Jornal Correio Braziliense

Rachadinha

Assessor do GDF é investigado por exigir parte de salário de indicados

O suspeito indicou ao menos oito pessoas para cargos comissionais. Entre eles, estão o filho e a empregada doméstica. O servidor ainda dava instruções aos indicados para que eles não cumprissem toda a jornada de trabalho e fossem ao órgão apenas para bater ponto

Um servidor, de cargo comissionado no Governo do Distrito Federal (GDF), tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil (PCDF) sob a acusação de promover “rachadinha”. Segundo as investigações, o suspeito indicava pessoas próximas, como familiares e amigos, para trabalhar no governo e, em troca, exigia parte dos salários. Na manhã desta quarta-feira (3/5), são cumpridos oito mandados de busca e apreensão.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção vinculada ao Departamento de Combate a Corrupção e ao Crime Organizado (Drcor/Decor) e conta com o apoio da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social do Ministério Público (Prodep/MPDFT).

As apurações começaram no final de 2022, quando a polícia recebeu a denúncia de que o servidor usava do meio de influência para indicar pessoas próximas a cargos públicos .

O homem, que já atuou como assessor especial e trabalhou em campanhas de alguns políticos, indicou ao menos oito pessoas para ocuparem cargos comissionados. Entre os indicados, estão o filho e a empregada doméstica, segundo revelaram as investigações. As provas colhidas pela polícia indicaram que os “novos contratados” sequer compareciam ao serviço, ou seja, eram “funcionários fantasmas”.

Em algumas vezes, os indicados até iam para o trabalho, mas recebiam instruções do servidor para que não cumprissem integralmente as jornadas. Alguns, inclusive, chegavam a ir ao órgão apenas uma vez por mês para assinar a folha de ponto. Atitude essa reproduzida também pelo investigado.

Ocultação

O dinheiro recebido pelo servidor como parte do esquema era depositado em uma empresa em nome de terceiros, mas que pertencia ao suspeito. A intenção era ocultar a origem ilícita dos repasses de parte das remunerações.

A operação Meridio cumpre oito mandados de busca em endereços ligados aos investigados e na empresa do servidor usada para a movimentação dos valores. As ordens judiciais são cumpridas no Plano Piloto, no Recanto das Emas e em Santa Maria.

As buscas têm como objetivo a consolidação e robustecimento dos elementos probatórios já coligidos para conclusão do inquérito em andamento, visando sedimentar a efetiva participação de cada integrante do grupo criminoso, a eventual identificação de outros envolvidos, além da apreensão de bens e valores para ressarcimento dos cofres públicos.

Os suspeitos estão sendo investigados pela possível prática de crimes de concussão (artigo 316 do Código Penal), estelionato contra a administração pública (artigo 171, §3º do Código Penal) e lavagem de bens, direitos e valores (artigo 1º da Lei 9.613/1998); e, caso condenados, podem pegar até 27 anos de prisão.