Artigo

Um desafio para a capital do Brasil

Correio Braziliense
postado em 09/05/2022 00:01

Walter Franco Lopes da Silva, mestre em economia latino-americana pela University of London e professor de economia do Ibmec

A Balança Comercial do Brasil vem apresentando comportamento singular e desempenho bastante significativo nos últimos anos. Desde 2017, como resultado de uma série de fatores internos favoráveis e conjunturais nos mercados internacionais, o comércio exterior brasileiro exibe superávits expressivos que somaram US$ 250 bilhões no quinquênio bem como ostenta, atualmente, uma corrente de comércio de US$ 500 bilhões por ano. Tal realidade se sobressai, ainda, pelo excepcional desempenho das exportações a despeito dos efeitos adversos oriundos da pandemia sobre o consumo das famílias, cadeias de produção e logística internacionais desde 2020. Segundo a Secex, as exportações cresceram 31% desde 2017 para os atuais US$ 281 bilhões, reflexo da diversificação dos mercados, aumento significativo dos volumes embarcados e das altas nas cotações internacionais das commodities; enquanto as diversificadas importações expandiram-se em 38% no período para US$ 219 bilhões. O Distrito Federal, por sua vez, apresenta uma realidade bem peculiar, com exportações totalizando US$ 269 milhões, em 2021 (incremento de 54% sobre o ano anterior), mas de pouca representatividade no âmbito do país. Responsável por apenas 0,1% das exportações do Brasil, os volumes exportados vêm se mantendo em US$ 222 milhões em média por ano desde 2017, e com uma pauta concentrada nas vendas de carne de aves, ouro e soja para mercados tradicionalmente compradores, como Emirados Árabes Unidos, China e Arábia Saudita. As importações em 2021 atingiram US$ 3,6 bilhões, ou quase 2% das importações totais do país, e se expandiram significativamente dos US$ 1,1 bilhão de 2017, quando representava 0,67%. Destacam-se, nas importações do DF, os setores farmacêutico, químico, borrachas, calçados, vestuários, alimentos, vinhos e têxteis — além das recentes aquisições de fármacos e químicos como reflexo de compras efetuadas pelo Governo Federal. Assim, diferentemente do Brasil, o DF apresenta uma balança comercial deficitária com o exterior, parcialmente justificável pelo padrão de consumo e renda mais elevados dos consumidores comparativamente à média nacional. Em 2021, o déficit atingiu US$ 3,3 bilhões e crescimento de 311% sobre o déficit de US$ 814 milhões de 2017. Partindo do princípio de que o déficit comercial do DF seja um problema a ser enfrentado, caberiam ações no sentido de desenvolver uma cultura local e uma política mais agressiva de fomento à exportação através da diversificação de sua pauta exportadora e ênfase nas vendas de produtos de maior valor agregado. Somado a isto, haveria também necessidade de investimentos privados em infraestrutura logística, de distribuição e no escoamento da produção. Enfim, nenhuma ação diferente das que ora se apresentam como centrais à maior inserção do Brasil nos competitivos e dinâmicos mercados internacionais.

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