PETS

Mais de 400 cães e gatos estão disponíveis para adoção em abrigos e na Zoonoses

Tornar-se uma das pessoas que oferecem acolhimento para cães e gatos abandonados pode ser uma forma de levar mais alegria para a casa

Ailim Cabral
Naum Giló
postado em 30/01/2023 06:22 / atualizado em 30/01/2023 22:52
Vilma é uma cadelinha muito dócil e serelepe e está disponível para adoção na Zoonoses-DF -  (crédito: Sandro Araújo-Agencia Saúde-DF)
Vilma é uma cadelinha muito dócil e serelepe e está disponível para adoção na Zoonoses-DF - (crédito: Sandro Araújo-Agencia Saúde-DF)

Os que são tutores de cães e gatos são suspeitos para falar, mas é raro encontrar alguém que tenha convivido com animais de estimação e não tenha se apaixonado por olhos pidões e os carinhosos "lambeijos". Testemunhar a alegria de um cachorro abanando o rabo, pulando e latindo quando escuta seu humano chegando em casa é uma das maiores provas de amor. Sentir um gato ronronando enquanto se aconchega no colo do seu tutor aquece o coração de um jeito diferente.

E não é difícil se permitir viver essa felicidade. O número de animais à espera de adoção, seja na Zoonoses ou nos diversos abrigos espalhados pelo Distrito Federal é grande e os protetores pedem ajuda, uma vez que alimentar e cuidar da saúde desses pets tem um custo considerável.

Dados de 2022 da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que existem, no Brasil, cerca de 30 milhões de animais abandonados. Entre esses, 20 milhões são cachorros e 10 milhões gatos. Um levantamento da Confederação Brasileira de Proteção Animal, feito em 2021, revela que, somente no DF, são cerca de 700 mil animais abandonados. Por que não se tornar uma das pessoas que oferece, além de um lar seguro, o amor e o acolhimento que esses pets tanto precisam?

Entre os vários locais onde é possível adotar um bichinho, está a Vigilância Ambiental de Zoonoses, da Secretaria de Saúde. No momento, o abrigo conta com sete cachorros e cinco gatos disponíveis para adoção. Segundo o gerente do órgão, Isaias Chianca, os animais foram resgatados pela Justiça, quando estavam em situação de maus tratos pelos seus antigos donos, ou pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), nos casos em que são encontrados no Parque Nacional de Brasília.

Os interessados em adotar pelo menos um dos animaizinhos precisam apenas ir à Zoonoses, localizada ao lado do Hospital da Criança, no Noroeste, apresentar o CPF, comprovante ou declaração de residência e documento de identificação que comprove ser maior de 18 anos. "A adoção de pets é muito importante porque você está dando um lar e uma família para um gato ou cachorro carente", explica o gerente. "Todos estão vacinados, com exames negativos para leishmaniose e tratamento contra pulgas e carrapatos", informa Isaias.

Entre os caninos, estão disponíveis para adoção três machos e quatro fêmeas. Uma delas é a Vilma. A cadelinha dócil e serelepe chegou há um ano e meio ao canil da Zoonoses e espera por uma família há oito meses. Ela foi resgatada pela Vigilância Ambiental no Parque Nacional e corria grande risco ao entrar em contato com a fauna silvestre da região. Para quem prefere os felinos, o local está com dois machos e três fêmeas desejando adotar um novo dono. Os novos tutores devem procurar a Zoonoses de segunda-feira a sexta-feira, entre 9h e 15h.

Vidas

A advogada Ana Paula de Vasconcelos é ativista pelos direitos dos animais e vice-presidente da Comissão pelos Direitos dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF). "Precisamos evoluir no trato com os animais", dispara a jurista. "Há um número muito grande de animais sem domicílio e que sofrem diversos tipos de maus tratos. Quando você compra um pet, no lugar de adotar, você contribui para essa dinâmica", explica.

Ana Paula chama atenção para a necessidade de entender os animais como vidas, não como objetos. Ela conta que o Código Civil Brasileiro ainda enquadra os animais na condição de "coisas móveis semoventes", desprovidos de direito individual e tendo garantias de direitos somente quando buscado por terceiros (seus donos). No entanto, há um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que propõe torná-los seres sencientes, com capacidade de ter percepções conscientes do que lhes acontece e do que os rodeia. "No Judiciário, já são tratados como seres de direito, como ocorre nas ações de guarda dos pets em caso de divórcios. Eles são tratados como membros de famílias multiespécies", explica. E completa: "Já foi comprovado pela ciência que eles têm os mesmos sentimentos que nós, humanos, só os manifestam de maneira diferente".

Acalanto

Centenas de cães e gatos estão esperando por uma nova família que lhes dê carinho, e não é só na Zoonoses. Abrigos espalhados pelo DF desempenham o trabalho fundamental de resgatar e cuidar dos bichinhos enquanto eles não conseguem um novo tutor. O Projeto Acalanto é formado por 17 protetores de animais independentes que, juntos, cuidam de cerca de 400 caninos e felinos disponíveis para adoção. Dois deles são a Amora e o Paçoca, que mal vêem a hora de encher a nova família de amor e "lambeijos".

Os interessados podem entrar em contato pelo Instagram @projetoacalanto.df, ou pelo Whatsapp (61) 99107-6989 e falar com Lucimar, idealizadora do projeto que ocorre há oito anos. Ajuda financeira também é bem vinda para custear os cuidados necessários com os amiguinhos. Todos os animais são vermifugados. Os adolescentes e adultos também são castrados e vacinados.

Orientações

Embora incentivada e recomendada, a adoção precisa acontecer com responsabilidade. Afinal, levar um cão ou gato para depois abandonar ou devolvê-lo ao abrigo está longe de ser o ideal e não é benéfico para nenhum dos envolvidos. Confira algumas das orientações dadas pelo Instituto Brasília Ambiental antes de adotar.

» Considere o tempo de vida de cães e gatos e esteja preparado para cuidar durante todo esse tempo, eles vivem, em média, 15 anos.

» Certifique-se de que todos os familiares e moradores da casa estejam de acordo quanto a conviver com um animal de estimação.

» Entenda que conforme um filhote cresce suas necessidades, tamanho e temperamento podem mudar. O envelhecimento e momentos de doença também precisam ser considerados.

» Se planeje para arcar com todas as despesas do animal, desde alimentação, vacinação, vermifugação, proteção contra pulgas e carrapatos e outros eventuais gastos veterinários.

» É necessário ter disponibilidade para passear, brincar e dar carinho e atenção ao pet.

» Avalie o espaço que você poderá disponibilizar para o animal.

Outros abrigos com bichinhos disponíveis para adoção e os contatos :

» Abrigo Flora e Fauna
@abrigofloraefauna

» Clubinho da Penélope
@clubinhodapenelope

» Betina Cat Café
@betinacatcafe

» Toca Segura
ongtocasegura@gmail.com / tocasegura.ong.br/adocao/

 

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  • A Zoonoses está, hoje, com doze animais disponíveis para adoção: são sete cães e cinco gatos
    A Zoonoses está, hoje, com doze animais disponíveis para adoção: são sete cães e cinco gatos Foto: Sandro Araújo-Agencia Saúde-DF
  • Acalanto: grupo de 17 protetores de animais independentes cuida de cerca de 400 caninos e felinos
    Acalanto: grupo de 17 protetores de animais independentes cuida de cerca de 400 caninos e felinos Foto: Sandro Araújo-Agencia Saúde-DF
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    A Zoonoses está com 12 animais disponíveis para adoção: sete cães e cinco gatos Foto: Sandro Araújo-Agencia Saúde-DF
  • Paçoca e Amora são dois dos 400 animais disponíveis para adoção do Projeto Acalanto, formado por 17 protetores independentes do DF
    Paçoca e Amora são dois dos 400 animais disponíveis para adoção do Projeto Acalanto, formado por 17 protetores independentes do DF Foto: Projeto Acalanto
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