Obituário

Eduardo Dantas Ramos, 89 anos

Nascido em Petrópolis, o pioneiro veio à capital em 57, para trabalhar na administração da Novacap, na época da construção de Brasília

Arthur de Souza
postado em 24/04/2022 00:00 / atualizado em 24/04/2022 00:00
Eduardo e sua esposa, Norma, no dia do casamento. -  (crédito: Arquivo pessoal)
Eduardo e sua esposa, Norma, no dia do casamento. - (crédito: Arquivo pessoal)

Morreu, aos 89 anos, Eduardo Dantas Ramos, um dos pioneiros de Brasília. Ele foi vítima de uma pneumonia, que teve como consequência um infarto. Estava internado no Hospital Brasília, há um mês, e acabou não resistindo à doença. Nascido em Petrópolis, Eduardo veio à capital em 1957, para trabalhar na administração da Novacap, na época da construção de Brasília.

Nas terras candangas, conheceu sua esposa, Norma Freire de Carvalho, com quem ficou casado durante 59 anos e teve três filhos: Maria Augusta, Maria Beatriz e Eduardo Dantas Ramos Junior. Ao Correio, as irmãs revelaram como os pais sempre foram chamados por quem os conhecia. "Era sempre 'doutor' Eduardo e 'dona' Norma", brinca Beatriz. Elas também contaram um pouco sobre como era o pai. "Nossa família e, principalmente meu pai, tem uma relação muito íntima com Brasília. Ele sempre dizia que Brasília mudou a vida dele para melhor, e que foi um evento fundamental na vida adulta dele, sair do Rio para construir a capital do país", recorda Augusta.

Pessoa dedicada

De acordo com Maria Beatriz, o pioneiro ensinava os valores para a família de formas diretas e indiretas. "Era uma pessoa honesta, que tratava desde o motorista, até os presidentes das maiores empresas do mesmo jeito. Ele fazia amizade com todos e nos ensinou a tratar pessoas de uma forma que encantasse, que fizesse o outro se sentir respeitado", orgulha-se. "Além disso, era um cara brincalhão e sério ao mesmo tempo, quando precisava ser", frisa.

Beatriz também contou como seu pai tratava os amigos. "Ele os amava e estava lá para todas as horas. Todo mundo podia contar com o meu pai", garante. Maria Augusta concordou com todos os pontos citados pela irmã e acrescentou que "ele era dedicado, uma pessoa maravilhosa e que eu amava de paixão. Vou sentir muita falta dele".

'Avôzão'

Além do amor pelos amigos, Maria Beatriz diz que ele descobriu, em ser avô, algo que não havia experimentado como pai. "Acho que ser avô, para ele, foi um amor tão grande, que o fez ir de um paizão para um 'avôzão'. Ele babava por todos os netos, brincava e rolava, algo muito especial", pondera. Ela garante que Eduardo nunca perdeu o brilho nos olhos que tinha desde jovem. "Até nos seus últimos dias, na cama do hospital, ele tinha esse brilho, que a gente nunca vai esquecer", conta.

Eduardo Dantas deixa, além da esposa e dos três filhos, quatro netos. A família informa que haverá uma missa de sétimo dia pelo seu falecimento e convida todos amigos do pioneiro. A celebração será realizada nesta segunda-feira, às 18h30, na Paróquia São Pedro de Alcântara (Lago Sul). "Desde já, os familiares agradecem a todos que comparecerem a este ato de fé e homenagens a ele que nunca sairá de nossas memórias", disse a família, em nota.

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