ENTREVISTA

"Houve infiltração, houve omissão", afirma o senador Izalci Lucas, sobre 8/1

Em entrevista ao CB.Poder, o parlamentar falou sobre as expectativas em torno da comissão mista de inquérito que vai apurar os atos antidemocráticos. Também comentou uma possível candidatura ao governo do DF na próxima eleição

José Augusto Limão*
postado em 16/05/2023 06:00
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai apurar, no Congresso, responsabilidades dos atos antidemocrático de 8 de janeiro, foi tema do CB.Poder — parceria entre TV Brasília e Correio —, que recebeu o senador Izalci Lucas (PSDB). À jornalista Ana Maria Campos, o parlamentar falou, nesta segunda-feira (15/5), sobre o afastamento do governador Ibaneis Rocha (MDB) e uma possível aliança com o emedebista para a próxima eleição.

O senhor tem trabalhado muito em várias frentes, uma delas é a criação e a composição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que vai apurar o que aconteceu em 8 de janeiro. Como é que está essa formação dessa comissão?

A gente sempre participou de todas as CPIs aqui, do DF, eu me prontifiquei até para não deixar a população da capital pagar essa conta sozinha. Houve problema aqui no DF? Teve, mas outras instituições poderiam ter evitado isso. A gente quer demonstrar claramente o que ocorreu, quem foi beneficiado com isso, a gente está bem preparado. Eu venho trabalhando desde o dia 8, quando aconteceu o fato e nós vamos demonstrar realmente que houve muita omissão também. Houve infiltração, houve omissão. O governo federal poderia ter evitado tudo isso. Ninguém vai passar a mão na cabeça de ninguém, agora não pode ter uma condenação coletiva. É preciso ter uma condenação individual, cada um responde pelo que fez e isso que vamos defender.

Mas esse requerimento está há algum tempo tramitando, já foi apresentado, tem assinaturas suficientes. Está para ser instalada a CPMI, mas a gente não vê a comissão iniciar os
trabalhos, o que falta?

Porque, na prática, é assim, nenhum governo gosta de CPI.  Eles (o governo) tentaram, durante muito tempo, impedi-la e conseguiram retirar assinaturas, oferecendo emendas. Mas houve uma adesão muito pequena a esse projeto de retirar assinaturas. Então (a CPMI) está consolidada, o governo achava que não ia colocar quórum na sessão. Colocamos quórum tanto no Senado quanto na Câmara. Temos assinatura mais do que suficiente. Após a leitura, você tem que fazer então o quê? As indicações. Você tem que comunicar os partidos, os blocos, para eles indicarem os membros, depois disso você faz a reunião e instala (a comissão) e faz a eleição (dos cargos). Agora o governo quer participar de qualquer jeito, já que ele não conseguiu esvaziar a CPI, ele está impondo colocar a maioria. Apesar de a CPMI ser um instrumento da minoria. Tudo indica que o presidente deverá ser o Arthur Maia (União-BA), e que é uma pessoa muito boa, ele é bastante independente, tem uma formação muito boa, uma capacidade grande de articulação. A gente acredita que ele, confirmada a indicação, será um bom presidente.

E a participação do governo do Distrito Federal, acha que o governador Ibaneis errou de alguma forma?

Na prática, ele errou no seguinte sentido, primeiro não deveria ter nomeado Anderson (Torres) naquele momento, por quê? Bem, eu sei que ele é governador, ele que manda, mas em função de que o Anderson foi (ex-ministro do governo Bolsonaro), era delicado. Naquele momento, várias pessoas, amigos e autoridades aconselharam não nomear Torres. Ou, se fizesse, que colocasse em outra pasta. Agora ele (Ibaneis), de certa forma, recebeu informações equivocadas. Então, por exemplo, o comando da Polícia Militar, Polícia Civil, a inteligência deveriam ter comunicado a ele. Houve um grande erro, inclusive no caso do comando que colocou a tropa no dia em alerta e não de prontidão. Teve esse equívoco. Tem uma série de coisas que precisam ser apuradas. As mensagens que o governador recebeu eram no sentido de que, "fique tranquilo, está sob controle", então não é o governador que tem que cuidar disso ele, passa exatamente para a Segurança Pública, alguém da confiança dele. 

O senhor espera que na sua próxima eleição possa contar com o apoio dele (Ibaneis), já que ele não vai ser candidato ao GDF?

Vai depender muito das circunstâncias, vou me candidatar a um cargo majoritário: ou sou candidato ao Senado ou ao governo. Governo, eu entendi nessa última eleição que é preciso um grupo, não adianta você sair sozinho para (concorrer). Então tem que ter alianças, nós temos que construir isso. Como ele é candidato ao Senado, pode ser, mas tudo é possível. Depende das composições.

 

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

 

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