VIOLÊNCIA

Preso em operação havia sido condenado por homicídio

Considerado um dos maiores traficantes de cocaína da capital do país e preso em megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal com o Ministério Público, Gilberto Ribeiro Cardoso responde pelo assassinato de Israel Gonçalves Silva, 20 anos. Mais conhecido como Bagdá, o integrante da facção Comboio do Cão foi executado a tiros na madrugada de 26 de julho de 2020. O alvo havia sido identificado como um dos responsáveis pela morte do dono da boate Dubai Show, de 33 anos, na QS 516 de Samambaia Sul.

Gilberto e outras 19 pessoas foram presas durante a Operação Sistema, na quarta-feira. O acusado e o irmão, Gilmar Lopes, eram conhecidos como Irmãos do Pó e, segundo as investigações, eram aliados de Stefânio do Vale, o Rei da Telebrasília. Juntos, eles teriam financiado, transportado, armazenado e distribuído quilos de cocaína para o Centro-Oeste. Estima-se que a organização criminosa tenha lucrado, ao menos, R$ 10,4 milhões em três anos.

Uma sentença de 4 de março último, assinada pelo juiz Fabrício Castagna Lunardi, condena Gilberto e outro réu por homicídio qualificado por motivo torpe contra Israel Gonçalves. Além disso, o traficante responde por posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

Dois meses antes de morrer, Bagdá teria matado dois homens em Samambaia, em 13 de maio de 2020. Três dias depois, Israel cometeu duplo homicídio na QS 516. O crime ocorreu em frente à boate de uma das vítimas. Correndo, o acusado passou em frente ao estabelecimento e atirou diversas vezes. À época, a Polícia Civil divulgou imagens do suspeito para auxiliar nas investigações. Em julho, porém, ele foi executado a tiros dentro de um carro, na mesma região administrativa. O ataque teria relação com uma espécie de guerra entre grupos rivais e resultado em outras mortes, segundo as investigações.

No âmbito da Operação Sistema, os investigadores cumpriram 60 mandados de busca e apreensão. Nos endereços dos suspeitos, os policiais apreenderam armas, carros de luxo — incluindo dois Porches —, cinco jet skis, além de motocicletas e R$ 10 mil. Gilberto e Gilmar integravam uma organização criminosa e assumiam funções importantes na quadrilha.