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Importância da urna para jovens

Evento mostrou as partes internas do equipamento e tirou dúvidas sobre funcionamento e segurança

Eduardo Fernandes*
postado em 11/06/2022 00:01
 (crédito:  Ed Alves/CB)
(crédito: Ed Alves/CB)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou, ontem, a segunda edição do evento Por dentro da urna, com alunos do Instituto Federal de Brasília (IFB), no campus de Ceilândia. A iniciativa, com o objetivo de reforçar a importância do voto e demonstrar a segurança da urna eletrônica dentro do processo eleitoral, permitiu que os participantes tirassem dúvidas e tivessem conhecimento do funcionamento do equipamento. Durante a palestra, os estudantes visualizaram o item por dentro e puderam, por si próprios, aferir a proteção da urna. Quatro turmas passaram pelo auditório do espaço, que recebeu cerca de 150 jovens que irão votar pela primeira vez.

Para explicar, na prática, como a urna eletrônica funciona, o palestrante Rafael Azevedo, coordenador de tecnologia eleitoral e mestre em ciência da computação, abriu o item, e destacou que ele é testado uma vez a cada dois anos, e conta com 5 processadores, sendo 4 destes destinados à segurança. Cada tecla passa por uma operação criptográfica, evitando que os votos sejam fraudados. O evento, de acordo com ele, foi essencial para conversar com os novos eleitores sobre um assunto que permeia com muita força e causa inúmeros debates.

Juventude na política

O jovem Pedro Henrique Cardoso, 17 anos, votará pela primeira vez em 2022. Dentro de uma geração que vem dando os primeiros passos no meio político, o estudante considera fundamental a participação desse grupo para ajudar nos rumos do país. "Esse ano vai ser muito importante. A nossa contribuição é essencial, ainda mais com a idade que temos. Tudo isso mostra como a galera vem cada vez mais forte", destaca.

Para construir um Brasil que escute a voz da juventude, Pedro afirma a importância de começar desde cedo o processo eleitoral e os estudos sobre a situação política atual. Em relação à palestra, o aluno conta que conseguiu sanar muitos questionamentos e descobrir, realmente, como é o funcionamento de uma urna eletrônica. Um dos principais pontos positivos, para ele, foi o acesso a informações sobre a qualidade do item e a garantia de segurança.

Ana Clara Oliveira, 17, se diz ansiosa para começar a participar ativamente das eleições. Ainda que os dois alunos não tenham atingido a maioridade e o voto não seja obrigatório, a jovem garante que é possível, sim, ter consciência e escolher seus representantes com responsabilidade. "Nós somos o futuro do país e temos interesse em votar e em colaborar com a sociedade", afirma.

Uma dúvida que acompanhava a estudante, mas esclarecida no evento, se tratava das fake news que giram em torno das fraudes eleitorais que seriam possíveis — de acordo com relatos ouvidos por ela — ao usar as urnas eletrônicas. No entanto, todos os pontos questionados por Ana foram sanados. Apesar do medo que tinha em relação à adulteração nos votos, descobriu que não há possibilidades viáveis de que tais atos realmente aconteçam.

Fraudes inviáveis

Coordenador eleitoral há 26 anos, Rafael Azevedo, 45, destaca que a urna, apesar de ser auditável, é simples de abrir, mas extremamente complexa para a defraudação, devido às camadas de segurança presentes no sistema. Palestrante no evento, ele diz que é de extrema relevância introduzir esses alunos a compreensão do funcionamento das urnas eletrônicas. Além disso, apresentar para cada jovem o passo a passo desse processo eleitoral e a complexidade que gira em torno do objeto.

"Temos inúmeros cuidados, métodos de auditoria e apresentamos para eles como as coisas acontecem. Tudo isso serve para que eles sintam que realmente existe segurança", complementa. Segundo Rafael, as barreiras que foram criadas para impedir fraudes eleitorais são tão grandes e diversificadas que, para alguém conseguir acessar o sistema, precisaria de um esforço assombroso.

De acordo com o coordenador, considerando tal impossibilidade, a resposta tecnicamente correta é de inviabilidade nessa tentativa de adulteração. "Ninguém conseguiu tirar voto da urna eletrônica até hoje. As pessoas que estão com a lacuna aberta, com acesso ao código de fontes, com acesso a um monte de informação privilegiada, mesmo assim, eles não conseguem", explica.

*Estagiário sob a supervisão
de Márcia Machado

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