várias etapas em seu processo de revitalização Thais Braga/CB
  • Maria da Conceição, 91, lembra da época em que trabalhou no Catetinho Thais Moura/CB

Ao todo, foram investidos R$ 396,6 mil na manutenção do Museu do Catetinho que passou por várias etapas em seu processo de revitalização. O espaço, que recebeu pinturas externas e internas, teve a limpeza de forros e a troca de peças de Ipê que foram comprometidas. Orifícios na estrutura receberam tela e espuma para evitar entrada de insetos e outros animais. O piso de cimento do pilotis foi recomposto, assim como as vigas e pilares, que também ganharam um verniz novo. Já os banheiros, receberam limpeza dos revestimentos.

Durante a manutenção, o acervo de 466 itens, entre peças de mobiliário, utensílios, livros, discos e outros objetos que JK utilizou até 1959 — quando ficou pronto o Palácio da Alvorada — foi embalado e armazenado no Centro de Dança, espaço cultural da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec). Agora, toda a coleção pode ser vista por moradores e turistas da capital, que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a construção. De acordo com a gerente do Catetinho, Artani Grangeiro, em 2019, o espaço recebeu quase 45 mil visitantes, sendo 40% de estudantes, 23% do DF, 36% de outros estados e 1% do exterior.

Com a reabertura, mais turistas terão acesso ao espaço. "O Catetinho tem uma memória afetiva, não só para o brasiliense, mas também para o brasileiro. Durante o período em que estivemos fechados, recebemos muita ligação. As pessoas querem visitar, não só pela parte histórica, mas também pela área verde que temos aqui", pontua. O Museu está plantado numa espécie de santuário ecológico, na Área de Proteção Ambiental das Bacias do Gama e Cabeça de Veado e na Área de Proteção de Mananciais Catetinho.

Patrimônio tombado pelo Iphan, em 1959, esteve ameaçado pela ação do tempo. Cupins, brocas e outros insetos xilófagos (que se alimentam de madeira) encontram no Catetinho um convidativo repasto. Esse ambiente obrigou a Gerência de Conservação e Restauro a recorrer a tintas com alta resistência às ações climáticas e que contêm fórmula fungicida moderna e de efeito prolongado, além de resinas que repelem água e evitam o empenamento da madeira.

Além de ser um marco arquitetônico, o Catetinho é símbolo da história da cidade. É o que explica o secretário de Cultura do DF, Bartolomeu Rodrigues. "É um monumento símbolo da construção de Brasília, do esforço monumental dos idealizadores da nossa cidade", cita. Ainda, o chefe da pasta diz que o espaço representa toda a jornada de pioneiros que construíram Brasília.

A arquiteta, mestre em patrimônio e preservação, Maritza Dantas conta que a relevância arquitetônica do espaço é nacional. "Brasília nasce com o ele, que foi a primeira edificação oficial de Brasília", cita.

Medalha 'Seu Teodoro'

Com o intuito de celebrar agentes de importância no cenário cultural do Distrito Federal, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa vai homenagear, ainda, algumas pessoas, durante a cerimônia de reabertura do Museu do Catetinho, através da Medalha do Mérito Distrital da Cultura 'Seu Teodoro'. Dentre os contemplados, está o editor chefe do caderno de Cidades e Cultura do Correio Braziliense, José Carlos Vieira. O reconhecimento visa o fortalecimento das identidades, da diversidade e do pluralismo cultural do DF.

 


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