Investigação

Veja depoimentos de vítimas que caíram no golpe do falso leilão

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu pessoas acusadas de emprestar as contas bancárias para a prática de golpes. Um morador do Lago Sul afirma ter perdido R$ 40 mil para os criminosos

Darcianne Diogo
postado em 28/05/2022 06:00 / atualizado em 28/05/2022 13:37
Agentes da 10ª DP (Lago Sul) cumpriram os mandados de prisão em municípios de Santa Catarina -  (crédito: PCDF/ Divulgação)
Agentes da 10ª DP (Lago Sul) cumpriram os mandados de prisão em municípios de Santa Catarina - (crédito: PCDF/ Divulgação)

Treze pessoas foram presas em uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Elas são acusadas de emprestar as contas bancárias para a prática do golpe do "falso leilão". Estima-se que o grupo tenha obtido cerca de R$ 500 mil com o uso de, ao menos, dois sites fraudulentos. Foram cumpridos, ainda, 16 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Um dos alvos está detido na Espanha por tráfico de drogas.

As investigações conduzidas pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) começaram em outubro de 2021, após um morador do bairro, ter perdido R$ 40 mil com o golpe. Delegado à frente do caso, Tiago Carvalho explica como os criminosos agiam. "Os alvos da operação são os responsáveis por emprestar as contas bancárias para que, dessa forma, o grupo pudesse usufruir das vantagens ilícitas auferidas por meio da prática dos golpes, momento em que as vítimas acreditavam estarem adquirindo veículos de um sítio virtual de leilão denominado Falcon Lances", detalha o agente.

Após "contemplarem" o cliente, os golpistas enviavam, pelo WhatsApp, nota fiscal, boleto de cobrança ou número de conta corrente para que a vítima passasse o dinheiro por meio de transferência, PIX ou do pagamento pelo código de barras. Depois que o valor era repassado aos criminosos, a vítima era bloqueada.

O site falso logo saiu do ar. Em uma página de denúncias, a Falcon Lances acumula mais de 10 reclamações de usuários. Uma das vítimas relatou, em outubro do ano passado, que entrou na página em busca de uma moto e foi contemplada no leilão. Segundo o rapaz, no dia seguinte, ele foi bloqueado do perfil do WhatsApp. Uma outra pessoa comentou que o sítio eletrônico aparenta ser uma empresa "séria", isso porque os criminosos utilizam a imagem de um outro site.

Já uma outra vítima disse ter visto um anúncio de um carro no site e entrou em contato com a equipe pelo WhatsApp. Os golpistas tiraram as dúvidas e solicitaram os dados pessoais do usuário para o preenchimento de um cadastro. Mesmo assim, a mulher foi pessoalmente ao local, onde recebeu a informação de que se tratava de estelionato. "Depois, os criminosos ligaram para mim dizendo que eu havia sido contemplada. Aí eu falei para eles que eu já sabia que a empresa não existe, que era golpe. Eu gravei todas as conversas, logo desligaram e me bloquearam no WhatsApp", relatou.

 

  • Vítimas relatam golpe em site falso de leilão Reprodução
  • A PCDF prendeu 13 pessoas em operação do falso leilão Reprodução

Além do DF

Nessa sexta-feira (27/5), policiais civis do DF e de SC cumpriram mandados judiciais nas cidades de São José (SC), Biguaçu (SC), Antônio Carlos (SC), Balneário Camboriú (SC), Florianópolis (SC) e General Câmara (RS). A operação Falcon é a terceira ação interestadual deflagrada em 2022 pela 10ª DP. Nas três operações deflagradas ao longo deste ano, a PCDF prendeu 18 pessoas pela prática de fraudes diversas e cometidas através de associações criminosas.

"Elas fazem parte de uma forte estratégia de combate às fraudes que foram cometidas na região do Lago Sul, desestimulando, desta forma, e por meio de ações investigativas, o deslocamento de criminosos ao Distrito Federal para a prática destes crimes", frisou o delegado Tiago Carvalho. 

Para evitar cair no golpe do falso leilão, o delegado afirma que, em todas as negociações oficiais, os veículos devem ser preferencialmente verificados nos pátios dos leilões e, em caso de opção pela compra, o pagamento deve ser realizado especificamente para a leiloeira e nunca para pessoas físicas. "Os criminosos costumam utilizar, como isca para potenciais vítimas, preços menores e mais atrativos do que os encontrados em leilões lícitos, razão pela qual estes anúncios devem ser considerados suspeitos", alerta o delegado.

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