Investigação

Foragido em caso de sequestro já matou homem e integrou quadrilha de roubo

'Boneco', como é mais conhecido, assassinou um homem no meio da rua a tiros, segundo processo. O crime ocorreu em julho deste ano

Darcianne Diogo
postado em 17/12/2022 00:35
Mais conhecido como Boneco, assassinou homem a tiros em julho -  (crédito: Material cedido ao Correio)
Mais conhecido como Boneco, assassinou homem a tiros em julho - (crédito: Material cedido ao Correio)

Foragido da Justiça por suspeita de envolvimento no sequestro de Daniel Carvalho da Silva, 31 anos, Rinaldo Márcio de Oliveira, 39, já foi alvo de uma operação da Polícia Civil do DF (PCDF) em 2013 por integrar uma quadrilha armada e especializada em roubos, furtos de carros, adulteração de sinais identificadores e receptação de veículos. O criminoso também é procurado por participar de um homicídio na região do Gama, cometido em julho deste ano.

Rinaldo é o mesmo que aparece em imagens das câmeras de segurança colhidas pela polícia dirigindo a Amarok branca de Daniel logo após o sequestro. O empreiteiro foi abordado por criminosos na noite de 26 de outubro ao sair de uma igreja de Ceilândia. Além de Rinaldo, estão envolvidos outras três pessoas: o professor Benevaldo Barbosa Novais, 39, o irmão dele, Édson Barbosa e Wemerson Araújo da Fonseca.

  • Mais conhecido como Boneco, assassinou homem a tiros em julho Material cedido ao Correio
  • Câmera registrou perseguição de sequestradores com a vítima PCDF/Divulgação
  • Rinaldo responde a um homicídio cometido em junho PCDF/Divulgação
  • Na casa de Rinaldo, a polícia localizou móveis de Daniel PCDF/Divulgação
  • Rinaldo com a Amarok branca de Daniel PCDF/Divulgação
  • Rinaldo Márcio (E) foi flagrado por câmeras de segurança PCDF/Divulgação

Em 2013, Rinaldo, vulgo “Boneco”, foi preso por se associar a uma quadrilha junto a, pelo menos, outras 15 pessoas, incluindo a namorada. Todos os envolvidos, denunciados pelo Ministério Público do DF, agiam em todo o DF e no Entorno de forma arquitetada, com divisão de tarefas e organização.

Enquanto alguns membros do grupo ficavam responsáveis por cometer os roubos ou falsificar documentos, como CRVs e CRLVs, Rinaldo era encarregado pelas vendas. Era ele quem repassava os veículos produtos de crime e com sinais identificadores adulterados. À época, mesmo com a representação do MPDFT, a Justiça decidiu pelo arquivamento do processo.

Homicídio

Em 15 de julho deste ano, Rinaldo e Diego Francisco Silva Aquino mataram a tiros um homem identificado como Michael Souza da Silva. A vítima caminhava pela rua na companhia da namorada, na Quadra 26 do Setor Oeste do Gama, quando a dupla, que estava em um Mobi, se aproximou do casal.

Como consta nos autos do processo, Rinaldo e Diego desceram do carro e, armados, efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra Michael. Depois, entraram no veículo e fugiram. Testemunhas ouvidas pela polícia na época deram conta de que o homicídio foi motivado para assegurar a impunidade de crime de estelionato. Isso porque a vítima teria “emprestado o nome” para que Rinaldo aplicasse golpes, fazendo cartões de crediários ou retirando veículos.

O processo segue em tramitação na Justiça e Rinaldo é considerado foragido da Justiça.

Sequestro


A polícia está cada vez mais perto de concluir as investigações sobre o sequestro de Daniel Carvalho, após quase dois meses de desaparecimento. Com a prisão de três suspeitos envolvidos no crime, investigadores da Divisão de Repressão a Sequestros da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (DRS/Corpatri) estão convencidos de que o empreiteiro foi assassinado e enterrado em uma mata na região de Goiás.


Antes de serem presos, no começo de novembro, Bené e os comparsas fizeram várias transações bancárias via PIX para diversas contas de terceiros, até que o limite fosse excedido. O valor ultrapassa R$ 120 mil. Os sequestradores também efetuaram compras no cartão de crédito da vítima. Um dos preso é Wemerson Araújo da Fonseca, que teria recebido dinheiro da vítima na conta bancária.

De acordo com a apuração policial, Bené organizou o sequestro de modo a evitar chamar a atenção da polícia e dos familiares de Daniel. Em 31 de outubro, o professor contratou um caminhão de frete para fazer a mudança dos móveis da casa do empreiteiro, de Samambaia para uma residência no Novo Gama (GO). Seria uma forma de dar veracidade ao esquema montado e fazer com que os parentes acreditassem que a vítima queria desaparecer propositalmente por causa de dívidas de agiotas.

Vários móveis de Daniel, incluindo bebedouro, panelas e cadeiras, foram encontrados pelos investigadores no Novo Gama e na casa de Rinaldo. No dia em que policiais fizeram buscas na residência, encontraram a mulher dele. Ela chegou a ser presa por receptação na época, mas acabou liberada em audiência de custódia.

A participação de Rinaldo no crime fica clara após ele ter sido flagrado conduzindo a Amarok de Daniel um dia após o sequestro. Ele deixou o veículo em frente a um mercado, no Novo Gama, e colocou a chave no pneu. Em seguida, o irmão de Bené, Édson Barbosa, também detido, chega ao local para buscar o carro e dirige até a Feira Permanente do Setor O.

Benevaldo está preso no Complexo Penitenciário da Papuda e foi denunciado pelo Ministério Público, Com quase 7 mil seguidores no Instagram, Bené se apresenta como educador parental e professor de musicalização para crianças especiais. Licenciado em pedagogia, ele faz questão de publicar fotos e vídeos do trabalho prestado em uma sala multidisciplinar de Samambaia. A reportagem entrou em contato com os advogados do acusado, Hellen Costa e André da Mata, que afirmaram que, mediante as novas provas apresentadas, se manifestarão apenas nos autos do processo.

Vestígio


O Correio apurou que, no dia em que a mulher de Rinaldo prestou depoimento à polícia, usou um UP vermelho para chegar ao local, o mesmo utilizado pelos criminosos na noite do sequestro. Para evitar qualquer desconfiança, ela estacionou o veículo no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), mas o carro acabou sendo apreendido pelos policiais.

A hipótese de que Daniel esteja morto veio após a constatação da presença de manchas de sangue no assoalho e no banco traseiro do UP. O Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) e os peritos criminais realizaram os exames e coletaram os vestígios necessários, concluindo-se que aquele sangue pertencia a Daniel.

O laudo pericial atestou, ainda, que as manchas não eram compatíveis com algum ferimento experimentado dentro do carro, o que sugere que o empreiteiro foi morto em outro local e transportado no veículo para um endereço ainda desconhecido. Para os investigadores, a vítima foi enterrada em alguma área de mata na região de Goiás.

A polícia tenta desvendar a motivação do crime, uma vez que Bené e a vítima não eram amigos. A polícia pede para que, quem souber o paradeiro de Rinaldo, ligue para o número 197, da Polícia Civil.

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