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Golpitas levaram meio milhão

Infiltrado em redes sociais, grupo chantageava vítimas com imagens íntimas obtidas por perfil fake

Ana Maria Pol
postado em 30/04/2022 00:01
 (crédito: Reprodução/PCDF)
(crédito: Reprodução/PCDF)

Uma organização criminosa com ramificações no Distrito Federal, especializada em obter imagens íntimas e chantagear os autores, faturou mais de R$ 500 mil em depósitos de pessoas que pagaram para não serem expostas. A prática conhecida como "sextorsão" (extorsão sexual), fez mais de 15 vítimas de diferentes estados. Ontem, policiais civis da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) foram até a cidade de Campo-Bom (RS) para cumprir mandados de busca e apreensão. Apesar de não prenderem nenhum suspeito, os agentes encontraram, na conta principal que os criminosos utilizavam, depósitos que variavam entre R$ 4 mil e R$ 220 mil.

Infiltrados em redes sociais, o grupo criava perfis fakes de mulheres e buscava pessoas mais velhas com alto poder aquisitivo. Após fazer o contato por mensagens, iniciava o assédio. O perfil falso fingia interesse e obtinha o contato de WhatsApp das vítimas, prometendo uma interação mais reservada.

No aplicativo, os golpistas enviavam nudes de uma suposta mulher e pediam imagens comprometedoras. "Um dos criminosos fazia contato e começava uma relação de intimidade", explica o delegado Erick Sallum, da 9ª DP. Depois das trocas de imagens, outros membros informavam que a mulher do perfil é, na verdade, uma adolescente de 13 anos. Com isso, eles começavam as ameaças e passavam a extorquir as vítimas, pedindo altas quantias. "Diziam que fariam ocorrências para pedir a prisão das vítimas", diz o investigador.

Quando havia resistência em fazer os pagamentos, para dar credibilidade ao teatro, o grupo enviava vídeos nos quais os supostos pais da menina estão na polícia falando com o delegado. "São vídeos muito bem elaborados, em ambientes que simulam uma delegacia, inclusive com armas e distintivos. As vítimas se sentem ameaçadas e passam a fazer depósitos nas contas dos criminosos", conta Sallum. Outras vezes, os criminosos também ligavam fingindo ser da própria polícia e solicitavam o dinheiro para arquivar a ocorrência.

Após entregarem os valores, os enganados recebem um vídeo em que um celular é destruído são informados de que as mensagens não existem mais. Os vídeos, de acordo com o delegado da 9ªDP, foram usados diversas vezes por outros grupos e seguem o mesmo roteiro. Apesar de ser um golpe recorrente, Sallum diz que muitas pessoas acreditam, e faz o alerta: "Pedimos a ampla publicação e divulgação para que a população fique ciente de que são teatrais e mentirosos", informou.

Apesar de muitas vítimas optarem por não denunciarem, por sentirem-se envergonhadas, o delegado afirmou que após a divulgação do caso — e até a última atualização da reportagem — mais três pessoas entraram em contato com a polícia civil, dizendo terem sido vítimas do mesmo crime. "A população começa a ver, enxergar o crime e acabam denunciado, o que é de suma importância", reitera.

A polícia acredita que, além do DF, a organização tem integrantes em Minas Gerais (MG), Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT), Goiás (GO), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). Uma das vítimas chegou a pagar R$ 220 mil ao grupo. Os valores eram depositados de maneira fragmentada, em dezenas de contas, que depois eram concentradas em um criminoso.

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