Damares pode empurrar Flávia para o governo

Correio Braziliense
postado em 04/05/2022 00:01

Aliados da deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) querem que o governador Ibaneis Rocha (MDB) coordene a frente de partidos que apoiam a reeleição e busque uma saída para o confronto instalado com o lançamento da pré-candidatura da ex-ministra Damares Alves (Republicanos) ao Senado. Nos bastidores, eles reivindicam que Ibaneis procure o presidente Jair Bolsonaro e acerte a composição da chapa. No PL, cresce um sentimento de que Flávia não deverá disputar o Senado com Damares, se a candidatura da ex-ministra bolsonarista vingar. Surge assim, um plano B que apoiadores de Flávia aplaudem: uma candidatura dela ao Governo do Distrito Federal, com Damares ao Senado e, ainda, puxando o PP. Nos bastidores, eles sonham até com o União Brasil no bloco de partidos de apoio à candidatura da Flávia.

Conciliação

Flávia Arruda não quer entrar nesse embate com o governador Ibaneis Rocha. Acha que não é o momento de disputar o governo e está animada com a possibilidade de chegar ao Senado. Prefere uma conciliação. Mas seu destino está muito amarrado às decisões do presidente Jair Bolsonaro.

Problema é do PL

No grupo de Ibaneis, o sentimento é o de que cabe ao PL, com Valdemar Costa Neto, Flávia Arruda e o ex-governador José Roberto Arruda procurarem Bolsonaro e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e resolver o assunto.

Rafael e Leila tentam selar
aliança para as eleições

Com a intermediação do deputado Professor Israel Batista, que acaba de ingressar no PSB, o ex-secretário de Educação Rafael Parente e a senadora Leila Barros vão tentar uma parceria nas eleições ao governo. Eles estiveram juntos, ontem, e acertaram até uma possível união, sendo que um abra mão da cabeça de chapa para o outro no momento do registro das candidaturas. O problema é saber quem tem mais condições de se sair melhor na disputa ao Buriti. Amigo de Leila, grande incentivador do ingresso da atleta de vôlei na corrida ao Senado em 2018, Israel vai tentar unir os dois. Se der certo, será o padrinho desse casamento político.

Entrave (quase) intransponível

Um dos entraves dessa união é o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. Ele não esquece o rompimento da senadora Leila Barros com o partido, legenda pelo qual se elegeu senadora em 2018, com apoio e estrutura financeira do fundo eleitoral. No lançamento da pré-candidatura de Rafael Parente ao governo, no ano passado, Siqueira retrucou abertamente o ex-governador Rodrigo Rollemberg, quando ele declarou que a sigla deveria buscar uma aliança com Leila. Em conversas políticas recentemente, Siqueira disse que não faria mais alianças com a senadora por falta de confiança. Mas Parente, se for candidato ao governo, vai trabalhar com o argumento de que ninguém vence eleição olhando para trás e carregando mágoas.

Difícil encontrar um consenso

Não vai ser fácil encontrar uma candidatura de consenso e unidade na federação PT-PV-PCdoB ao Palácio do Buriti. A reunião do comando do PT-DF com o coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, José Guimarães, para definir os rumos deixou alguns pontos claros. Mas não chegou a uma solução. Primeiro, a cúpula da campanha de Lula quer atender o PV e apoiar o deputado distrital Leandro Grass ao GDF, mas não vai abrir uma guerra com os petistas de Brasilia. Segundo, se os pré-candidatos do PT, Rosilene Corrêa e Geraldo Magela, não se entenderem, cresce e muito a possibilidade de Grass ser escolhido em uma imposição nacional. Guimarães avisou que ainda surgiu um quarto nome no páreo: o pré-candidato do PSB, Rafael Parente. O pedido é de Geraldo Alckmin, ex-tucano escolhido para ser o vice de Lula. Ou seja, os partidos da base do ex-presidente estão indo no caminho da terceira via nacional: muitos nomes que não se unem.

No voto

Na próxima terça-feira, petistas deverão se reunir para tentar afinar o projeto. Se não houver entendimento, a decisão pode sair no voto, durante o congresso regional, marcado para começar em 13 de maio. Os 300 delegados do partido definirão se o PT terá candidatura própria ao governo ou apoiará alguém de outra legenda, como Leandro Grass (PV). Os delegados refletem as forças do partido, hoje, representadas principalmente por Jacy Afonso, atual presidente, o ex-presidente Vilmar Lacerda e a deputada distrital Arlete Sampaio.

2 X 0

Leandro Grass (PV) tem um trunfo em relação a Rafael Parente (PSB) na disputa pelo apoio dos partidos da base do ex-presidente Lula. O PV é aliado e não tem candidato ao governo em nenhuma unidade da federação. O PSB foi atendido em seus pleitos em, pelo menos, dois estados. No Rio de Janeiro, o PT vai com Marcelo Freixo (PSB — foto). Em Pernambuco, Lula apoia o deputado federal Danilo Cabral (PSB) na disputa ao governo, abrindo mão da candidatura de Marília Arraes no estado.

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