BRASÍLIA 62 ANOS

Exposição no CCBB mostra como as capas do Correio contam a história de Brasília

Quem visita a mostra Brasília e Correio Braziliense: 61 1 anos de história, além de saber um pouco mais da relação entre o jornal e a capital, pode conhecer as principais manchetes do ano em que nasceu

Júlia Eleutério
Arthur de Souza
postado em 25/04/2022 06:00
 (crédito:  Carlos Vieira/CB)
(crédito: Carlos Vieira/CB)

Desde a última quinta-feira, a exposição Brasília e Correio Braziliense: 61+1 anos de história, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), exibe todas as capas de 21 de abril desde 1960. A mostra ficará aberta ao público até 20 de maio, com 62 painéis de conteúdos multimídia. A equipe do Correio esteve ontem no local para conversar com visitantes que observavam a primeira página do jornal no ano em nasceram ou que, de alguma forma, as marcaram durante a vida.

Passeando pelo Centro, Débora Lima, 56 anos, ficou curiosa ao ver as capas do Correio no dia do aniversário de Brasília. Nascida em 1966, ela se surpreendeu ao saber que, no ano do seu nascimento, a Estrada Parque Taguatinga (EPTG) estava sendo duplicada e o Hospital Santa Lúcia, inaugurado. "Nossa, olha como era e se chamava Casa da Saúde", comenta a aposentada. "Era só cerrado nessa época ainda", destaca a moradora do Sudoeste.

Débora recorda que a mãe conheceu Brasília pela primeira vez em 1960, ano da inauguração, quando ganhou uma viagem do presidente Juscelino Kubitschek. "A minha mãe veio aqui logo que inaugurou. Juscelino foi paraninfo da turma dela. Ela se formou na escola em Minas Gerais. Então, o então presidente pagou uma viagem para ela conhecer a nova capital do país", lembra. Aproveitando a exposição, ela foi olhar a capa do jornal de quando tudo começou. "Tenho as fotos que ela tirou dos lugares ainda com bastante terra em frente aos monumentos", comenta.

  • 24/04/2022 Crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Exposição das capas do Correio Braziliense do dia 21/04 no CCBB. Na Foto Débora Lima com a capa do ano em que nasceu. Carlos Vieira/CB
  • A mostra permite ao visitante conhecer as manchetes de 21 de abril ao longo de 62 anos Carlos Vieira/CB
  • 24/04/2022 Crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Exposição das capas do Correio Braziliense do dia 21/04 no CCBB. Carlos Vieira/CB
  • 24/04/2022 Crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Exposição das capas do Correio Braziliense do dia 21/04 no CCBB. Carlos Vieira/CB
  • 24/04/2022 Crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Exposição das capas do Correio Braziliense do dia 21/04 no CCBB. Carlos Vieira/CB

Nostalgia

Pai e filha, Rômulo e Luana Berredo, 54 e 17 anos, respectivamente, também foram até a exposição. A estudante comenta que buscou a capa do ano em que nasceu e ficou surpresa. "É a mais colorida que tem aqui, então foi a que eu mais gostei. Além disso, sempre fui fã da Turma da Mônica. Não fazia ideia de que a capa seria algo que eu gostasse tanto", diz Luana. Rômulo revela que fez um pequeno teste com a filha, por meio da capa de 2004. "Fiz ela identificar os monumentos de Brasília, uma vez que nasceu aqui, quis ver se conseguia adivinhar. Acertou quase todos", aprova.

Ele afirma que também esteve na capa do ano em que nasceu. "As notícias não eram muito boas, principalmente a manchete. 1968 foi um ano conturbado", lamenta. Delegado da Polícia Federal (PF), Rômulo mostra que, em meio a uma capa com várias notícias ruins, existe uma que considera boa, e destaca a manchete: "Federais atrás do ouro". "Como é da minha profissão, ela chamou a minha atenção. Foi uma apreensão boa que foi feita na época", comemora.

Sobre estar em um ambiente em que as pessoas conseguem reviver todas as manchetes do aniversário de Brasília, o servidor da PF conta que isso é pura nostalgia. "Acho que quem passa por aqui tem a mesma sensação de andar pelos monumentos da cidade, pois também conta um pouco da história. Você vai vendo e lembrando de algumas coisas", destaca. "Vimos uma manchete de uma corrida de remo no Iate Clube, algo que, na época, era uma superaventura", recorda Rômulo.

(Re)lembrança

Para a empresária Cristina Sousa, 50, a capa do ano em que nasceu (1972) não a marcou tanto. No entanto, ela ficou surpresa ao recordar o caso do índio Galdino na manchete de 21 de abril de 1997. "Eu acho que a (capa) do índio foi a que mais impactou, porque eu não lembrava que tinha sido no dia do aniversário da cidade", ressalta a moradora de Vicente Pires.

A empresária se referia ao assassinato do cacique da tribo Pataxó Hã Hã Hãe Galdino Jesus dos Santos, morto em uma parada de ônibus na 503 Sul, em 20 de abril, véspera do aniversário da cidade. Cinco amigos, que deixavam o Centro Comercial Gilberto Salomão de carro rumo à Asa Sul, após uma noitada, atearam fogo no índio enquanto ele dormia. À época, o caso teve grande repercussão.

Nascida em 1946, a aposentada Algecira Castro, 76, não tinha a capa do ano em que nasceu, mas não perdeu a oportunidade de fotografar as manchetes dos aniversários de Brasília. "Acompanho o jornal há muitos anos. Ele é a história da nossa cidade. Registra tudo", diz a moradora do Lago Norte. Algecira reside na capital há 52 anos e construiu sua história em Brasília. "Telefonei para os meus netos para eles virem também ver as capas de cada ano", comenta a idosa, querendo mostrar para os netos os acontecimentos em cada aniversário da capital.

A exposição

O evento foi aberto no dia dos aniversários de Brasília e do Correio, resultado da parceria entre o jornal e o CCBB. A mostra fica aberta até 20 de maio durante todos os dias da semana.

Além dos painéis, na exposição tem uma cabine com as capas dos cadernos especiais dos aniversários de Brasília. O cenário é propício para tirar fotos com imagens históricas para as mídias sociais e está à disposição do público. Há ainda uma redação mirim, montada na área externa do CCBB, onde crianças podem ouvir as histórias da construção de Brasília.

 

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